Algodão de Mato Grosso pode atingir produtividade recorde na safra 2025/26, aponta Imea
Mesmo com redução de mais de 11% na área cultivada, condições climáticas favoráveis devem garantir a maior produtividade da série histórica; milho avança e soja enfrenta cenário de cautela.
Publicado em: 05/08/2026 às 10:50hs
O Mato Grosso caminha para registrar a maior produtividade de algodão da história, mesmo diante da redução da área cultivada na safra 2025/26. A nova projeção foi divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu Relatório de Oferta e Demanda, indicando que o desempenho da cultura deverá alcançar um novo recorde graças às condições climáticas favoráveis observadas ao longo do ciclo produtivo.
De acordo com o levantamento, a produtividade média do algodão foi estimada em 315,33 arrobas por hectare, superando levemente o recorde da safra anterior, quando foram registradas 315,12 arrobas por hectare. O resultado representa o maior rendimento já projetado pelo instituto desde o início da série histórica.
Clima favorece lavouras e compensa dificuldades no plantio
Segundo o Imea, o bom comportamento climático foi determinante para o desenvolvimento das lavouras, reduzindo parte dos impactos enfrentados pelos produtores durante a implantação da safra.
Embora a área destinada ao cultivo tenha sido estimada em 1,38 milhão de hectares, uma retração de 11,11% frente ao ciclo anterior, o elevado potencial produtivo deve garantir uma das maiores safras de algodão já registradas em Mato Grosso.
Produção recua devido à menor área cultivada
Apesar da produtividade recorde, a redução da área plantada deverá limitar o volume total colhido.
O relatório projeta uma produção de 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,67 milhões de toneladas de pluma, volumes aproximadamente 11% inferiores aos registrados na safra passada.
A diminuição da área foi motivada, principalmente, pela redução do cultivo de algodão de primeira safra. Entre os fatores que influenciaram a decisão dos produtores estão os custos elevados de produção, margens mais apertadas e preços considerados pouco atrativos no momento do planejamento do plantio.
Chuvas podem afetar parte da qualidade da fibra
O Imea também mantém atenção à qualidade da pluma produzida no estado.
Segundo a análise, chuvas registradas em algumas regiões durante meados de junho, período de abertura dos capulhos, podem comprometer parte da qualidade da fibra. Ainda assim, a avaliação geral permanece positiva, sem impactos relevantes para o potencial da safra.
Exportações continuam como principal destino da produção
O mercado externo seguirá absorvendo a maior parte da produção mato-grossense.
A expectativa do Imea é que 76,3% da pluma produzida seja destinada às exportações, o equivalente a aproximadamente 2,09 milhões de toneladas.
Outro indicador que chama atenção é o elevado nível de comercialização antecipada. Mais de 97% dos estoques finais projetados já estão negociados, reduzindo significativamente a disponibilidade de fibra para novas operações ao longo da temporada.
Milho deve registrar crescimento de produção em Mato Grosso
O Relatório de Oferta e Demanda também revisou positivamente as estimativas para o milho de segunda safra.
A área cultivada foi elevada para 7,43 milhões de hectares, avanço de 2,41% em relação ao ciclo anterior.
Com produtividade média estimada em 128,67 sacas por hectare, a produção estadual foi revisada para 57,39 milhões de toneladas, representando crescimento de 3,53% na comparação anual.
Outro destaque é o fortalecimento da agroindústria mato-grossense. Impulsionado pela expansão das usinas de etanol de milho, o consumo interno do cereal deverá alcançar 22,10 milhões de toneladas, aumento de 9,12%, consolidando o avanço da industrialização do grão no estado.
Soja deve manter área estável, mas produção tende a recuar
Para a safra 2026/27, o Imea projeta estabilidade da área cultivada com soja, estimada em 13,05 milhões de hectares.
A manutenção da área reflete um cenário de maior cautela por parte dos produtores, diante de margens mais estreitas, custos elevados de produção, restrições no acesso ao crédito e incertezas relacionadas ao mercado.
Além dos fatores econômicos, o instituto considera os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, projetando produtividade média de 62,44 sacas por hectare, abaixo da registrada na temporada anterior.
Como consequência, a produção de soja em Mato Grosso está estimada em 48,88 milhões de toneladas, volume 5,19% inferior ao obtido na safra 2025/26.
Perspectivas para o agronegócio mato-grossense
As novas projeções do Imea mostram cenários distintos para as principais culturas do estado. Enquanto o algodão deverá atingir produtividade recorde e o milho amplia sua produção impulsionado pela demanda da indústria de etanol, a soja entra em um ciclo marcado por maior cautela dos produtores, pressionados por custos elevados, crédito mais restrito e riscos climáticos.
Mesmo diante desse cenário, Mato Grosso mantém sua posição como principal polo agrícola do Brasil, sustentando elevados volumes de produção e forte presença no mercado internacional de commodities.
Fonte: Portal do Agronegócio
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