Preço do feijão cai com avanço da oferta; carioca lidera recuo enquanto feijão-preto mantém maior estabilidade
Levantamento do Cepea mostra que a entrada da terceira safra amplia a oferta no mercado, pressiona as cotações do feijão carioca e mantém o feijão-preto mais sustentado pela menor expectativa de produção no Paraná.
Publicado em: 03/08/2026 às 12:40hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou julho sob pressão, refletindo o aumento da oferta provocado pela transição entre o fim da segunda safra e o avanço da colheita da terceira safra. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de baixa foi mais intenso para o feijão carioca, enquanto o feijão-preto apresentou comportamento mais estável.
A maior disponibilidade de grãos no mercado elevou a concorrência entre os vendedores e reduziu o poder de sustentação dos preços, especialmente para os lotes de melhor qualidade do feijão carioca.
Feijão carioca sofre maior pressão com avanço da colheita
Segundo os pesquisadores do Cepea, o avanço da colheita da terceira safra e a entrada diária de novos volumes no mercado mantiveram forte pressão sobre as cotações do feijão carioca ao longo de julho.
Mesmo diante das tentativas dos produtores e comerciantes de manter os preços em níveis mais elevados, o aumento da oferta limitou a capacidade de reação do mercado.
Além disso, compradores adotaram uma postura mais cautelosa, adiando negociações na expectativa de maior disponibilidade de produto e de novas reduções nos preços, o que reforçou o movimento de baixa.
Feijão-preto encontra sustentação na menor produção esperada
No segmento do feijão-preto tipo 1, o cenário foi diferente. Embora a demanda também tenha permanecido enfraquecida durante o período, as cotações registraram maior estabilidade.
De acordo com o Cepea, a perspectiva de uma produção menor no Paraná — um dos principais estados produtores da variedade — reduziu a oferta esperada para a temporada e limitou quedas mais acentuadas nos preços.
Esse fator contribuiu para equilibrar o mercado, mesmo diante do ritmo moderado das negociações.
Oferta continuará sendo o principal fator para os preços
A evolução da colheita da terceira safra seguirá sendo determinante para o comportamento do mercado nas próximas semanas. Caso a entrada de novos lotes continue acelerada, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços do feijão carioca.
No caso do feijão-preto, a disponibilidade efetiva da produção paranaense continuará sendo acompanhada pelos agentes do setor, podendo influenciar a intensidade das oscilações ao longo do segundo semestre.
Para produtores, atacadistas e empacotadores, o cenário permanece marcado por negociações cautelosas e atenção à evolução da oferta nacional, que deverá definir o ritmo do mercado nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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