Café amplia perdas com oferta global elevada e preços recuam no mercado brasileiro
Avanço das exportações do Brasil, expectativa de safra robusta, clima favorável às floradas e projeção de superávit mundial pressionam o arábica em Nova York e limitam os negócios no mercado físico
Publicado em: 22/09/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de café enfrenta nova pressão sobre os preços, influenciado pelas perdas do arábica na Bolsa de Nova York e pela percepção de maior disponibilidade global do produto. Mesmo com o dólar em alta diante do real, produtores mantêm postura cautelosa e realizam apenas negociações pontuais.
Na segunda-feira (21), as cotações já haviam recuado no mercado físico, acompanhando a queda do café arábica na ICE Futures US, a desvalorização do robusta em Londres e o enfraquecimento do câmbio naquele pregão. Com vendedores capitalizados restringindo a oferta, a comercialização permaneceu lenta e concentrada em pequenos volumes, incluindo operações com cooperativas.
Nesta terça-feira, o contrato dezembro de 2026 do arábica operava em baixa de 0,43%, cotado a 275,20 centavos de dólar por libra-peso. Ao mesmo tempo, o dólar comercial avançava 0,39%, para R$ 5,1272, ajudando a limitar parte da pressão externa sobre os preços domésticos.
Preços do café recuam nas principais regiões produtoras
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, com 15% de catação e da safra nova, foi negociado entre R$ 1.570 e R$ 1.575 por saca. Anteriormente, as indicações variavam de R$ 1.600 a R$ 1.605.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também com 15% de catação, passou para a faixa de R$ 1.580 a R$ 1.585 por saca, ante valores entre R$ 1.610 e R$ 1.615.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o arábica rio tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, ficou entre R$ 1.180 e R$ 1.185 por saca. Na comparação anterior, o produto era cotado entre R$ 1.190 e R$ 1.195.
O conilon também apresentou desvalorização no Espírito Santo. Em Vitória, o tipo 7 da safra 2026 recuou para R$ 950 a R$ 955 por saca, enquanto o tipo 7/8 passou para R$ 940 a R$ 945.
Café atinge menor nível em quase três meses em Nova York
Na segunda-feira, o contrato dezembro de 2026 do café arábica encerrou o pregão a 276,40 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 4,10 centavos, equivalente a 1,5%. A cotação atingiu o menor patamar em quase três meses.
O vencimento março de 2027 terminou negociado a 268,45 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 3,50 centavos ou 1,3%.
A pressão sobre os contratos está relacionada à expectativa de abastecimento mais confortável no mercado internacional. O Brasil colheu uma safra ampla em 2026, possivelmente recorde, e mantém um ritmo elevado de embarques no início da temporada 2026/27.
Além disso, as chuvas nas regiões produtoras brasileiras favorecem a abertura e o pegamento das floradas que darão origem à safra de 2027. No Vietnã, maior produtor mundial de robusta, o bom fluxo das exportações e as condições climáticas favoráveis também reforçam a perspectiva de maior oferta.
Outro fator baixista é o crescimento dos estoques certificados na Bolsa de Nova York, movimento que reduz parte das preocupações com a disponibilidade de café no curto prazo.
Exportações brasileiras avançam em volume
Nos primeiros 13 dias úteis de setembro de 2026, o Brasil exportou 2,418 milhões de sacas de 60 quilos de café em grão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária alcançou 185.975 sacas.
A receita acumulada no período chegou a US$ 791,575 milhões, com média diária de US$ 60,890 milhões. O preço médio das vendas externas ficou em US$ 327,41 por saca.
Na comparação com setembro de 2025, o volume médio diário embarcado cresceu 25,4%, enquanto a receita média diária avançou 12,5%. Em contrapartida, o preço médio do café exportado caiu 10,3%.
O aumento dos embarques brasileiros contribui para melhorar o abastecimento dos países importadores, mas também amplia a pressão sobre as cotações internacionais.
OIC prevê superávit no mercado mundial de café
A Organização Internacional do Café (OIC) estima que a produção global alcance 183,6 milhões de sacas no ano cafeeiro 2025/26, crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior.
Já o consumo mundial deve recuar 0,8%, após a expansão considerada excepcional em 2024/25. Com isso, a entidade projeta superávit de 3 milhões de sacas em 2025/26, interrompendo uma sequência de quatro anos cafeeiros com déficit.
A combinação entre aumento da produção, retração do consumo, exportações brasileiras aquecidas e condições favoráveis nas principais origens consolida um cenário de pressão sobre os preços do café. No mercado interno, entretanto, a valorização do dólar e a resistência dos produtores em vender nos atuais patamares podem limitar quedas mais intensas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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