Safra de algodão deve atingir 4,41 milhões de toneladas mesmo com queda de 6,3% na área plantada
Produtividade recorde em Mato Grosso e na Bahia compensa redução do cultivo, enquanto clima, irrigação e tecnologia fortalecem a produção brasileira de algodão em 2025/26
Publicado em: 09/09/2026 às 19:20hs
A produção brasileira de algodão em pluma deverá alcançar 4,41 milhões de toneladas na safra 2025/26, mesmo com a redução da área plantada no país. A estimativa faz parte do diagnóstico da Etapa Algodão do Rally da Safra, realizado pela Agroconsult com base em visitas técnicas, informações coletadas diretamente nas propriedades e mapeamento por satélite.
O levantamento aponta que o cultivo ocupou aproximadamente 2,07 milhões de hectares, retração de 6,3% em relação à temporada 2024/25. A diminuição foi concentrada principalmente em Mato Grosso, onde produtores reduziram o plantio de algodão diante das condições econômicas e da maior atratividade do milho como opção de segunda safra.
Apesar do recuo da área, as condições climáticas, os investimentos em tecnologia e o manejo das lavouras elevaram a produtividade acima das expectativas. Mato Grosso e Bahia, os dois principais estados produtores acompanhados pela expedição, devem registrar rendimentos recordes.
Produção de algodão ainda pode aumentar
A estimativa nacional de 4,41 milhões de toneladas poderá receber um acréscimo de 90 mil a 100 mil toneladas, dependendo do rendimento da pluma durante o beneficiamento.
Até 3 de setembro, somente 35% da produção havia sido beneficiada. Como aproximadamente dois terços da safra ainda precisavam passar por esse processo, os números finais de produção e rendimento continuavam sujeitos a ajustes.
Segundo Heloisa Melo, sócia-diretora da Agroconsult e coordenadora da Etapa Algodão, a temporada demonstra que a diminuição da área cultivada não resultará necessariamente em queda da produção.
A avaliação de campo identificou ganhos expressivos de produtividade, favorecidos pela combinação entre clima, tecnologia e manejo. A consolidação da estimativa, entretanto, depende do desempenho da pluma que ainda será beneficiada.
Bahia amplia produção de algodão em 23,2%
Na Bahia, o mapeamento por satélite identificou 425,7 mil hectares cultivados com algodão na safra 2025/26, crescimento de 0,2% na comparação com a temporada anterior.
Embora a área total tenha permanecido praticamente estável, houve uma mudança importante no perfil das lavouras. O cultivo de sequeiro diminuiu 7%, enquanto a área irrigada cresceu 12%. Com esse avanço, a irrigação passou a representar 44% da área de algodão do estado, ante 39% na safra anterior.
A produção baiana de algodão em pluma está estimada em aproximadamente 982 mil toneladas, aumento de 23,2%. A produtividade deverá alcançar 368 arrobas de algodão em caroço por hectare, resultado considerado recorde para o estado pela Agroconsult.
As condições climáticas tiveram papel decisivo no desempenho das lavouras. Curiosamente, as áreas de sequeiro implantadas até dezembro apresentaram resultados superiores aos das áreas irrigadas semeadas entre janeiro e fevereiro.
De maneira geral, as lavouras da Bahia superaram as expectativas iniciais tanto em produtividade quanto em qualidade da fibra.
Oeste da Bahia concentra avaliações do Rally da Safra
As equipes técnicas percorreram o Oeste baiano entre 27 de julho e 1º de agosto, com visitas a propriedades, grupos agrícolas e cooperativas nas regiões de Correntina, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e Barreiras.
As áreas avaliadas representaram 36,4% de todo o algodão cultivado no estado. A combinação das informações obtidas em campo com o mapeamento por satélite permitiu identificar diferenças entre lavouras irrigadas e de sequeiro, além dos efeitos do calendário de plantio e da distribuição das chuvas.
Mato Grosso reduz área de algodão em 9,4%
Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de algodão, a área plantada recuou 9,4%, para aproximadamente 1,42 milhão de hectares.
