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Algodão

Algodão sustentável do Brasil ganha força na União Europeia com apoio da Abrapa em debate sobre novas regras ambientais

Abrapa defende critérios científicos para reconhecer fibras naturais sustentáveis nas futuras normas de Ecodesign da União Europeia e fortalecer a competitividade do algodão brasileiro no mercado global


Publicado em: 17/07/2026 às 10:35hs

Algodão sustentável do Brasil ganha força na União Europeia com apoio da Abrapa em debate sobre novas regras ambientais

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) intensificou sua atuação internacional ao apoiar oficialmente a iniciativa da coalizão Make the Label Count (MTLC), que pede à Comissão Europeia o reconhecimento dos materiais renováveis de origem sustentável (SSRMs) nas futuras regras de Ecodesign para a indústria têxtil.

A medida é considerada estratégica para garantir que o algodão sustentável brasileiro seja avaliado de forma justa diante das novas exigências ambientais que estão sendo formuladas pela União Europeia e que deverão influenciar padrões regulatórios em diversos mercados internacionais.

Critérios científicos para avaliar a sustentabilidade

Em carta pública enviada à comissária europeia para Meio Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, a coalizão defende que as futuras regulamentações utilizem metodologias baseadas em evidências científicas, transparência e critérios comparáveis entre todos os materiais utilizados pela indústria têxtil.

Segundo o documento, a avaliação da sustentabilidade não deve considerar apenas indicadores como reciclabilidade ou métricas limitadas de ciclo de vida.

A proposta é ampliar a análise para incluir fatores essenciais como:

práticas agrícolas responsáveis;

  • conservação e saúde do solo;
  • uso eficiente dos recursos hídricos;
  • proteção da biodiversidade;
  • desenvolvimento das comunidades rurais;
  • impactos sociais, ambientais e econômicos ao longo de toda a cadeia produtiva.
Igualdade de critérios entre fibras naturais e sintéticas

Outro ponto defendido pela coalizão é que as exigências de transparência sejam aplicadas igualmente às fibras de origem fóssil e às fibras naturais.

A intenção é assegurar que todos os materiais sejam avaliados sob parâmetros equivalentes, considerando:

  • origem da matéria-prima;
  • processos de produção;
  • impactos ambientais;
  • desempenho durante todo o ciclo de vida do produto.

Para a MTLC, essa abordagem evita distorções regulatórias e promove concorrência equilibrada entre fibras naturais e sintéticas.

Algodão brasileiro busca reconhecimento internacional

De acordo com a gerente de Parcerias Internacionais da Abrapa, Lisa Ventura, a adoção de critérios científicos é fundamental para valorizar os avanços da cotonicultura brasileira.

Segundo ela, o algodão produzido no Brasil demonstra que é possível combinar elevada produtividade com práticas sustentáveis, sendo necessário que os novos marcos regulatórios internacionais reconheçam essas características.

A executiva destaca que a construção das futuras normas deve ocorrer com base em metodologias técnicas confiáveis, garantindo igualdade de tratamento para todos os materiais utilizados pela indústria têxtil.

União Europeia influencia regras globais

A Abrapa ressalta que o debate ultrapassa os interesses do mercado europeu.

As regulamentações desenvolvidas pela União Europeia costumam servir de referência para legislações, certificações ambientais e exigências comerciais em diversos países, impactando diretamente as exportações brasileiras.

Por isso, a entidade considera estratégica a participação ativa do Brasil nas discussões que definirão os critérios de sustentabilidade aplicados ao setor têxtil mundial.

Abrapa reforça defesa do algodão sustentável

Para o diretor executivo da Abrapa, Márcio Portocarrero, acompanhar a construção dessas normas é essencial para assegurar que o algodão produzido de forma sustentável receba reconhecimento adequado no comércio internacional.

Segundo ele, os novos regulamentos precisam ser fundamentados em critérios científicos, transparentes e comparáveis, valorizando os atributos ambientais das fibras naturais e garantindo condições justas de competição.

Coalizão reúne mais de 80 organizações

A Make the Label Count reúne mais de 80 organizações internacionais, entre produtores de fibras naturais, indústrias têxteis, fabricantes, marcas e entidades da sociedade civil.

O objetivo da coalizão é promover metodologias de avaliação da sustentabilidade que reflitam de forma equilibrada os impactos ambientais, sociais e econômicos dos diferentes materiais utilizados pela indústria da moda.

Com sua participação no grupo, a Abrapa fortalece a representação da cotonicultura brasileira em um dos principais debates regulatórios sobre sustentabilidade que deverão moldar o futuro da cadeia têxtil global.

Sustentabilidade será fator decisivo para a competitividade

O avanço das discussões na União Europeia reforça a crescente importância da sustentabilidade como requisito para acesso aos mercados internacionais.

Nesse cenário, o reconhecimento das boas práticas adotadas pelo algodão brasileiro poderá ampliar sua competitividade, fortalecer as exportações e consolidar o país como uma das principais referências mundiais na produção de fibras naturais sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

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