Café: como a amônia quaternária ajuda no período de colheita e contribui para a qualidade da próxima safra
Chuvas intensas e avanço do El Niño elevam o risco de doenças na colheita do café e exigem manejo preventivo para preservar os cafezais e a qualidade da próxima safra
Publicado em: 26/08/2026 às 12:15hs
O ano de 2026 tem sido atípico e, com a formação do El Niño, lidar com o clima será um dos grandes desafios do produtor. As chuvas intensas em algumas regiões do país coincidem exatamente com o período de colheita do café, o que requer atenção redobrada dos produtores para evitar a proliferação de doenças. Considerando a sazonalidade da cafeicultura, fazer um manejo correto neste momento, buscando a eliminação de patógenos e a cicatrização do cafeeiro, é o que garantirá a qualidade da plantação e da próxima safra.
O elevado volume de chuvas impacta o produtor tanto no que se refere à etapa de secagem dos grãos no terreiro como na cicatrização do cafeeiro no pós-colheita. Naturalmente, quando há o aumento da umidade e a falta de sol, o ambiente torna-se perfeito para a proliferação de fungos e bactérias, comprometendo a qualidade do produto final. E, se o produtor não agir neste momento, esse será o cenário no terreiro de secagem.
Uma das recomendações de manejo para evitar este problema é o uso de amônia quaternária diretamente no grão. Ao contrário de outros produtos que possuem carga negativa, a amônia quaternária é um produto de primeira escolha, principalmente por apresentar uma ação multisítio. Não seletiva, a amônia quaternária age por contato e diretamente sobre os fungo. Ela destrói a membrana plasmática ou a parede celular dos fungos, atuando na eliminação de aproximadamente 100% dos biofilmes de bactérias e em cerca de 70% dos biofilmes de fungos. Além disso, possui uma ação sinérgica com outros fungicidas ao promover a indução de resistência, o que facilita a penetração e aumenta a eficácia destes produtos.
De modo geral, ela entra na planta pela cutícula e pelos estômatos, interagindo de forma inespecífica com os tecidos vegetais. Desta forma, segue do metabolismo primário para o metabolismo secundário, agindo como indutor de resistência local, promovendo o aumento dos compostos fenólicos e das enzimas beta-1,3-glucanase e quitinase na planta. Este processo ajuda a potencializar a ação de outros fungicidas. Ou seja, se incorporada ao manejo e aplicada diretamente no terreiro, em conjunto com produtos específicos, potencializará o combate a doenças como a ferrugem, phoma, cercospora e a bacteriose.
O produto também é recomendado para os cuidados com o cafeeiro, ajudando no processo de cicatrização. Seja por conta dos danos causados pelas chuvas intensas ou pelo granizo, pelos danos comuns provocados pelo próprio processo de colheita ou pelas práticas de manejo pós-colheita, como o decote, poda ou esqueletamento, a amônia age como um protetor do cafeeiro.
Em todos estes momentos, devidos aos ferimentos causados, a planta fica mais exposta aos patógenos e a amônia quaternária atua como uma barreira, fechando a porta e impedindo a entrada desses microrganismos. Com a aplicação, a supressão de fungos acontece de forma imediata e total. Trata-se de um processo simples que pode garantir a saúde da planta e, consequentemente, favorecer uma boa produção.
O manejo do café já requer muitos cuidados. E, neste ano, com todas as incertezas relacionadas ao clima, no Brasil e no mundo, o cultivo precisa de ainda mais atenção. O momento é de entender as alternativas disponíveis e proteger a plantação. São estes cuidados que podem garantir a qualidade da safra do próximo ano.
Paulo Sérgio Sardinha, Agrônomo da Chemitec Agro-Veterinária
Fonte: Chemitec Agro-veterinária
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