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Café arábica recua em Nova York com oferta maior, enquanto chuvas favorecem floradas da safra 2027/28

Perspectiva de maior disponibilidade global pressiona as cotações nesta quarta-feira (23), mas estoques baixos e incertezas sobre o pegamento das flores mantêm o clima no centro das atenções.


Publicado em: 23/09/2026 às 11:10hs

Café arábica recua em Nova York com oferta maior, enquanto chuvas favorecem floradas da safra 2027/28

O café arábica voltou a operar em baixa na Bolsa de Nova York na manhã desta quarta-feira (23). O mercado acompanha a perspectiva de aumento da oferta mundial e, ao mesmo tempo, avalia as chuvas que favorecem as floradas da safra brasileira 2027/28.

Por volta das 7h40, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 recuava 0,15%, a 271,90 centavos de dólar por libra-peso. O março/27 caía 0,17%, para 264,25 centavos. As perdas eram moderadas após uma sessão de quedas mais fortes: na terça-feira, o dezembro/26 fechou a 272,30 centavos, baixa de 1,48%, e o arábica atingiu mínimas de três meses.

Oferta global de café ganha peso nas cotações

A expectativa de um mercado mais abastecido tem pressionado os contratos futuros. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), a produção mundial em 2025/26 teria crescido 4,4% em relação à temporada anterior, alcançando o recorde de 183,6 milhões de sacas. O consumo teria recuado 0,9%, para 180,6 milhões de sacas. Essas estimativas indicam um superávit próximo de 3 milhões de sacas, o primeiro em cinco anos.

O avanço das exportações brasileiras reforça essa percepção. Em agosto, o Brasil embarcou 4,155 milhões de sacas de café, volume recorde para o mês e 31% superior ao registrado um ano antes. Os embarques de arábica aumentaram 26%, enquanto os de robusta cresceram 54%.

Outro ponto observado pelos operadores é o envio de arábica brasileiro para armazéns certificados da ICE. Conforme informações obtidas pela Reuters junto a participantes do mercado, os volumes preparados por grandes tradings poderiam mais do que dobrar os estoques certificados, caso todo o café seja aprovado para entrega.

A disponibilidade imediata, porém, segue apertada. Os estoques certificados de arábica chegaram a 217.646 sacas neste mês, menor nível em 27 anos, antes de subir para 258.415 sacas. Por isso, a possibilidade de recomposição dos armazéns influencia os preços, mas ainda depende da aprovação efetiva do produto.

Chuvas ajudam floradas da safra 2027/28 no Brasil

No campo, as chuvas de setembro têm favorecido o desenvolvimento das floradas da safra 2027/28 na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. As condições confirmam as expectativas positivas observadas no início do mês, embora o quadro varie entre as áreas produtoras.

Com a colheita da safra 2026/27 encerrada, os produtores voltam a atenção para a próxima temporada. Segundo o Cepea, a produção elevada de 2026/27 veio acompanhada de um volume significativo de cafés de qualidade inferior, o que também alimenta a expectativa de recuperação da oferta de grãos de melhor padrão na safra seguinte.

A ocorrência de chuvas, contudo, ainda não assegura esse resultado. O pegamento das flores nas próximas semanas será decisivo para o potencial produtivo. Pesquisadores do Cepea apontam apreensão em diversas localidades com possíveis efeitos do El Niño, como temperaturas elevadas e períodos de tempo seco.

Assim, o mercado do café acompanha duas questões em horizontes diferentes: a maior oferta disponível pressiona os preços agora, enquanto o desenvolvimento das floradas brasileiras ajudará a definir as expectativas para a safra 2027/28.

Fonte: Portal do Agronegócio

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