Preço do trigo sobe no Sul, mas baixa qualidade da nova safra preocupa moinhos
Negócios chegam a R$ 1.600 por tonelada no Paraná, enquanto chuvas, brusone e giberela comprometem peso hectolítrico e qualidade industrial do cereal
Publicado em: 24/09/2026 às 11:12hs
O mercado de trigo no Sul do Brasil opera com preços firmes, maior movimentação em algumas regiões e crescente preocupação com a qualidade da nova safra. Chuvas persistentes e doenças fúngicas vêm afetando os primeiros lotes colhidos, enquanto produtores com cereal de melhor padrão mantêm pedidas elevadas.
Segundo a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul apresentou maior fluidez nas negociações, Santa Catarina permaneceu com os moinhos abastecidos e o Paraná registrou valores de até R$ 1.600 por tonelada. Apesar do avanço pontual dos negócios, as diferenças entre os preços pedidos e as indicações dos compradores ainda limitam a liquidez.
Trigo velho ganha espaço no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os moinhos aumentaram a procura por lotes remanescentes da safra anterior, cuja qualidade já está conhecida e garantida.
Foram registrados negócios a R$ 1.500 por tonelada no interior do estado. Com a maior movimentação, vendedores elevaram as pedidas para uma faixa entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada.
A valorização também chegou ao mercado de balcão. Em Panambi, o preço pago ao produtor avançou R$ 1 por saca e atingiu R$ 72.
Doenças afetam primeiros lotes da safra gaúcha
A colheita do trigo começa no Rio Grande do Sul com relatos de grãos afetados por giberela e outras doenças fúngicas. O peso hectolítrico (PH) dos primeiros lotes varia entre 70 e 76, indicando diferenças relevantes de qualidade.
Para o trigo considerado de melhor padrão, compradores sinalizam valores entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no interior.
O cenário mantém os agentes atentos à evolução da colheita. Caso os problemas de qualidade se confirmem em uma parcela maior da produção, a disponibilidade de trigo apto à moagem poderá ficar mais restrita.
Moinhos de Santa Catarina estão abastecidos
Em Santa Catarina, os moinhos seguem recebendo e embarcando volumes adquiridos anteriormente. A posição confortável dos compradores reduz a necessidade imediata de novas aquisições.
Houve negócios pontuais a R$ 1.520 por tonelada FOB. Do lado vendedor, porém, o interesse em negociar permanece limitado diante da expectativa de valorização associada aos impactos das chuvas sobre a safra regional.
Ainda não há oferta relevante de trigo novo no estado. No mercado de balcão, as cotações permaneceram estáveis, variando de R$ 66,83 por saca em Joaçaba a R$ 78 em Xanxerê e Chapecó.
Trigo de qualidade chega a R$ 1.600 no Paraná
No Paraná, produtores que possuem trigo de melhor qualidade mantêm preços elevados. Foram relatados negócios a R$ 1.600 por tonelada FOB no Norte do estado e a R$ 1.580 em Tibagi.
Os compradores, por sua vez, indicam valores entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada, conforme a qualidade do cereal e o prazo de entrega. Essa diferença entre compradores e vendedores mantém as negociações seletivas.
Moinhos das regiões Norte e Oeste relatam recebimento de trigo com PH de até 72 ou 73 e falling number de até 200 segundos. Os resultados refletem danos causados por brusone, giberela e excesso de chuva.
Qualidade passa a definir os preços do trigo
As diferenças entre os lotes colocam os parâmetros industriais no centro das negociações. Peso hectolítrico, falling number, presença de grãos danificados e contaminação por doenças passam a ter influência direta sobre o preço e a destinação do cereal.
Nesse ambiente, lotes de qualidade superior tendem a receber maior valorização, enquanto o trigo com menor padrão pode enfrentar descontos ou ser direcionado para outros usos.
O mercado também acompanha a competitividade do produto importado. O trigo paraguaio está cotado entre US$ 313 e US$ 315 por tonelada CIF moinho, enquanto o cereal argentino chega a US$ 310 por tonelada em Paranaguá.
Com os moinhos abastecidos em algumas regiões e a nova safra apresentando qualidade irregular, o ritmo das ofertas e o padrão do trigo colhido deverão orientar as negociações nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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