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Feijão e Pulses

Feijão carioca chega a R$ 360 por saca, enquanto feijão preto testa patamar de R$ 300

Mercado encerra a semana com preços firmes, baixa liquidez e compradores seletivos; redução da primeira safra no Paraná e risco de El Niño reforçam atenção sobre a oferta


Publicado em: 25/09/2026 às 16:30hs

Feijão carioca chega a R$ 360 por saca, enquanto feijão preto testa patamar de R$ 300

O mercado brasileiro de feijão terminou a semana com preços sustentados, mas sem liquidez suficiente para confirmar uma nova rodada ampla de valorização. No feijão carioca, negócios pontuais com produto extra validaram o patamar de R$ 360 por saca, enquanto o feijão preto avançou e passou a testar referências próximas de R$ 300 em algumas regiões.

Segundo o analista de Safras & Mercado Evandro Oliveira, a menor disponibilidade de produto, a retenção dos vendedores e os custos crescentes de reposição sustentam as cotações. Do lado comprador, entretanto, as aquisições permanecem concentradas nas necessidades imediatas.

O comportamento da demanda em outubro e o desenvolvimento da primeira safra 2026/27 deverão determinar se os preços atuais encontrarão sustentação ou enfrentarão resistência.

Feijão carioca valida R$ 360 em negócios pontuais

O feijão carioca extra alcançou R$ 360 por saca em operações pontuais na Bolsa. Apesar de representar uma referência importante, o valor ainda não aparece em volume suficiente para ser considerado predominante no mercado.

Nas negociações FOB, o interior de São Paulo encerrou a semana com preços entre R$ 350 e R$ 355 por saca. Em Minas Gerais, as referências variaram de R$ 318 a R$ 322, enquanto Goiás registrou valores entre R$ 306 e R$ 312.

A valorização perdeu velocidade porque parte dos compradores recebeu cargas negociadas anteriormente, reduzindo a necessidade de novas aquisições. Os empacotadores continuam atuando de forma gradual, com atenção às margens e ao rendimento industrial dos lotes.

Qualidade pesa mais que preço nominal nas compras

A seletividade dos compradores aumentou. O feijão comercial nota 7,5, oferecido próximo de R$ 310 por saca CIF São Paulo, perdeu atratividade diante dos padrões superiores.

Os lotes nota 8 e 8,5, negociados entre R$ 325 e R$ 340, despertaram maior interesse. Segundo Oliveira, a qualidade, o percentual de quebra e o aproveitamento durante o processamento passaram a pesar mais nas decisões do que o preço nominal da mercadoria.

Na origem, os produtores mantêm uma estratégia seletiva de retenção. Essa postura ajuda a sustentar o mercado, embora as pedidas mais elevadas nem sempre sejam aceitas pelos compradores.

Com menor movimentação na Zona Cerealista de São Paulo, o próximo direcionamento dependerá das reposições de outubro e da disposição dos produtores para liberar novos volumes.

Tendência do feijão carioca é de estabilidade a firmeza

A perspectiva para o feijão carioca permanece entre estabilidade e firmeza, mas com pouca margem para altas expressivas enquanto não houver aumento efetivo da demanda nos principais centros consumidores.

A reposição do varejo poderá melhorar o ritmo dos negócios, especialmente se os estoques dos empacotadores diminuírem. Até lá, a comercialização deverá continuar seletiva e concentrada nos lotes de melhor qualidade.

Feijão preto se aproxima de R$ 300 por saca

O feijão preto apresentou o movimento de alta mais intenso da semana, mesmo com volume reduzido de negócios.

No Paraná, o produto extra Tipo 1 superou R$ 260 por saca e passou a mirar o patamar de R$ 270. Santa Catarina permaneceu próxima dessa referência, apesar de um pequeno ajuste nas cotações.

No interior de São Paulo, os preços avançaram para uma faixa entre R$ 295 e quase R$ 300 por saca FOB. Com isso, a referência de R$ 300 tornou-se o próximo teste para o mercado.

A sustentação veio da menor oferta, da resistência dos produtores em negociar e do aumento gradual dos custos de reposição. Embora os compradores continuem adquirindo apenas o necessário, diminuiu a expectativa de encontrar preços significativamente mais baixos.

Feijão argentino perde competitividade

O feijão preto argentino também perdeu força como alternativa de menor custo. As ofertas ficaram próximas de R$ 300 por saca, mas sem confirmação de negócios.

No mercado doméstico, foram registradas operações com feijão comercial a R$ 275 por saca CIF São Paulo. A aproximação entre o custo do produto importado e as referências nacionais reforça a sustentação dos preços internos.

Safra menor no Paraná aumenta risco para a oferta

A primeira safra de feijão 2026/27 adiciona incerteza ao mercado. No Paraná, a produção está projetada em 177,7 mil toneladas, redução de 8% em relação ao ciclo anterior, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral).

A área cultivada deve recuar 14%, para 88,3 mil hectares. Em contrapartida, a produtividade média está estimada em 2.013 quilos por hectare.

O rendimento, porém, poderá ser revisado caso o El Niño provoque excesso de chuvas ou outros impactos sobre as lavouras. Essa possibilidade já começa a ser incorporada aos preços do feijão preto como prêmio de risco.

Outubro será determinante para o mercado. As reposições do varejo, a movimentação dos empacotadores, a disponibilidade dos produtores e as condições climáticas da nova safra deverão indicar se o feijão carioca sustentará os R$ 360 por saca e se o feijão preto conseguirá consolidar a referência de R$ 300.

Fonte: Portal do Agronegócio

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