Publicado em: 12/06/2026 às 09:00hs
O mercado internacional de café vem mostrando evolução contínua, alinhando aumento da produção, alta demanda por cafés especiais, valorização do produto e crescimento da receita gerada. Dessa forma, a embalagem assumiu um papel estratégico para as marcas.
De elemento meramente funcional, com finalidade de armazenamento e proteção, a embalagem passou a ser a interface entre marca, produto e consumidor. Especialmente no caso do café, representa parte central em uma cadeia produtiva, que envolve produto, origem e storytelling.
No cenário internacional, a embalagem é mídia, é canal de aquisição e é posicionamento. Mais ainda, é uma ferramenta decisiva de conversão. Quando o consumidor não conhece a marca, a decisão quanto à aquisição de um ou outro produto é guiada por percepção, e é a embalagem que determina isso.
Estudo da Two Sides mostra que as embalagens influenciam a decisão de compra em até 99% dos casos no Brasil. Design, textura, mensagem e clareza de proposta impactam mais do que preço, em muitos casos.
As tendências de mercado demonstram atenção ao papel estratégico das embalagens e aparecem de forma muito clara em feiras e eventos internacionais: design com menos poluição visual e mais identidade; uso de acabamentos premium, como soft touch, matte e vernizes localizados; comunicação direta e proposta clara; além da diferenciação por formato, com stand up pouches aumentando a presença nas prateleiras.
Outro aspecto importante é que a sustentabilidade deixou de ser discurso e virou pré-requisito. Pesquisa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que 55% dos brasileiros consideram critérios socioambientais na hora de realizar uma compra. No segmento da embalagem, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no Brasil, 72% dos consumidores preferem marcas que utilizam embalagens recicláveis ou biodegradáveis.
Entre as soluções sustentáveis no setor de embalagens estão estruturas monomateriais recicláveis; materiais compostáveis, principalmente em nichos premium; assim como redução de material e simplificação estrutural.
Uma das maiores mudanças estruturais está relacionada à alta na demanda por embalagens mais flexíveis, com tiragens menores e maior variedade de SKUs. A flexibilidade virou vantagem competitiva, principalmente com o crescimento de marcas independentes e modelos de venda direta ao consumidor.
Essas novidades são percebidas no segmento internacional e estão em maturação no Brasil. O mercado brasileiro está alinhado às tendências globais de embalagens de café, mas ainda há espaço para evolução. Por aqui, temos criatividade, design extraordinário e boas ideias, mas ainda precisamos focar em consistência, velocidade e acesso a tecnologias mais flexíveis.
De olho no futuro, a maior tendência em embalagens, que deverá impactar o setor de forma efetiva nos próximos anos, é a convergência entre flexibilidade, sustentabilidade e branding. Na prática, significa que teremos cada vez mais espaço para embalagens mais inteligentes, mais sustentáveis e com mais impacto de marca, produzidas em ciclos cada vez mais curtos. Quem dominar isso vai ganhar o mercado.
Por Jack Strimber, Líder executivo com experiência na construção e desenvolvimento de negócios nos setores de tecnologia e e-commerce. CEO da Packster, referência em embalagens sustentáveis com tecnologia de impressão digital.
Fonte: Experta
◄ Leia outros artigos