Trigo sobe com menor safra dos EUA em mais de 50 anos, enquanto mercado brasileiro enfrenta oferta restrita e desafios de qualidade
Relatório do USDA impulsiona cotações internacionais ao reduzir estimativa da produção norte-americana ao menor nível desde 1970/71. No Brasil, oferta limitada, moagem mais lenta e diferenças regionais mantêm o mercado atento à evolução da safra
Publicado em: 14/07/2026 às 11:50hs
O mercado global de trigo iniciou a semana em alta após a divulgação do mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu a estimativa da produção norte-americana para o menor volume em mais de cinco décadas. A perspectiva de menor oferta mundial fortaleceu as cotações internacionais e também influenciou o mercado brasileiro, onde a disponibilidade restrita da safra velha segue sustentando os preços.
Levantamento do Cepea mostra que, apesar do cenário de valorização no exterior, a desvalorização do dólar frente ao real aumentou a competitividade das importações, limitando altas mais expressivas nas negociações domésticas.
USDA reduz projeção da safra mundial de trigo
O USDA revisou para baixo a estimativa da produção mundial de trigo da safra 2026/27, agora projetada em 819,97 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da previsão divulgada em junho. Na comparação com a temporada 2025/26, a produção global deverá recuar cerca de 2,8%.
Segundo o departamento norte-americano, a redução reflete principalmente as menores projeções para Estados Unidos e Canadá, parcialmente compensadas pelo aumento das estimativas para Rússia e Ucrânia.
O destaque ficou para os Estados Unidos. A produção foi revisada para 41,81 milhões de toneladas, volume 22,6% inferior ao registrado na safra anterior e o menor desde a temporada 1970/71. A perspectiva de uma das menores colheitas da história recente elevou as preocupações sobre a disponibilidade global do cereal e estimulou a valorização das cotações internacionais.
Oferta limitada sustenta preços no Brasil
No mercado interno, o cenário continua marcado pela escassez de trigo disponível da safra anterior, fator que mantém sustentação aos preços mesmo diante da maior competitividade do produto importado.
De acordo com o Cepea, a combinação entre estoques reduzidos e demanda contínua dos moinhos impede quedas mais acentuadas nas cotações, embora o câmbio mais favorável às importações atenue parte da pressão altista.
Rio Grande do Sul registra moagem mais lenta e preocupação com qualidade
No Rio Grande do Sul, levantamento da TF Agroeconômica indica que os moinhos reduziram o ritmo de moagem, refletindo menor demanda por novos lotes.
A oferta permanece regular em algumas regiões, mas o excesso de sementes disponível no mercado, negociado em torno de R$ 1.250 por tonelada, pressiona os preços do trigo para uma faixa entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada.
Além disso, compradores relatam dificuldades relacionadas à qualidade dos lotes remanescentes, especialmente devido aos elevados índices de DON (deoxinivalenol), micotoxina que compromete a utilização industrial do cereal.
Outro fator observado é a redução do preço do trigo argentino entregue em Canoas, cotado ao redor de US$ 275 por tonelada, aumentando a competitividade do produto importado.
Santa Catarina mantém vendedores retraídos
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente parado. Produtores permanecem afastados das negociações, aguardando uma valorização maior das cotações.
As indicações variam entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada para o trigo-pão e entre R$ 1.360 e R$ 1.400 por tonelada para o trigo branqueador, sem registro de negócios relevantes.
No mercado de balcão, os preços permaneceram estáveis na maior parte das regiões, com pequenos reajustes positivos apenas em municípios como Canoinhas e São Miguel do Oeste.
Paraná apresenta menor oferta e maior procura por trigo importado
O Paraná continua registrando um dos mercados mais firmes do país. A baixa disponibilidade interna mantém compradores oferecendo cerca de R$ 1.450 por tonelada CIF para moinhos dos Campos Gerais.
No Norte do estado, as indicações chegam entre R$ 1.520 e R$ 1.530 por tonelada, refletindo a restrição de oferta.
A procura pelo trigo paraguaio também aumentou, impulsionada pela melhor disponibilidade e qualidade do produto. Já para a safra nova, ainda não há volume significativo de negociações, embora as indicações tenham avançado para aproximadamente R$ 1.450 por tonelada CIF, com entrega prevista entre o final de agosto e setembro.
Mercado segue atento à oferta global e ao avanço da nova safra
A combinação entre uma perspectiva de menor produção nos Estados Unidos, estoques mais apertados em importantes regiões produtoras e a restrição da oferta da safra velha no Brasil mantém o mercado de trigo sustentado.
Ao mesmo tempo, fatores como o comportamento do dólar, a competitividade das importações, a qualidade dos grãos disponíveis e o desenvolvimento da nova safra brasileira deverão continuar determinando a direção dos preços nas próximas semanas, em um ambiente de elevada atenção por parte de produtores, moinhos e agentes do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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