Café: chuvas derrubam parte da produção e podem reduzir oferta de cafés de qualidade no Brasil
Rabobank aponta colheita atrasada, impactos das chuvas sobre a qualidade dos grãos e exportações brasileiras abaixo do ritmo de 2025; mercado físico segue descolado das cotações de Nova York
Publicado em: 10/08/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de café entra na reta final da colheita sob influência das chuvas e de um cenário de maior atenção à qualidade dos grãos. Segundo a atualização mensal de julho do RaboResearch Food & Agribusiness, do Rabobank, até o fim do mês o Brasil havia colhido 76% da safra, com avanço de 65% no café arábica e de 98% no robusta (conilon).
A colheita, entretanto, segue atrasada. As chuvas recentes nas principais regiões produtoras provocaram a queda de parte dos frutos, o que pode comprometer a qualidade de uma parcela da produção.
O relatório destaca que ainda não é possível dimensionar qual será o volume efetivamente afetado, mas o impacto sobre os diferenciais de qualidade merece atenção.
Chuvas aumentam preocupação com qualidade do café
A ocorrência de chuvas durante o período de colheita pode alterar o padrão de qualidade dos cafés. De acordo com o Rabobank, o cenário desta safra pode resultar em uma oferta mais restrita de cafés finos em relação aos cafés de menor qualidade.
A avaliação considera os efeitos das precipitações registradas em diferentes áreas do cinturão cafeeiro brasileiro. Parte do café derrubado pelas chuvas deverá perder qualidade, embora o relatório ressalte que ainda não há estimativa consolidada sobre a proporção desse volume em relação à produção total.
Os dados climáticos de julho reforçam a preocupação. Algumas localidades registraram precipitações significativamente superiores às médias históricas dos últimos 15 anos.
Em Guaxupé (MG), foram registrados 54 milímetros de chuva, contra média histórica de 18 milímetros. Em Manhuaçu (MG), o acumulado chegou a 49 milímetros, ante 12 milímetros de média.
Já Três Pontas (MG) registrou 24 milímetros, enquanto a média histórica é de 12 milímetros. Em Franca (SP), foram 38 milímetros, contra uma média histórica de 12 milímetros.
Safra de robusta também apresenta pontos de atenção
No mercado de café robusta, algumas empresas vêm relatando perdas de produção em determinadas localidades e podem revisar suas estimativas.
O Rabobank, porém, avalia que parte dessas perdas já estava contemplada em sua projeção de safra, com base em visitas de campo realizadas no Espírito Santo e em Rondônia.
O cenário reforça a importância do acompanhamento regional da produção, principalmente diante das diferenças climáticas e produtivas entre as áreas produtoras de café conilon.
Exportações de café do Brasil seguem abaixo de 2025
O atraso da colheita também vem influenciando o ritmo das exportações brasileiras de café.
Em junho, o Brasil exportou 3,06 milhões de sacas, queda de 1% em relação às 3,09 milhões de sacas embarcadas em maio.
Apesar da redução mensal, o resultado de junho ficou acima do registrado no mesmo mês de 2025. Naquele período, as exportações somaram 2,61 milhões de sacas. Assim, o volume de junho de 2026 foi 17,2% superior ao do mesmo mês do ano anterior.
No acumulado de janeiro a junho, entretanto, o Brasil embarcou 17,8 milhões de sacas, volume 8,2% inferior às 19,4 milhões de sacas exportadas no mesmo intervalo de 2025.
A expectativa apresentada pelo Rabobank é de que os embarques brasileiros aumentem de forma considerável nos próximos meses, acompanhando a evolução da colheita.
Preços do café em Nova York mostram forte volatilidade
No mercado internacional, os contratos futuros de café arábica negociados na ICE, em Nova York, permaneceram bastante voláteis durante julho.
A cotação apresentou média de US$ 3,29 por libra-peso e encerrou o período em US$ 3,32/lb, mantendo-se em um patamar historicamente elevado.
O movimento da bolsa norte-americana, porém, não vem sendo totalmente acompanhado pelo mercado físico brasileiro.
Segundo o relatório, houve uma perda de correlação entre os preços futuros internacionais e as cotações físicas domésticas.
Mercado físico brasileiro segue mais contido
Enquanto Nova York apresentou forte volatilidade, os preços físicos do café no Brasil permaneceram relativamente contidos.
No encerramento do período analisado, o Cerrado Peneira 6 foi cotado a R$ 1.767 por saca, enquanto o Sul de Minas Tipo 6 fechou a R$ 1.716 por saca.
A diferença de comportamento entre os mercados internacional e doméstico se torna um dos principais pontos de atenção para produtores, cooperativas, exportadores e demais agentes da cadeia cafeeira.
Estados Unidos mantêm café fora das tarifas
No cenário comercial internacional, o relatório do Rabobank destaca que os Estados Unidos não aplicaram tarifas ao café em suas diferentes formas de comercialização.
O tratamento foi diferente para outros produtos brasileiros relacionados ao setor sucroenergético. Etanol e açúcar orgânico foram submetidos a tarifas de 25%, segundo o levantamento.
Para o café brasileiro, portanto, o cenário tarifário descrito no relatório não adicionou uma nova barreira comercial ao produto.
O que esperar para o mercado de café
O cenário para o café brasileiro combina colheita atrasada, impactos climáticos, preocupação com qualidade, exportações abaixo do ritmo de 2025 e forte volatilidade no mercado internacional.
A evolução das condições climáticas e o avanço da colheita serão determinantes para avaliar o real impacto das chuvas sobre a produção e a qualidade dos grãos.
Outro ponto de atenção será o comportamento das exportações. Com a expectativa de aceleração dos embarques nos próximos meses, o ritmo de comercialização poderá ganhar força à medida que a produção disponível aumentar.
Ao mesmo tempo, a diferença entre as cotações da bolsa de Nova York e os preços físicos brasileiros mostra um mercado doméstico que, neste momento, não acompanha integralmente os movimentos do mercado futuro internacional.
Principais pontos do mercado de café em julho de 2026
- 76% da safra brasileira havia sido colhida até o fim de julho;
- 65% do arábica estava colhido;
- 98% do robusta/conilon havia sido colhido;
- Chuvas provocaram queda de parte dos frutos e podem afetar a qualidade;
- Oferta de cafés finos pode ficar mais restrita;
- Brasil exportou 3,06 milhões de sacas em junho;
- Exportações de janeiro a junho somaram 17,8 milhões de sacas, 8,2% abaixo de 2025;
- Café arábica em Nova York teve média de US$ 3,29/lb;
- Contrato encerrou julho em US$ 3,32/lb;
- Cerrado Peneira 6 fechou a R$ 1.767/saca;
- Sul de Minas Tipo 6 terminou a R$ 1.716/saca;
- Estados Unidos não aplicaram tarifas ao café, segundo o relatório.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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