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El Niño forte coloca safra de café 2027 em alerta; Cooxupé orienta produtores sobre manejo para preservar produtividade

Fórum Café e Clima da Cooxupé aponta que safra 2026/27 mantém bom desempenho, mas fenômeno climático poderá provocar múltiplas floradas, calor intenso e novos desafios para a cafeicultura brasileira.


Publicado em: 31/07/2026 às 11:45hs

El Niño forte coloca safra de café 2027 em alerta; Cooxupé orienta produtores sobre manejo para preservar produtividade
Foto: Marco Antônio dos Santos - Cooxupé

A cafeicultura brasileira deverá enfrentar um dos cenários climáticos mais desafiadores dos últimos anos. Embora a safra 2026/2027 apresente desempenho considerado satisfatório, especialistas alertam que a confirmação de um El Niño de forte intensidade poderá alterar significativamente o desenvolvimento das lavouras e exigir planejamento antecipado dos produtores para preservar a produtividade da safra de 2027.

O tema foi destaque do 8º Fórum Café e Clima, promovido pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), realizado em Guaxupé (MG). O encontro reuniu pesquisadores, agrometeorologistas e especialistas em fisiologia vegetal para avaliar os impactos climáticos sobre a cafeicultura e apresentar estratégias para reduzir riscos diante do novo ciclo agrícola.

Segundo o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, o objetivo do fórum foi fornecer informações técnicas que auxiliem os cooperados no planejamento das atividades, na tomada de decisões e na adoção de práticas capazes de minimizar os impactos das oscilações climáticas.

Safra 2026/2027 apresenta bom desempenho, mas fica abaixo de uma supersafra

Durante o evento, o coordenador do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé, Guilherme Vinicius Teixeira, apresentou um panorama climático da área de atuação da cooperativa e destacou que a safra atual mantém produtividade dentro da média histórica, embora tenha perdido potencial para atingir níveis de supersafra.

Segundo o especialista, o atraso no desenvolvimento vegetativo das plantas, iniciado ainda em 2024, reduziu a capacidade produtiva das lavouras.

As plantas desenvolveram, em média, entre 12 e 13 internódios e passaram por três floradas principais, situação que resultou em maturação menos uniforme e maior complexidade durante a colheita.

Entre janeiro e março, o excesso de chuvas dificultou operações no campo, atrasou tratos culturais, comprometeu o manejo nutricional e favoreceu a ocorrência de pragas e doenças.

Já entre abril e julho, as mudanças nas condições climáticas aceleraram inicialmente a maturação dos frutos, mas posteriormente retardaram a colheita, aumentaram os desafios do pós-colheita e favoreceram perdas por queda de folhas e frutos.

Múltiplas floradas podem comprometer o potencial produtivo em 2027

Outro ponto de atenção apresentado durante o fórum foi o comportamento das floradas da próxima safra.

De acordo com Guilherme Teixeira, as chuvas registradas recentemente, associadas às amplitudes térmicas, reduziram a sincronização das gemas florais, criando condições para a ocorrência de diversas floradas ao longo do ciclo.

Embora muitas lavouras apresentem atualmente entre 14 e 15 internódios, isso não representa garantia de uma produção recorde em 2027.

As áreas com menor carga produtiva foram justamente as mais afetadas pelas chuvas da fase final da safra e pelo aumento da produção de etileno, exigindo monitoramento constante e manejo técnico adequado para preservar o potencial produtivo.

El Niño poderá ser um dos mais intensos dos últimos 76 anos

O cenário climático ganhou ainda mais relevância com a apresentação do agrometeorologista e sócio-fundador da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

Segundo ele, o El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 está confirmado e poderá figurar entre os três eventos mais intensos registrados nas últimas sete décadas.

A expectativa é de temperaturas acima da média durante o final do inverno, toda a primavera de 2026 e grande parte do verão de 2027.

Além do calor intenso, o fenômeno poderá provocar períodos de estiagem em diversas regiões produtoras.

Apesar disso, as áreas do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além da Média Mogiana paulista, deverão manter um regime de chuvas relativamente regular, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.

Já o Cerrado Mineiro aparece como uma das regiões mais vulneráveis, com possibilidade de períodos secos durante novembro, dezembro e parte do verão.

Segundo Marco Antônio dos Santos, o maior desafio não deverá ser apenas a temperatura elevada, mas principalmente a possibilidade de ocorrência de várias floradas em uma mesma safra, dificultando o manejo e comprometendo a uniformidade da maturação dos frutos.

Planejamento pós-colheita será decisivo para reduzir impactos climáticos

O professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), José Donizeti Alves, destacou que o sucesso da próxima safra dependerá, principalmente, do planejamento realizado imediatamente após a colheita.

Segundo o pesquisador, embora o El Niño represente um desafio importante, os impactos podem ser reduzidos com o uso adequado de tecnologias e práticas agronômicas.

Entre as principais recomendações estão:

  • antecipação dos tratos culturais;
  • manejo fitossanitário preventivo;
  • adubação equilibrada;
  • utilização de bioestimulantes;
  • fortalecimento do sistema radicular das plantas.

Para o especialista, uma lavoura preparada desde o pós-colheita apresenta maior capacidade de suportar estresses climáticos, manter a emissão de floradas e preservar seu potencial produtivo.

Sistema radicular forte aumenta resistência das lavouras

Com base nas observações realizadas durante o El Niño de 2024, José Donizeti ressaltou que cafeeiros com raízes profundas apresentaram maior tolerância aos períodos de estiagem.

Segundo ele, sistemas radiculares bem desenvolvidos permitem maior acesso à água e aos nutrientes disponíveis em camadas mais profundas do solo, aumentando a resistência das plantas durante longos períodos sem chuva.

Esse equilíbrio entre parte aérea e raízes torna a lavoura mais resiliente frente aos extremos climáticos e reduz perdas de produtividade.

Cafeicultura entra em fase estratégica para a safra 2027

As análises apresentadas durante o Fórum Café e Clima reforçam que a safra 2026/2027 deverá manter bom desempenho produtivo, mas deixam claro que o ciclo seguinte exigirá atenção redobrada dos cafeicultores.

A combinação entre temperaturas elevadas, possibilidade de múltiplas floradas e oscilações no regime de chuvas deverá aumentar a importância do monitoramento climático e da adoção de manejos mais precisos.

Para especialistas da Cooxupé, produtores que iniciarem desde agora o planejamento técnico, nutricional e fitossanitário estarão mais preparados para enfrentar os impactos do El Niño e preservar a produtividade das lavouras na safra 2027.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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