A redução esteve relacionada principalmente à decisão econômica dos produtores diante dos preços do algodão e da maior liquidez do milho no mercado. A retração foi observada em diferentes regiões, com maior intensidade no Vale do Araguaia e no Médio-Norte mato-grossense.
Mesmo com a menor área, a produtividade deverá atingir 337 arrobas de algodão em caroço por hectare, acima do resultado da temporada anterior e em nível recorde para o estado. A produção mato-grossense de pluma está estimada em aproximadamente 3 milhões de toneladas.
Chuvas favorecem produtividade em Mato Grosso
O plantio do algodão começou mais tarde em Mato Grosso, mas ganhou velocidade na segunda quinzena de janeiro. Posteriormente, as chuvas registradas em abril, maio e junho favoreceram o desenvolvimento das lavouras e contribuíram para a recuperação do potencial produtivo.
Duas equipes do Rally da Safra percorreram o Sudeste, o Médio-Norte e o Oeste do estado. Os roteiros incluíram municípios como Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde, Cuiabá, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio.
As visitas técnicas cobriram o equivalente a 59,2% da área estadual cultivada com algodão, ampliando a representatividade do diagnóstico.
Chuvas tardias afetam qualidade da fibra em áreas pontuais
Embora tenham favorecido a produtividade, as chuvas prolongadas também geraram efeitos negativos em algumas regiões. Em áreas específicas, o excesso de precipitações no fim do ciclo reduziu o brilho e a brancura da fibra.
A umidade prolongada também atrasou o ponto adequado de dessecação das plantas, aumentando a presença de impurezas durante o beneficiamento.
Como a maior parte da pluma ainda não havia sido processada até o início de setembro, a qualidade final e o rendimento industrial permanecem entre os principais pontos de atenção da safra brasileira de algodão.
Caruru avança entre os desafios do manejo
O caruru ganhou relevância entre os problemas identificados nas lavouras, especialmente no Oeste de Mato Grosso. A planta daninha pode causar perdas de produtividade, dificultar a colheita e elevar os custos de controle quando apresenta resistência aos herbicidas.
Também foram identificados sinais pontuais de ocorrência em outras regiões produtoras, incluindo áreas da Bahia.
Para a safra de algodão 2026/27, a expectativa é de maior adoção de variedades e tecnologias capazes de ampliar as opções de controle de plantas daninhas resistentes. O planejamento da sucessão entre soja e algodão também deverá receber atenção especial.
Algodão brasileiro amplia importância no mercado mundial
O crescimento da produção reforça o protagonismo do Brasil no mercado internacional de algodão. Na safra 2025/26, Mato Grosso alcança volume que o posiciona como o terceiro maior produtor mundial quando comparado individualmente aos principais países produtores, superando os Estados Unidos.
A Bahia, por sua vez, volta a registrar produção superior à da Austrália, situação observada anteriormente na temporada 2019/20, quando o país enfrentou uma forte quebra de safra.
Esse avanço ocorre em um momento de restrições produtivas em importantes origens internacionais. Para o cotonicultor brasileiro, produtividade, qualidade da fibra e eficiência logística serão fatores decisivos para ampliar a competitividade e conquistar espaço em um mercado global disputado.
Satélites e avaliações de campo refinam estimativas
A segunda edição da Etapa Algodão do Rally da Safra utilizou uma metodologia que combinou análises qualitativas e quantitativas. O mapeamento por satélite permitiu dimensionar a área cultivada, enquanto as visitas às propriedades ofereceram informações sobre clima, manejo, tecnologia, irrigação e decisões econômicas.
A integração dos dados produz um retrato mais detalhado das transformações na cotonicultura brasileira. Com a continuidade do beneficiamento, as estimativas de produção e rendimento de pluma da safra 2025/26 ainda poderão ser revisadas.
Realizado há 23 anos, o Rally da Safra acumula aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros percorridos e 35 mil lavouras de soja e milho avaliadas. A Etapa Algodão amplia esse acompanhamento para uma cultura que ocupa uma posição cada vez mais estratégica nas exportações do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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