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Algodão

Algodão sobe 9,7% em Nova York com oferta global menor e melhora cenário no Brasil

Redução da produção mundial e dos estoques sustenta as cotações, enquanto produtores brasileiros avaliam sementes, clima e área da safra 2026/27


Publicado em: 28/09/2026 às 11:00hs

Algodão sobe 9,7% em Nova York com oferta global menor e melhora cenário no Brasil

O mercado global de algodão entrou em uma fase de oferta mais ajustada, sustentando os preços internacionais e melhorando as perspectivas para os produtores brasileiros. A avaliação é da Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentada durante o Congresso Brasileiro do Algão, em Belo Horizonte.

A combinação entre menor produção mundial, estoques em queda e demanda resiliente fortaleceu as cotações em Nova York. No Brasil, a valorização externa ajudou a amenizar a pressão sazonal provocada pelo avanço da colheita e manteve os preços da pluma mais firmes.

O novo cenário também começa a influenciar o planejamento da safra 2026/27, embora decisões sobre área cultivada ainda dependam da semeadura da soja e das condições climáticas dos próximos meses.

Preço do algodão avança em Nova York

Em agosto, o primeiro contrato do algodão negociado na Bolsa de Nova York registrou média de 85 centavos de dólar por libra-peso. O valor representa alta de 9,7% em relação à média observada em julho.

A valorização foi impulsionada principalmente pela piora das condições das lavouras nos Estados Unidos, maior exportador mundial da fibra. Incertezas envolvendo a produção da China e da Índia, outros dois importantes participantes do mercado, também reforçaram a sustentação dos preços.

A oferta global menor aumenta a sensibilidade das cotações a novas revisões de safra, problemas climáticos e mudanças no ritmo da demanda internacional.

USDA reduz projeção da produção mundial

A atualização de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçou a perspectiva de aperto na oferta ao reduzir a estimativa de produção mundial de algodão para a temporada 2026/27.

Com o consumo global mantendo trajetória de crescimento, os estoques finais foram novamente revisados para baixo e deverão ficar entre os menores dos últimos anos.

Segundo Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado volta a trabalhar com um balanço mais ajustado depois de temporadas marcadas por maior disponibilidade da fibra.

“A combinação de estoques menores e demanda resiliente tem dado sustentação aos preços e melhora a visibilidade para os produtores no planejamento do próximo ciclo”, afirma.

Algodão chega a R$ 3,94 por libra-peso em Mato Grosso

No mercado brasileiro, a alta internacional contribuiu para compensar a pressão exercida pelo avanço da colheita e pela maior disponibilidade sazonal da pluma.

Em Rondonópolis, uma das principais referências da comercialização nacional, o algodão foi negociado a uma média de R$ 3,94 por libra-peso em agosto. A cotação ficou 3,9% acima da registrada no mês anterior.

A demanda externa e o ritmo das exportações também ajudaram a sustentar o mercado doméstico. Como o Brasil ocupa posição relevante entre os fornecedores globais, o comportamento dos compradores internacionais permanece decisivo para a formação dos preços internos.

Produtores planejam safra de algodão 2026/27

Com o avanço do beneficiamento da produção atual, os cotonicultores começam a definir as sementes e as estratégias produtivas para a temporada 2026/27.

Os preços mais atrativos melhoram as expectativas para a cultura, mas a definição da área ainda envolve variáveis importantes. Em boa parte das regiões produtoras, o algodão é cultivado após a soja, o que torna o calendário e o desempenho da oleaginosa determinantes para a implantação da segunda safra.

As condições climáticas também estarão no centro das decisões. A distribuição das chuvas poderá influenciar o plantio da soja, a abertura da janela para o algodão e o potencial produtivo das lavouras.

Nesse ambiente, o balanço global mais apertado oferece sustentação ao mercado, mas o resultado econômico do produtor continuará condicionado à combinação entre preços, produtividade, custos e momento de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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