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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo mantém viés de alta com oferta restrita no Sul e tensão no Mar Negro

Cotações avançam no Brasil diante da menor disponibilidade do cereal, enquanto riscos geopolíticos e climáticos sustentam Chicago; analistas recomendam vendas escalonadas e proteção de preços


Publicado em: 31/08/2026 às 12:00hs

Preço do trigo mantém viés de alta com oferta restrita no Sul e tensão no Mar Negro

O mercado de trigo inicia a semana sob movimento de correção após as fortes altas recentes, mas os fundamentos ainda indicam possibilidade de valorização. A oferta limitada no Sul do Brasil, as condições climáticas adversas nos Estados Unidos e o aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia mantêm compradores e vendedores atentos aos preços.

Segundo análise da TF Agroeconômica, possíveis dificuldades no escoamento de grãos pelo Mar Negro podem alterar os fluxos do comércio mundial. Caso os problemas logísticos se intensifiquem, importadores da Europa, do Norte da África e do Oriente Médio poderão ampliar as compras em fornecedores alternativos, como Canadá, Argentina, Austrália e Estados Unidos.

No mercado brasileiro, a menor disponibilidade de trigo e a resistência dos produtores em negociar sustentam as cotações. Apesar do viés positivo, o avanço acumulado aumenta a possibilidade de ajustes no curto prazo, tornando a gestão de risco ainda mais importante para agricultores, cooperativas, cerealistas e moinhos.

Preço do trigo sobe no Paraná e no Rio Grande do Sul

Os preços do trigo registraram valorização nas duas principais regiões produtoras do país. No Paraná, a alta diária foi de 0,22%, elevando o avanço acumulado no mês para 3,32%, conforme indicadores do Cepea.

No Rio Grande do Sul, a cotação aumentou 0,13% no dia e acumula valorização mensal de 1,93%.

O movimento ocorre mesmo diante da cautela dos compradores, que enfrentam dificuldade para fechar negócios nos valores solicitados pelos vendedores. A oferta restrita e a expectativa de preços melhores mantêm parte dos produtores afastada das negociações.

Mercado gaúcho enfrenta diferença entre compradores e vendedores

No Rio Grande do Sul, as ofertas de compra variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB. Os vendedores, por outro lado, pedem entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada.

Essa diferença limita a liquidez e mantém as negociações pontuais. Os moinhos gaúchos estariam abastecidos para setembro e parte de outubro, mas ainda precisariam adquirir volumes de segurança antes da entrada da nova safra.

No mercado de exportação, a indicação de R$ 1.270 por tonelada para dezembro, com entrega no porto, não desperta interesse dos vendedores. O trigo argentino, por sua vez, chega a Canoas por aproximadamente R$ 1.586 por tonelada, estabelecendo uma referência importante para o custo de reposição.

Os negócios com a próxima safra também avançam lentamente. Cerca de 60 mil toneladas teriam sido negociadas até o momento, com os produtores evitando comprometer antecipadamente uma parcela maior da produção diante dos riscos climáticos.

Em Panambi, o preço de balcão subiu para R$ 70 por saca.

Trigo sobe até R$ 3 por saca em Santa Catarina

Em Santa Catarina, algumas regiões registraram aumento de R$ 2 a R$ 3 por saca paga ao produtor. Apesar da valorização, o ritmo das negociações permanece lento.

O trigo destinado à produção de pão varia entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Lotes com características branqueadoras chegaram a R$ 1.500 por tonelada FOB.

A baixa disponibilidade e a postura cautelosa dos agentes continuam dificultando a formação de um fluxo mais intenso de negócios no estado.

Moinhos ampliam procura por trigo no Paraná

No Paraná, a aproximação do fim do mês estimulou a demanda dos moinhos por matéria-prima. A safra velha é negociada ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF moinho, mas as ofertas são limitadas.

Para a nova safra, as indicações começam em aproximadamente R$ 1.450 por tonelada FOB.

Diante dos riscos relacionados ao clima e à entrega do produto físico, a TF Agroeconômica recomenda cautela nas vendas antecipadas. Uma alternativa seria avaliar operações em Bolsa para fixar preços sem comprometer imediatamente o cereal.

Tensão entre Rússia e Ucrânia sustenta mercado internacional

O aumento das tensões na região do Mar Negro segue como um dos principais fatores de suporte às cotações internacionais do trigo. Rússia e Ucrânia ocupam posições relevantes no comércio mundial do cereal, e qualquer dificuldade em portos ou rotas de transporte pode reduzir a previsibilidade dos embarques.

O mercado também acompanha condições climáticas mais desafiadoras em áreas produtoras dos Estados Unidos e a maior disponibilidade financeira de compradores internacionais.

Na Argentina, as indicações FOB do trigo chegaram a US$ 245 por tonelada para janeiro e a US$ 250 para fevereiro e março nas regiões portuárias de UPR, Necochea e BBCA.

Com a inclusão das taxas de exportação e das despesas de colocação do produto a bordo, o custo de reposição FOB é estimado em aproximadamente US$ 280 por tonelada.

Produtor deve avaliar venda escalonada do trigo

Embora o cenário permaneça favorável aos preços, o mercado está tecnicamente mais esticado após as altas recentes. Isso aumenta o risco de realização de lucros e correções pontuais.

Para os produtores, a orientação da consultoria é negociar ou fixar apenas uma parcela da produção nos níveis atuais, mantendo outro volume disponível para aproveitar uma eventual continuidade da valorização.

A proteção da safra futura também pode ser avaliada por meio do contrato de dezembro de 2026 na Bolsa de Chicago. A TF destaca uma diferença entre o equivalente a R$ 89,86 por saca no porto e aproximadamente R$ 74,98 por saca no mercado interno, cenário que exige análise conjunta de prêmio, frete, câmbio e basis regional.

Cooperativas devem reforçar hedge das posições físicas

Para as cooperativas, a estratégia indicada envolve vendas escalonadas e reforço do hedge sobre as posições físicas. O objetivo é transformar a valorização observada em Chicago em margem efetivamente realizada no mercado brasileiro.

Os cerealistas também devem combinar a manutenção de estoques com instrumentos de proteção na CBOT. Novas compras precisam considerar se a margem de carregamento compensa os riscos relacionados ao dólar, frete, prêmios, custo financeiro e diferenças regionais de preço.

Moinhos precisam proteger custo de reposição

Para a indústria moageira, a principal recomendação é proteger o custo de reposição. As compras podem ser realizadas de forma gradual, cobrindo as necessidades imediatas e antecipando uma parcela da demanda futura.

A estratégia reduz o risco de depender de uma queda mais intensa em Chicago para recompor os estoques.

O mercado de trigo segue sustentado pela oferta restrita no Brasil e pelas incertezas logísticas no Mar Negro. Entretanto, depois do avanço recente, tentar identificar o ponto máximo ou mínimo dos preços se torna uma estratégia mais arriscada. Nesse contexto, escalonar compras e vendas e utilizar mecanismos de proteção ganha importância para preservar margens diante da volatilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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