Arroz mantém preços entre R$ 80 e R$ 82 no RS; dólar melhora condição de exportação
Retração dos vendedores sustenta cotações, mas baixa liquidez limita novas altas; embarques, custos de produção e chuvas no plantio da safra 2026/27 concentram as atenções.
Publicado em: 19/10/2026 às 19:00hs
O mercado brasileiro de arroz perdeu força na recuperação dos preços, mas ainda não apresenta uma reversão para uma trajetória de queda. A baixa liquidez, a resistência dos produtores em ampliar as vendas e as dificuldades da indústria para absorver novos reajustes mantêm as negociações em ritmo lento.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a valorização que levou o arroz em casca de menos de R$ 60 para mais de R$ 80 por saca entrou em acomodação. Nesse cenário, parte das referências permanece nominal, sem representar necessariamente negócios efetivados.
A recuperação do dólar no período analisado melhorou parcialmente a paridade exportadora. O movimento, entretanto, ainda precisa resultar em novos contratos e embarques para ampliar a sustentação do mercado.
Preço do arroz encontra resistência entre R$ 80 e R$ 82 por saca
Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, as referências permanecem entre R$ 80 e R$ 82 por saca de arroz em casca. No porto, as indicações se aproximam de R$ 90 por saca em determinadas operações.
Produtores com maior disponibilidade financeira evitam aumentar as ofertas, restringindo o volume acessível aos compradores. Outros vendedores negociam apenas o necessário para custear a implantação da safra 2026/27.
Essa postura ajuda a preservar as cotações, mesmo diante do ritmo reduzido dos negócios e das limitações da demanda.
Custos de produção reforçam cautela dos produtores
A resistência dos vendedores também está relacionada aos custos da atividade. Conforme levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), citado pelo analista, os gastos podem alcançar R$ 90 por saca no Rio Grande do Sul, dependendo das condições de produção.
Oliveira ressalta que esse valor não deve ser aplicado indistintamente a todas as propriedades. Ainda assim, a referência indica que preços entre R$ 80 e R$ 82 podem cobrir despesas operacionais sem assegurar a remuneração integral da atividade.
A diferença entre custos e receitas mantém o produtor atento às condições de venda, especialmente durante o financiamento da nova temporada.
Indústria enfrenta dificuldade para repassar preços
Do lado comprador, as indústrias precisam adquirir matéria-prima, mas encontram limites para aceitar os valores pedidos pelos produtores sem comprometer as margens do arroz beneficiado.
Segundo a avaliação da Safras & Mercado, o varejo ainda trabalha com estoques adquiridos anteriormente, enquanto a entrada de arroz importado já processado amplia a concorrência.
Nesse ambiente, predominam aquisições pontuais para reposição e compras de lotes considerados atrativos, reduzindo o espaço para uma valorização mais abrangente.
Exportações seguem decisivas para reduzir estoques brasileiros
O escoamento externo permanece importante para administrar os elevados estoques nacionais. A programação portuária de outubro, porém, perdeu intensidade e, no levantamento citado, restava um embarque de aproximadamente 35 mil toneladas de arroz em casca.
Dados parciais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), até a segunda semana do mês, indicavam exportações próximas de 58 mil toneladas e importações de 49,4 mil toneladas, em base casca.
O saldo informado era positivo em aproximadamente 8,7 mil toneladas. Os volumes são arredondados e mostram uma diferença ainda limitada entre entradas e saídas do produto.
Recuperação do dólar melhora paridade exportadora
No período analisado, o dólar acumulou três sessões consecutivas de valorização, recuperando parte da competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional.
Em Chicago, os contratos permaneciam praticamente estáveis e em patamares elevados. O vencimento mais próximo estava ao redor de US$ 17,25 por quintal curto, enquanto março de 2027 era indicado a US$ 18,03.
Essa combinação amplia a capacidade potencial de pagamento das exportadoras. Para produzir efeitos mais consistentes no mercado físico, contudo, precisa se transformar em contratação, compra de matéria-prima e novos embarques, avalia Oliveira.
Consumo mundial supera produção, mas estoques afastam escassez
No cenário internacional, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citados na análise apontam produção de 533,08 milhões de toneladas de arroz beneficiado, diante de consumo estimado em 538,80 milhões de toneladas.
A diferença de 5,72 milhões de toneladas deverá ser atendida pelos estoques.
As reservas finais projetadas em 198,50 milhões de toneladas afastam um quadro de escassez generalizada. Entretanto, sua concentração na China e na Índia exige cautela na interpretação, porque o volume armazenado globalmente não corresponde, necessariamente, à quantidade disponível para exportação.
Plantio do arroz avança no RS, com diferenças entre regiões
A semeadura no Rio Grande do Sul supera 37% da área prevista, mas apresenta forte desigualdade regional.
Na Fronteira Oeste, o plantio se aproxima de 70%, enquanto a Zona Sul registra cerca de 62%. Nas demais regiões, o avanço varia entre 10% e 18%.
Chuvas excessivas, encharcamento do solo, inundações e períodos mais curtos para o trabalho no campo continuam dificultando as operações nas Planícies e na Região Central.
O analista ressalta que a área semeada ainda depende de boas condições para o estabelecimento das lavouras. Emergência das plantas, uniformidade, temperatura, luminosidade e tecnologia empregada serão determinantes para a produtividade.
O que pode influenciar os preços do arroz nos próximos dias
A perspectiva de curto prazo indicada pela Safras & Mercado é de estabilidade, com as referências entre R$ 80 e R$ 82 por saca sustentadas pela oferta restrita dos produtores.
Uma nova rodada de altas dependerá da combinação entre câmbio favorável, manutenção das cotações internacionais, melhora dos embarques e maior aquecimento do consumo doméstico.
Em contrapartida, a falta de novos contratos de exportação, importações elevadas, maior necessidade de caixa dos produtores e evolução satisfatória da safra poderão ampliar a disponibilidade de arroz e limitar os reajustes.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias