Café arábica cai quase 3% em Nova York, mas dólar sustenta preços no Brasil
Contrato dezembro recua a 285,50 cents por libra-peso e acumula perda de 7,14% desde sexta-feira; robusta apresenta baixa moderada em Londres, enquanto câmbio e clima orientam o mercado brasileiro
Publicado em: 28/10/2026 às 11:12hs
Os preços do café arábica registravam forte queda na Bolsa de Nova York na manhã desta quarta-feira (28), ampliando as perdas dos dois primeiros pregões da semana. Em Londres, o robusta também recuava, mas com oscilações menores.
No Brasil, a valorização recente do dólar tem sustentado as cotações dos cafés arábica e robusta, apesar do movimento negativo no exterior. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o câmbio ajudou a manter os preços domésticos firmes, enquanto os operadores acompanham as condições climáticas e as perspectivas de oferta.
Arábica acumula queda superior a 7% desde sexta-feira
Por volta das 9h40, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 do arábica era negociado a 285,50 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 2,81% na ICE Futures U.S.
Os demais vencimentos também apresentavam perdas:
- Março/2027: 274,95 cents por libra-peso, queda de 2,19%;
- Maio/2027: 271,35 cents, recuo de 2,08%;
- Julho/2027: 268,65 cents, baixa de 2,01%;
- Setembro/2027: 265,60 cents, desvalorização de 2,14%.
Na terça-feira (27), o dezembro havia encerrado a sessão a 293,75 cents por libra-peso, com perda de 2,39%, depois de cair 2,11% na segunda-feira.
Considerando a cotação da manhã desta quarta-feira, o vencimento acumulava desvalorização de aproximadamente 7,14% frente aos 307,45 cents registrados no fechamento de sexta-feira (23).
Robusta recua menos em Londres
Na ICE Futures Europe, os contratos de robusta apresentavam perdas moderadas no registro informado pela Barchart, das 7h44 no horário da plataforma.
O vencimento janeiro de 2027 era cotado a US$ 3.212 por tonelada, queda de US$ 8, equivalente a 0,25%. O março recuava US$ 9, para US$ 3.196, enquanto maio perdia US$ 3, a US$ 3.191 por tonelada.
O movimento sucede uma sessão de recuperação. Na terça-feira, o janeiro havia avançado US$ 19, encerrando a US$ 3.220 por tonelada. As referências de Londres e Nova York correspondem a horários distintos de atualização.
Dólar amortece impacto das baixas externas no Brasil
Segundo o Cepea, a forte valorização recente da moeda norte-americana compensou parte da pressão das bolsas internacionais sobre os preços brasileiros.
Como o café é negociado internacionalmente em dólar, uma cotação cambial mais elevada pode aumentar o valor convertido em reais e favorecer as referências domésticas. O resultado também depende dos diferenciais comerciais, da qualidade dos lotes e da demanda.
Esse suporte, porém, pode mudar com novas oscilações do câmbio. Para as próximas semanas, os pesquisadores do Cepea apontam que dólar e clima continuarão entre os principais fatores para a formação dos preços no país.
Perspectiva de maior oferta pressiona contratos futuros
As condições climáticas nas regiões produtoras têm reforçado a percepção de maior disponibilidade global de café na próxima safra, contribuindo para as baixas do arábica.
De acordo com o Cepea, a expectativa de uma recuperação mais consistente dos estoques certificados na Bolsa de Nova York também pesou sobre os contratos nos últimos dias.
Em relatório de outubro, o Rabobank destacou que a aceleração das exportações brasileiras e o clima favorável em importantes áreas produtoras ampliam as perspectivas de recomposição dos estoques globais. Essa recuperação, contudo, depende da continuidade da produção e do abastecimento nos próximos meses.
A disponibilidade de arábica certificado em Nova York permanece historicamente reduzida. Embora represente um fator de sustentação, essa condição não tem impedido as perdas recentes diante das expectativas de oferta futura.
Clima ganha importância para a safra brasileira 2027/28
No Brasil, a safra 2027/28 está na fase de pegamento e desenvolvimento dos chumbinhos. Segundo o Cepea, o ciclo é de bienalidade baixa para o arábica, o que aumenta a atenção a possíveis riscos ao potencial produtivo.
A evolução das chuvas e das temperaturas nas regiões cafeeiras será importante para avaliar o desenvolvimento dos frutos e ajustar as expectativas de produção.
No robusta, os operadores acompanham a aproximação da nova safra do Vietnã, os estoques certificados em Londres e as condições climáticas no Sudeste Asiático.
Decisão do Fed também entra no radar do café
Além dos fundamentos da cultura, os participantes do mercado acompanham nesta quarta-feira a decisão de juros do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
As sinalizações sobre a política monetária norte-americana podem influenciar o dólar e o posicionamento dos investidores nas commodities. No mercado brasileiro de café, esses movimentos se somam ao clima e às perspectivas de oferta para definir as condições de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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