Café arábica sobe mais de 1% em Nova York; calor preocupa produtores com safra 2027/28
Estoques certificados reduzidos seguem no radar do mercado, enquanto robusta recua em Londres; no Brasil, floradas e pegamento dos frutos têm avaliação positiva, mas temperaturas elevadas exigem atenção
Publicado em: 21/10/2026 às 11:40hs
O café arábica avançava mais de 1% na Bolsa de Nova York na manhã desta quarta-feira (21), enquanto o robusta registrava perdas em Londres. A divergência ocorre em um cenário de atenção aos estoques certificados, aos ajustes de posições dos investidores e às condições climáticas nas principais regiões produtoras.
No Brasil, o início do desenvolvimento da safra de café 2027/28 apresenta resultados favoráveis, com floradas dentro do esperado e bom pegamento dos frutos na maior parte das áreas acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O calor intenso e a possibilidade de atuação do El Niño, entretanto, mantêm produtores atentos ao risco de abortamento.
Arábica recupera parte das perdas em Nova York
Por volta das 8h49, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 315,65 centavos de dólar por libra-peso na ICE Futures US.
O março/27 apresentava alta de 1,20%, a 302,60 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o maio/27 avançava 1,38%, para 298,35 centavos.
A recuperação sucedia uma sessão negativa. Na terça-feira (20), o dezembro/26 encerrou a 310,10 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 1,77%. Na segunda-feira, o contrato havia subido 3,31%, evidenciando a volatilidade recente das cotações.
Em relatório divulgado na terça-feira, a StoneX apontou vendas de produtores e realização de lucros na faixa de 310 a 315 centavos de dólar por libra-peso, movimentos que influenciaram as negociações do arábica.
Robusta recua em Londres com ajustes de posições
Na ICE Futures Europe, os contratos de robusta seguiam em baixa. Na atualização das 6h54, conforme o horário indicado pela plataforma, o novembro/26 era negociado a US$ 3.400 por tonelada, recuo de US$ 10.
O janeiro/27 perdia US$ 13, cotado a US$ 3.411 por tonelada, enquanto o março/27 caía US$ 17, para US$ 3.394 por tonelada.
Segundo a StoneX, o robusta vinha encontrando dificuldades para sustentar preços acima de US$ 3.500 por tonelada. A consultoria também identificou pressão sobre as diferenças de preços entre os vencimentos futuros.
Outro fator acompanhado é a proximidade do primeiro dia de aviso de entrega do contrato novembro/26, previsto para 27 de outubro. O volume de contratos ainda em aberto nesse vencimento mantém a atenção sobre os ajustes de posições dos operadores.
Estoques certificados reduzidos sustentam atenção ao arábica
A disponibilidade de café nos armazéns certificados permanece entre os principais fundamentos observados em Nova York.
Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a combinação entre estoques baixos e necessidade de cobertura de posições vendidas pode provocar oscilações expressivas nos contratos futuros.
Esse ambiente ajuda a explicar a sensibilidade do mercado às movimentações dos investidores, mesmo sem uma direção uniforme entre arábica e robusta.
Safra de café 2027/28 começa bem no Brasil
Nas lavouras brasileiras, as primeiras avaliações da temporada são positivas. Conforme colaboradores consultados pelo Cepea, as floradas ocorreram dentro das expectativas e o pegamento dos frutos é considerado bom na maior parte das regiões produtoras.
As chuvas registradas nas áreas cafeeiras têm contribuído para a sustentação dos frutos nas plantas. Entretanto, como o ciclo ainda está no início, os resultados dependerão da continuidade de condições adequadas ao desenvolvimento da cultura.
Por isso, o bom desempenho inicial ainda não permite antecipar o resultado produtivo da safra.
Calor intenso eleva preocupação com abortamento dos frutos
De acordo com pesquisadores do Cepea, as temperaturas elevadas representam a principal preocupação no curto prazo.
No Cerrado Mineiro, agentes relatam uma sequência de pancadas de chuva intercaladas com dias de sol forte e calor intenso. A avaliação regional é de que o resultado do pegamento poderá ser confirmado com maior segurança por volta de dezembro.
Na região da Paulista, o receio é de que o calor, associado à possível atuação do El Niño, provoque abortamento nas próximas semanas.
Até o momento, as precipitações têm ajudado a manter os frutos nos pés, mas os produtores seguem acompanhando a distribuição das chuvas e a intensidade das temperaturas.
Clima e oferta seguem no centro das negociações
Além do Brasil, o mercado monitora as condições climáticas no Vietnã e na Indonésia, especialmente os possíveis efeitos do El Niño sobre as próximas safras.
A combinação entre disponibilidade de estoques, movimentação financeira e evolução das lavouras mantém o café sujeito a oscilações. No início desta quarta-feira, esse cenário se traduzia em recuperação do arábica em Nova York e pressão sobre o robusta em Londres.
Fonte: Portal do Agronegócio
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