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Mercado de café enfrenta pressão global com maior oferta e queda nas exportações brasileiras

Relatório do Itaú BBA aponta superávit global, recuo nos embarques e volatilidade nos preços influenciada por geopolítica e clima


Publicado em: 19/03/2026 às 18:40hs

Mercado de café enfrenta pressão global com maior oferta e queda nas exportações brasileiras
Foto: Diego Vargas
Mercado Global de Café Segue Pressionado por Excesso de Oferta

O mercado internacional de café continua enfrentando pressão, impulsionado pela expectativa de superávit global. De acordo com o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, mesmo com fatores pontuais de sustentação, o avanço da produção em grandes países produtores mantém o cenário de oferta elevada.

A recente quebra de safra na Colômbia, causada por excesso de chuvas, trouxe algum suporte às cotações. No entanto, esse efeito é considerado limitado e insuficiente para alterar o equilíbrio global, já que o aumento da produção em outras regiões compensa essas perdas.

Produção Brasileira Deve Crescer Mais de 10% na Próxima Safra

No Brasil, o cenário é mais positivo para a produção. As condições climáticas, especialmente o regime de chuvas, têm favorecido o desenvolvimento das lavouras, elevando as perspectivas para a safra 2026/27.

As estimativas indicam:

  • Produção total de 69,3 milhões de sacas, alta de 10,1%;
  • Crescimento de 18% no café arábica, com 44,8 milhões de sacas;
  • Leve recuo de 2% no conilon, com 24,5 milhões de sacas.

Esse aumento na oferta brasileira reforça a tendência de pressão sobre os preços, especialmente com a aproximação da colheita.

Exportações Brasileiras Recuam em Fevereiro

As exportações de café do Brasil apresentaram queda significativa em fevereiro de 2026, refletindo um cenário de preços mais baixos e maior cautela dos produtores.

Segundo dados do Cecafé:

  • Foram embarcadas 2,6 milhões de sacas, queda de 23% em relação a fevereiro de 2025;
  • A receita cambial somou US$ 1,06 bilhão, recuo de 14% na mesma comparação.

A retração foi mais intensa no café arábica e está associada à queda das cotações internacionais, ao câmbio menos favorável e à estratégia dos produtores de segurar vendas.

Preços do Café Caem em Fevereiro e Reagem em Março

O comportamento dos preços apresentou forte volatilidade entre fevereiro e março.

  • Em fevereiro, o café arábica em Nova York caiu 14%, encerrando o mês em 284,6 cents de dólar por libra-peso;
  • O robusta também recuou, com queda de 10%, para US$ 3.699 por tonelada.

Já em março, houve reação parcial:

  • O arábica subiu cerca de 2%, alcançando 290,3 cents/lb;
  • O robusta seguiu em queda, com recuo de 4,5%.

A recuperação do arábica está ligada principalmente aos efeitos indiretos da escalada dos conflitos no Oriente Médio, que impactam energia e câmbio, além das notícias sobre menor produção na Colômbia.

Mercado Físico Mais Ajustado e Produtores Reticentes

No mercado físico, houve redução do diferencial entre os preços internacionais e domésticos, com ajuste no chamado “basis”. Esse movimento aproximou o mercado físico das cotações externas e exigiu adaptação por parte de exportadores.

A oferta disponível segue limitada, com produtores mais capitalizados e menos dispostos a vender, o que contribui para um ambiente de maior rigidez na negociação e necessidade de ajustes por parte das tradings.

Fundos Reduzem Posições e Reforçam Viés Baixista

Outro fator relevante é o comportamento dos investidores no mercado financeiro. O relatório aponta redução da posição líquida comprada por fundos não comerciais, sinalizando menor apetite por apostas na alta dos preços.

Esse movimento reforça o viés mais cauteloso e contribui para a volatilidade, deixando o mercado mais sensível a revisões de safra ou a choques externos.

Perspectivas: Volatilidade Deve Persistir

O cenário para o mercado de café segue marcado por incertezas, com destaque para:

  • Expectativa de superávit global;
  • Avanço da produção brasileira;
  • Oscilações cambiais e geopolíticas;
  • Comportamento dos fundos e investidores;
  • Riscos climáticos, especialmente com excesso de chuvas durante a colheita.

Com a aproximação da safra, o mercado tende a permanecer volátil, com preços pressionados pela oferta, mas ainda sensíveis a fatores externos que possam alterar o equilíbrio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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