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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo sobe no Sul com oferta restrita e problemas de qualidade na nova safra

Moinhos buscam cereal de melhor padrão, enquanto giberela, brusone, baixo PH e excesso de chuvas aumentam a resistência dos vendedores e ampliam a diferença entre preços


Publicado em: 25/09/2026 às 11:10hs

Preço do trigo sobe no Sul com oferta restrita e problemas de qualidade na nova safra

O mercado de trigo no Sul do Brasil ganhou movimentação, com preços mais firmes e maior disputa pelos lotes de qualidade. Segundo a TF Agroeconômica, a oferta restrita, os efeitos das chuvas e os primeiros problemas identificados na nova safra sustentam as pedidas dos vendedores.

No Rio Grande do Sul, negócios realizados a R$ 1.500 por tonelada no interior estimularam produtores a elevar as referências para uma faixa entre R$ 1.550 e R$ 1.600. Em Santa Catarina, os moinhos permanecem abastecidos, enquanto o Paraná registra renegociações de contratos após a entrega de trigo abaixo do padrão esperado.

A qualidade tornou-se um dos principais fatores de formação dos preços. Relatos de baixo peso hectolítrico (PH), redução do falling number e ocorrência de doenças fúngicas aumentam a diferenciação entre os lotes disponíveis.

Preço do trigo avança no Rio Grande do Sul

O mercado gaúcho apresentou maior fluidez, puxado pela procura dos moinhos por trigo da safra anterior com qualidade conhecida. Após negociações próximas de R$ 1.500 por tonelada no interior, produtores elevaram as pedidas para R$ 1.550 a R$ 1.600.

Para os lotes enquadrados nos padrões buscados pela indústria, compradores indicam valores entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no interior, conforme as condições da negociação.

Em Panambi, a cotação de balcão avançou R$ 1 por saca e chegou a R$ 72.

A colheita da nova safra começa sob atenção. Os primeiros lotes apresentam PH entre 70 e 76, além de registros de giberela e outras doenças fúngicas. Esse cenário reforça o interesse dos moinhos pelo trigo velho de qualidade comprovada.

Moinhos de Santa Catarina estão abastecidos

Em Santa Catarina, as indústrias continuam recebendo volumes adquiridos anteriormente e demonstram pouca urgência para realizar novas compras.

Negócios pontuais foram registrados a R$ 1.520 por tonelada FOB. Os vendedores, no entanto, mostram resistência em comercializar, diante da expectativa de valorização associada aos impactos das chuvas sobre as lavouras.

Ainda não há oferta significativa de trigo da nova safra no estado. No mercado de balcão, os preços permanecem estáveis, entre R$ 66,83 e R$ 78 por saca nas praças acompanhadas.

Trigo abaixo do padrão provoca renegociações no Paraná

No Paraná, produtores que colheram trigo com qualidade inferior à prevista procuram os moinhos para renegociar contratos. As condições climáticas prejudicaram parte das lavouras e afetaram características importantes para a moagem.

Há relatos de negócios a R$ 1.600 por tonelada FOB no Norte do estado e a R$ 1.580 em Tibagi. Do lado comprador, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.500, dependendo dos prazos de entrega e pagamento.

Moinhos das regiões Norte e Oeste relatam lotes com PH de até 72 ou 73 e falling number de até 200. Brusone, giberela e excesso de chuvas estão entre os principais problemas apontados na safra.

Com a distância entre compradores e vendedores e as incertezas sobre a qualidade, a comercialização permanece seletiva.

Trigo paraguaio e argentino entram no radar dos moinhos

A oferta importada aparece como alternativa para complementar o abastecimento da indústria brasileira. O trigo do Paraguai é indicado entre US$ 313 e US$ 315 por tonelada CIF moinho, enquanto o produto argentino aparece a US$ 310 por tonelada em Paranaguá.

A competitividade dessas origens dependerá dos custos de internalização, do câmbio e, principalmente, da qualidade disponível no mercado doméstico.

No curto prazo, o avanço da colheita deverá ampliar a oferta no Sul. Entretanto, caso os problemas de PH, falling number e doenças fúngicas persistam, os lotes adequados à moagem poderão continuar valorizados, sustentando os preços do trigo de melhor padrão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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