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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo de qualidade sustenta preços no Brasil e importações podem chegar a 8 milhões de toneladas

Safra nacional deve cair 27,1%, para 5,7 milhões de toneladas, enquanto baixo PH, doenças e perdas climáticas reduzem a oferta disponível para fabricação de farinha


Publicado em: 28/09/2026 às 11:30hs

Trigo de qualidade sustenta preços no Brasil e importações podem chegar a 8 milhões de toneladas

O mercado brasileiro de trigo mantém preços firmes, apesar da pressão baixista sobre as cotações internacionais. A sustentação doméstica vem da combinação entre safra menor e disponibilidade limitada de cereal com qualidade industrial, especialmente trigo Tipo 1.

Segundo análises da TF Agroeconômica e da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, os primeiros lotes da nova safra apresentam grande variação de peso hectolítrico (PH), Falling Number, glúten e força da farinha, medida pelo índice W.

Com isso, o aumento do volume colhido não representa, necessariamente, crescimento equivalente da oferta destinada à moagem. O cenário deve ampliar a necessidade de importações brasileiras na temporada 2026/27, com estimativas entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas.

Safra brasileira de trigo deve cair 27,1%

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção brasileira de 5,7 milhões de toneladas de trigo, queda de 27,1% em relação ao ciclo anterior.

Além da redução do volume, problemas climáticos comprometem a produtividade e a qualidade de parte das lavouras do Sul. Geadas tardias, excesso de chuvas, granizo e ventos fortes atingiram áreas produtoras, enquanto doenças como oídio e giberela avançaram em algumas regiões.

Esse conjunto de fatores restringe a disponibilidade de trigo adequado à moagem e amplia a diferença de preços entre os lotes de qualidade superior e os cereais de classificação mais baixa.

Preço do trigo sobe no Paraná e no Rio Grande do Sul

No Paraná, as referências avançaram para uma faixa entre R$ 1.530 e R$ 1.540 por tonelada. Em outra referência de mercado, os preços estaduais ficaram entre R$ 79 e R$ 82 por saca.

No Rio Grande do Sul, as indicações chegaram a R$ 1.420 a R$ 1.435 por tonelada, enquanto a média estadual foi calculada em R$ 71,94 por saca.

A firmeza ocorre mesmo com a retração do trigo na Bolsa de Chicago. Os moinhos brasileiros continuam buscando lotes que atendam aos parâmetros necessários para produção de farinha, principalmente diante da menor oferta de trigo Tipo 1.

Qualidade do trigo preocupa no Paraná

A situação das lavouras paranaenses piorou após geadas e episódios de chuvas excessivas. Com 46% da área colhida, apenas 64% das lavouras restantes estavam classificadas em boas condições.

Os lotes retirados do campo apresentam, em muitos casos, baixa qualidade industrial e produtividade abaixo das expectativas. A participação dos trigos tipos 2 e 3 aumentou, enquanto a disponibilidade do Tipo 1 permanece limitada.

A variação de PH, Falling Number, glúten e força da farinha dificulta a formação de referências uniformes. Mesmo com maior entrada física de produto, uma parcela do cereal pode não atender diretamente às exigências da indústria.

Rio Grande do Sul reduz área em 30%

No Rio Grande do Sul, a colheita ainda estava no início, com apenas 1% da área retirada. As chuvas frequentes, acompanhadas pontualmente por granizo e ventos fortes, provocaram danos e aumentaram as incertezas sobre o rendimento e a qualidade.

O Estado cultivou aproximadamente 814 mil hectares, retração de 30% na comparação com o ciclo anterior. A produção gaúcha é estimada em cerca de 2 milhões de toneladas, volume quase 40% menor.

A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras também dificulta as projeções. Enquanto algumas áreas avançam em condições adequadas, outras acumulam perdas relacionadas ao clima e à incidência de doenças.

Chicago recua após atingir US$ 7,64 por bushel

No mercado internacional, o trigo negociado em Chicago chegou a US$ 7,64 por bushel em 1º de setembro, após forte valorização no fim de agosto. Posteriormente, as cotações perderam força e recuaram para perto de US$ 7,03 a US$ 7,05 por bushel.

O contrato dezembro de 2026 encontra suporte técnico entre US$ 6,80 e US$ 6,90 por bushel. A faixa de US$ 7,20 aparece como resistência imediata.

Apesar da queda recente, a média de agosto ficou em US$ 6,76 por bushel, alta de 4,3% em relação a julho.

A possibilidade de avanços diplomáticos entre Rússia e Ucrânia contribuiu para a pressão sobre os contratos, diante da expectativa de eventual normalização dos embarques pelo Mar Negro. O conflito, porém, continua impondo riscos logísticos e mantendo reduzidos os fluxos dos dois países.

Demanda pelo trigo dos Estados Unidos permanece fraca

A demanda externa pelo trigo norte-americano segue sem força suficiente para sustentar uma recuperação consistente das cotações. Dados acompanhados pela TF Agroeconômica apontaram vendas semanais de 267,6 mil toneladas entre 11 e 17 de setembro, recuo de 18%.

No acumulado, o volume chegou a 9,37 milhões de toneladas, 31,3% abaixo do resultado registrado no mesmo período de 2025.

O USDA manteve a produção dos Estados Unidos em 41,7 milhões de toneladas para 2026/27. O volume representa queda de 22,8% diante dos 54 milhões de toneladas colhidos na temporada anterior.

Os estoques finais norte-americanos foram projetados em 19,5 milhões de toneladas, retração de 22% em relação aos 25 milhões de toneladas do ciclo passado.

Rússia e Ucrânia ainda enfrentam restrições

As exportações russas e ucranianas continuam reduzidas, apesar das expectativas de uma solução diplomática para o conflito.

A Ucrânia enfrenta crescimento dos estoques e menor disponibilidade de armazenagem antes da entrada da safra de milho. Ataques e dificuldades operacionais na região do Mar Negro ainda limitam uma normalização efetiva dos embarques.

Na Argentina, por outro lado, 94,6% das lavouras de trigo apresentam condições consideradas normais ou excelentes. A produção do país está estimada em 21 milhões de toneladas, tornando a origem argentina estratégica para o abastecimento brasileiro.

Brasil pode importar até 8 milhões de toneladas

A redução da safra nacional e os problemas de qualidade devem levar o Brasil a ampliar as compras externas no ano comercial 2026/27.

As importações são estimadas entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas, com a Argentina como principal fornecedora. Entretanto, perdas produtivas em outras regiões poderão aumentar a concorrência internacional pelo trigo argentino e influenciar os custos de aquisição dos moinhos brasileiros.

O volume efetivamente importado dependerá não apenas do tamanho da safra doméstica, mas também da quantidade de trigo nacional capaz de atender aos padrões da indústria.

Qualidade será decisiva para a remuneração do produtor

Em um cenário de menor oferta de trigo Tipo 1, os lotes que preservarem PH, força de glúten, Falling Number e demais características exigidas pelos moinhos poderão alcançar valorização relativa.

Já o trigo de classificação inferior tende a ficar mais exposto a descontos, mesmo diante da redução da produção nacional.

Para a indústria, o desafio será determinar quanto do cereal brasileiro poderá ser utilizado na fabricação de farinha e qual volume precisará ser substituído por produto importado.

Assim, produzir trigo em 2026 não será suficiente para garantir melhor remuneração. A qualidade entregue aos moinhos deverá definir quais produtores conseguirão aproveitar a firmeza do mercado doméstico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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