Publicado em: 27/02/2026 às 10:45hs
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas movimenta o município de Capão do Leão (RS), reunindo mais de 50 empresas do setor e apresentando avanços em manejo, rotação de culturas e novas cultivares voltadas ao sistema produtivo arrozeiro. O evento consolida-se como uma vitrine tecnológica para o campo, promovendo práticas que visam aumentar a eficiência e a rentabilidade das lavouras de arroz no estado.
Um dos destaques da programação é o Projeto Sistema Arroz RS 14, desenvolvido pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A iniciativa busca elevar a produtividade nas áreas de terras baixas por meio de ajustes de manejo, rotação de culturas e uso de genéticas adaptadas às condições locais.
De acordo com Luiz Fernando Siqueira, gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Irga, a meta é atingir até 14 toneladas por hectare, superando a média estadual da última safra, que foi de 9,044 toneladas por hectare.
“Existe um potencial técnico de incremento superior a 5 toneladas por hectare, desde que sejam aplicadas boas práticas de manejo e rotação com soja, milho e forrageiras”, explica Siqueira.
Atualmente, 65% da área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul utiliza genética desenvolvida pelo Irga. Segundo o dirigente, o desenvolvimento de uma nova cultivar leva de 10 a 12 anos, desde o melhoramento até a validação agronômica. O projeto propõe uma estratégia de cultivo contínuo, com arroz, soja e milho no verão e pastagens ou culturas de inverno em diferentes regiões, garantindo geração de renda ao longo de todo o ano.
A Embrapa participa do evento com vitrines que apresentam novas cultivares de grãos longos e finos, além de materiais voltados a nichos de mercado específicos. Entre os lançamentos está a BRS AS 707, cultivar de grãos pretos consumidos sem polimento, que amplia a diversidade de produtos disponíveis ao consumidor.
O pesquisador Elbio Cardoso, da Embrapa, ressalta que os novos materiais contribuem para a diversificação comercial do setor.
“Trabalhamos com variedades que atendem segmentos específicos da indústria e do consumidor, oferecendo opções que vão além do arroz branco tradicional”, afirma Cardoso.
As vitrines tecnológicas também apresentam soluções integradas de manejo para áreas de terras baixas, demonstrando alternativas viáveis de condução da lavoura e integração de culturas.
Segundo André Matos, diretor técnico da Federarroz, as vitrines têm o propósito de aproximar as soluções tecnológicas das realidades das propriedades rurais, facilitando a tomada de decisão dos produtores.
“Nosso objetivo é apresentar, em um único espaço, alternativas que ajudem o produtor a tomar decisões mais assertivas dentro do sistema produtivo”, destaca Matos.
Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, a 36ª edição da Abertura Oficial da Colheita do Arroz reforça o papel do evento como fórum de integração entre pesquisa, tecnologia e produção.
A iniciativa é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
O evento reafirma o compromisso do setor em buscar inovação, sustentabilidade e aumento da competitividade no cultivo de arroz e demais grãos em terras baixas no Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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