Café hoje: preços sobem com colheita lenta no Brasil, queda dos estoques da ICE e expectativa de oferta global menor
Mercado do café encerra a semana em alta, impulsionado pela valorização do arábica e do robusta nas bolsas internacionais, redução dos estoques certificados e ritmo mais lento da colheita brasileira, fatores que sustentam os preços no mercado físico nacional
Publicado em: 31/07/2026 às 11:05hs
O mercado brasileiro de café caminha para encerrar a semana em alta, apoiado pela valorização das cotações internacionais, pelo avanço do dólar frente ao real e por um cenário de oferta ainda restrita no mercado interno. A combinação entre o atraso da colheita brasileira, a redução dos estoques certificados da Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e a revisão para baixo do superávit global da safra 2026/27 reforça a sustentação dos preços e mantém produtores cautelosos nas negociações.
Após um pregão de estabilidade na quinta-feira (30), marcado pela forte volatilidade das bolsas internacionais, a sexta-feira (31) começou com novos ganhos para os contratos futuros de café arábica e robusta, fortalecendo a perspectiva de fechamento positivo para o mercado físico brasileiro.
Café arábica e robusta iniciam sexta-feira em alta nas bolsas internacionais
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/2026 do café arábica era negociado a 327,60 cents de dólar por libra-peso, com valorização de 1,41%. Os demais vencimentos também operavam em alta, refletindo o otimismo dos investidores diante do cenário de menor disponibilidade imediata do produto.
Na ICE Europe, em Londres, os contratos futuros do café robusta também registravam valorização. O vencimento setembro/2026 era negociado a US$ 3.795 por tonelada, enquanto os contratos seguintes mantinham ganhos consistentes, acompanhando o movimento positivo do mercado global.
A valorização ocorre após o contrato setembro do arábica ter encerrado a sessão anterior em queda, demonstrando a elevada volatilidade que continua caracterizando as negociações internacionais.
Colheita brasileira segue atrasada e preocupa mercado
O principal fator de sustentação das cotações continua sendo o ritmo da colheita brasileira.
Levantamento da Safras & Mercado indica que os trabalhos alcançaram 78% da safra, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica.
As chuvas recorrentes nas principais regiões produtoras vêm dificultando o avanço das máquinas e das equipes de colheita, retardando a entrada do café no mercado.
Além disso, o excesso de umidade durante a fase final dos trabalhos aumenta as preocupações com a qualidade dos grãos, especialmente do café arábica, reduzindo a disponibilidade de lotes de maior padrão e fortalecendo os preços.
Estoques certificados da ICE voltam a cair
Outro fator que reforça o movimento altista é a redução dos estoques certificados da ICE Futures.
Na posição de 30 de julho de 2026, os estoques totalizavam 266.204 sacas de 60 quilos, representando uma queda de 7.964 sacas em relação ao dia anterior.
A diminuição da oferta disponível para entrega física contribui para elevar a percepção de aperto no mercado internacional, oferecendo suporte adicional às cotações.
Superávit global menor fortalece expectativas para o mercado
O cenário também recebeu apoio das novas projeções da Hedgepoint Global Markets.
A consultoria revisou para baixo sua estimativa de superávit mundial de café na temporada 2026/27, passando a projetar um excedente de 8,2 milhões de sacas.
Embora o mercado global continue indicando produção superior ao consumo, a redução do excedente diminui a folga da oferta e reforça a percepção de um equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda nos próximos meses.
Mercado físico brasileiro mantém preços firmes
No Brasil, os negócios continuam ocorrendo de forma moderada.
Segundo analistas do mercado, muitos produtores permanecem comercializando apenas os volumes necessários para cumprir compromissos financeiros, aguardando novas oportunidades de valorização ao longo do segundo semestre.
Na quinta-feira, os preços permaneceram praticamente estáveis nas principais regiões produtoras:
- Sul de Minas Gerais: café arábica bebida boa entre R$ 1.780 e R$ 1.785 por saca;
- Cerrado Mineiro: arábica bebida dura entre R$ 1.800 e R$ 1.805 por saca;
- Zona da Mata de Minas Gerais: café arábica tipo rio entre R$ 1.350 e R$ 1.355 por saca;
- Espírito Santo: conilon tipo 7 entre R$ 1.080 e R$ 1.085 por saca, enquanto o tipo 7/8 variou de R$ 1.070 a R$ 1.075 por saca.
Com a retomada da alta nas bolsas internacionais e a valorização do dólar, a expectativa é de que o mercado físico encerre a semana com preços mais elevados.
Dólar e petróleo também dão suporte às commodities
O ambiente macroeconômico internacional também favorece as commodities agrícolas.
O dólar comercial operava em alta, cotado próximo de R$ 5,07, enquanto o Dollar Index avançava acima dos 100 pontos.
Nos mercados internacionais, as bolsas asiáticas encerraram o dia em valorização, lideradas pelo Japão, enquanto os principais índices europeus também registravam ganhos.
O petróleo acompanhava esse movimento positivo, com o contrato WTI para setembro negociado acima de US$ 85 por barril, fortalecendo o apetite dos investidores por ativos ligados às commodities.
Perspectivas para o mercado de café
Para os próximos dias, o comportamento das cotações continuará sendo influenciado pelo avanço da colheita brasileira, pelas condições climáticas nas principais regiões produtoras, pela evolução dos estoques certificados da ICE e pelo posicionamento dos fundos de investimento.
Enquanto a oferta permanecer limitada e o ritmo da colheita seguir abaixo da média histórica, o mercado tende a manter viés de sustentação para os preços, tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro, cenário que favorece os produtores que ainda possuem café disponível para comercialização.