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Arroz

Preço do arroz sobe ao maior nível em 11 meses no Brasil enquanto safra dos EUA começa com mercado firme

Oferta restrita no Rio Grande do Sul, produtores retraídos, demanda aquecida e fundamentos internacionais fortalecem a valorização do arroz e sustentam perspectivas positivas para o mercado.


Publicado em: 05/08/2026 às 11:25hs

Preço do arroz sobe ao maior nível em 11 meses no Brasil enquanto safra dos EUA começa com mercado firme

O mercado de arroz vive um momento de recuperação dos preços tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Enquanto o arroz em casca negociado no Rio Grande do Sul alcançou, em julho, a maior média mensal dos últimos 11 meses, a colheita da safra 2026 nos Estados Unidos começou sem provocar a tradicional pressão baixista sobre as cotações, reforçando a percepção de um mercado global mais equilibrado.

A combinação entre oferta limitada, demanda aquecida e expectativas de redução dos estoques mundiais tem sustentado os preços e alimentado a expectativa de novas valorizações durante o período de entressafra.

Arroz em casca atinge maior média em quase um ano

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o preço médio do arroz em casca no Rio Grande do Sul registrou, em julho, o maior patamar desde agosto do ano passado.

Segundo os pesquisadores, a principal explicação está na oferta reduzida do cereal, que tem obrigado as indústrias beneficiadoras a reajustarem sucessivamente suas ofertas de compra para garantir matéria-prima. Mesmo com valores mais elevados, o volume negociado permaneceu limitado pela baixa disponibilidade do produto.

Produtores seguram vendas à espera de preços melhores

Outro fator determinante para a alta das cotações é o comportamento dos produtores, que seguem retraídos nas negociações.

De acordo com o Cepea, muitos agricultores avaliam que os preços atuais ainda não compensam plenamente os custos de produção e preferem adiar as vendas, apostando em uma valorização adicional ao longo da entressafra.

A disputa entre indústrias de diferentes estados brasileiros também aumentou a concorrência pela matéria-prima, fortalecendo ainda mais os preços do arroz.

Compras públicas aumentam expectativa de valorização

O mercado também acompanha com atenção o anúncio do governo federal sobre futuras aquisições públicas de arroz e milho.

Embora o edital e as regras para operacionalização das compras ainda não tenham sido divulgados até o encerramento de julho, a expectativa de entrada do governo como comprador estimulou parte dos produtores a reter ainda mais a produção, reduzindo a oferta disponível no mercado físico.

Essa postura contribuiu para ampliar o desequilíbrio entre oferta e demanda, sustentando novas altas nas negociações.

Safra dos Estados Unidos começa sem pressionar preços

No mercado internacional, a colheita da safra 2026 teve início no sul da Louisiana, principal região produtora dos Estados Unidos, mas o comportamento das cotações surpreendeu analistas.

Tradicionalmente, o avanço da colheita aumenta a oferta e exerce pressão sobre os preços. Desta vez, porém, o cenário é diferente.

Segundo análise do especialista em mercado de arroz Sergio Cardoso, a entrada da nova produção ocorre em um ambiente de demanda internacional ativa, o que tem impedido recuos expressivos nas cotações.

A própria USA Rice Federation confirmou novas vendas externas de arroz norte-americano logo no início da colheita, indicando que os compradores continuam ativos no mercado internacional.

Bolsa de Chicago reflete fundamentos equilibrados

Os contratos futuros de Rough Rice negociados na Bolsa de Chicago encerraram próximos de US$ 14,19 por hundredweight (cwt), registrando leve alta diária.

A estabilidade das cotações durante o início da colheita reforça a percepção de que o mercado não enxerga, neste momento, risco de excesso de oferta capaz de pressionar significativamente os preços.

Esse comportamento também encontra respaldo nas projeções mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicam redução tanto da produção quanto dos estoques finais mundiais na temporada 2026/27.

Mercado internacional favorece exportadores do Mercosul

Para os países do Mercosul, incluindo o Brasil, a manutenção dos preços internacionais em níveis elevados representa um fator positivo para a competitividade das exportações.

Como os Estados Unidos figuram entre os principais fornecedores globais de arroz, a ausência de uma queda expressiva nas cotações reduz a pressão competitiva sobre outros exportadores e contribui para um ambiente internacional mais favorável aos embarques sul-americanos.

Perspectivas para o mercado de arroz

Os fundamentos atuais indicam que o mercado deve permanecer sustentado no curto prazo. No Brasil, a combinação entre oferta limitada, produtores capitalizados e expectativa de compras públicas tende a manter os preços firmes durante a entressafra.

No exterior, a redução projetada dos estoques globais, aliada à demanda consistente e ao comportamento resiliente dos preços nos Estados Unidos, reforça um cenário de maior equilíbrio entre oferta e consumo.

Se esse ambiente permanecer nos próximos meses, o setor poderá registrar novas oportunidades para produtores, indústrias e exportadores, consolidando um ciclo de recuperação das cotações após um longo período de maior volatilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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