Produtores de cana de Pernambuco acumulam prejuízo de R$ 75,73 por tonelada e cobram reajuste
Subvenção federal de R$ 12 reduz parte das perdas, mas fornecedores afirmam que valor pago pelas usinas permanece abaixo do custo e ameaçam suspender entregas
Publicado em: 15/09/2026 às 10:10hs
Os produtores independentes de cana-de-açúcar de Pernambuco enfrentam forte pressão financeira na safra 2025/26. Segundo dados apresentados pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), o custo de produção alcança aproximadamente R$ 215 por tonelada, enquanto as usinas pagam cerca de R$ 139,27 pela matéria-prima.
A diferença provoca um prejuízo estimado em R$ 75,73 por tonelada produzida e entregue às indústrias de açúcar e etanol do estado. Mesmo com a subvenção federal de R$ 12 por tonelada, a defasagem ainda ficaria próxima de R$ 63,73.
Diante desse cenário, os fornecedores cobram uma revisão na remuneração da cana e alertam para a possibilidade de interromper as entregas às unidades industriais caso não haja avanço nas negociações.
Subvenção de R$ 12 não cobre prejuízo dos produtores
A subvenção econômica foi criada para apoiar produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste que registraram prejuízos provocados por eventos climáticos extremos ou pela tributação adicional imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
O benefício corresponde a R$ 12 por tonelada comercializada durante a safra 2025/26, considerando as entregas realizadas entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026. Os recursos destinados ao programa estão limitados a R$ 270 milhões.
Para os fornecedores pernambucanos, o auxílio é importante como medida emergencial, mas insuficiente para restabelecer o equilíbrio econômico da atividade.
Os produtores ainda precisam arcar com despesas relacionadas ao preparo e à manutenção dos canaviais, compra de insumos, contratação de mão de obra, transporte e renovação das áreas cultivadas.
Com a remuneração abaixo do custo, a capacidade de investir na lavoura e manter a produção fica comprometida.
Fornecedores questionam diferença entre Pernambuco e Alagoas
A AFCP também contesta os preços praticados pelas usinas pernambucanas em comparação com os valores pagos em Alagoas, estado que possui características semelhantes na produção de cana-de-açúcar.
Na avaliação da entidade, a remuneração em Pernambuco amplia a defasagem enfrentada pelos fornecedores e não reflete adequadamente os custos da atividade.
O valor da cana considera fatores como a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) presente na matéria-prima e os preços praticados nos mercados de açúcar e etanol.
Por isso, os produtores defendem a revisão dos parâmetros utilizados na formação dos preços e maior aproximação entre o valor pago pelas usinas e os custos efetivamente registrados no campo.
Reunião do Consecana-PE concentra expectativa do setor
A expectativa dos fornecedores está voltada para a reunião do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol de Pernambuco (Consecana-PE), marcada para esta segunda-feira, 14 de setembro.
A AFCP participará das discussões e espera que produtores e representantes das indústrias cheguem a um acordo para melhorar a remuneração da matéria-prima.
Caso não haja avanço, a associação afirma que os fornecedores poderão suspender as entregas de cana às usinas pernambucanas. A possibilidade aumenta a pressão sobre o setor sucroenergético, pois os produtores independentes respondem por uma parcela relevante da matéria-prima processada pelas unidades industriais.
Crise da cana foi discutida com governo e Conab
A situação dos produtores foi debatida durante encontro realizado na sede da AFCP, no Recife, com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto, e de lideranças do setor.
Na ocasião, a entidade homenageou o ministro pela atuação na concessão da subvenção de R$ 12 por tonelada comercializada na safra 2025/26.
Apesar do reconhecimento ao apoio federal, os fornecedores reforçaram que a medida não elimina o principal problema enfrentado pelo setor: a diferença entre o custo de produção e o preço recebido pela cana.
Para a AFCP, uma solução para a remuneração é necessária para preservar a continuidade da atividade, evitar a redução dos investimentos nos canaviais e garantir o abastecimento das usinas de Pernambuco. A subvenção diminui parte das perdas, mas não devolve, isoladamente, a sustentabilidade econômica à produção canavieira no estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias