Exportações de arroz perdem ritmo em julho, mas sustentam equilíbrio do mercado brasileiro
Com menor pressão de oferta interna e comercialização mais cautelosa dos produtores, preços do arroz avançam no Brasil enquanto comércio exterior segue estratégico para reduzir excedentes e ajustar o mercado.
Publicado em: 07/08/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de arroz segue em processo de recuperação, com os preços sustentados pela menor disponibilidade de produto e pela estratégia mais cadenciada de comercialização adotada pelos produtores. Apesar da desaceleração da balança comercial em julho, as exportações continuam exercendo papel fundamental para o equilíbrio dos estoques internos e para a recomposição das cotações.
Segundo análise da Safras & Mercado, a redução da oferta disponível diminuiu a pressão vendedora observada durante a safra, fortalecendo o poder de negociação dos produtores.
“O fluxo comercial evolui lentamente, mas a redução da pressão de venda fortalece o poder de negociação dos produtores”, destaca o analista Evandro Oliveira.
Mercado de arroz deixa cenário de excesso de oferta
O comportamento atual indica uma transição no mercado, que gradualmente deixa para trás o ambiente de maior disponibilidade registrado durante a colheita e passa a responder aos fundamentos de oferta e demanda.
Com uma postura mais estratégica por parte dos vendedores, compradores encontram maior dificuldade para adquirir matéria-prima, especialmente em algumas regiões produtoras.
De acordo com Oliveira, esse movimento demonstra que o mercado começa a ser influenciado pela disponibilidade física do produto, reduzindo os efeitos do excesso de oferta observado anteriormente.
Exportações seguem estratégicas, mas julho registra déficit comercial
Os dados consolidados do comércio exterior em julho mostram um cenário de maior equilíbrio entre exportações e importações de arroz.
No mês, o Brasil exportou 132,66 mil toneladas em equivalente casca, sendo:
- 79,09 mil toneladas de arroz em casca;
- 36,44 mil toneladas de arroz beneficiado.
No mesmo período, as importações alcançaram 182,80 mil toneladas em equivalente casca, com destaque para:
- 119,71 mil toneladas de arroz beneficiado;
- 6,83 mil toneladas de arroz em casca.
Com esse resultado, a balança comercial apresentou déficit mensal de 50,14 mil toneladas.
Apesar da perda de ritmo no curto prazo, o comércio exterior continua sendo considerado um dos principais instrumentos para o ajuste do mercado interno.
Brasil ainda mantém saldo positivo na temporada
Considerando o acumulado da temporada 2026/27, entre março e julho, o Brasil mantém um pequeno superávit comercial.
No período, foram exportadas 803,33 mil toneladas, contra 800,35 mil toneladas importadas, resultando em saldo positivo de 2,98 mil toneladas.
O resultado, porém, representa uma redução em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior, quando o superávit alcançou 12,45 mil toneladas.
Para a Safras & Mercado, a continuidade de embarques consistentes será determinante para reduzir excedentes internos e consolidar o processo de recuperação dos preços.
Preço do arroz sobe no Rio Grande do Sul
A menor disponibilidade de produto já se reflete nas cotações internas.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando arroz com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira (6) cotado a R$ 72,22, alta de 2,89% na comparação semanal.
Em relação ao mesmo período do mês anterior, a valorização chega a 18,89%, enquanto na comparação anual o avanço acumulado é de 3,33%.
O movimento confirma uma recuperação gradual dos preços após um período marcado por maior pressão de oferta durante a entrada da nova safra.
Perspectivas para o mercado de arroz
O setor acompanha a evolução das exportações, o comportamento dos estoques internos e a estratégia de venda dos produtores como fatores determinantes para os próximos meses.
Com menor disponibilidade imediata e maior equilíbrio entre oferta e demanda, o mercado brasileiro tende a seguir em trajetória de ajuste, com possibilidade de sustentação das cotações caso o ritmo de embarques permaneça consistente.
Para produtores e agentes da cadeia, a retomada das vendas externas continua sendo peça-chave para fortalecer os preços e evitar novos desequilíbrios no mercado nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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