Publicado em: 13/05/2026 às 11:15hs
O mercado do algodão vive um momento de forte movimentação no Brasil e no cenário internacional. Enquanto as exportações brasileiras avançam em ritmo acelerado e se aproximam de um novo recorde histórico, os preços internos seguem firmes, sustentados pela baixa oferta na entressafra e pela postura mais resistente dos vendedores. No exterior, o mercado futuro em Nova York registra ajustes após altas recentes, influenciado por fatores técnicos e pelos novos dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Mesmo com cerca de três meses restantes para o encerramento do ciclo de exportação da pluma colhida em 2025, o Brasil mantém um ritmo forte de embarques.
Em abril, o país exportou 370,4 mil toneladas de algodão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representa alta de 6,5% em relação a março/26 e expressivo avanço de 54,9% frente a abril/25.
O desempenho é considerado o maior já registrado para um mês de abril, ficando apenas 18% abaixo do recorde mensal histórico, alcançado em dezembro/25, quando foram embarcadas 452,5 mil toneladas.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o ritmo segue forte também no início de maio, reforçando a expectativa de que o Brasil se aproxime de um novo recorde anual de exportação da pluma.
No mercado doméstico, os preços da pluma continuam em trajetória de alta. Segundo o Cepea, vendedores permanecem firmes nas ofertas, sustentados por dois fatores principais: a valorização do mercado externo e a baixa disponibilidade de lotes no mercado spot, típica do período de entressafra.
Além disso, as cotações internacionais — especialmente as referências da pluma no Extremo Oriente e os contratos da ICE Futures — seguem influenciando positivamente o mercado interno brasileiro.
Esse conjunto de fatores mantém o ambiente de sustentação dos preços, mesmo diante de oscilações no cenário global.
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures), os contratos futuros do algodão encerraram a terça-feira em baixa. O movimento foi atribuído a correções técnicas após ganhos recentes, além da valorização do dólar frente a outras moedas.
O mercado também reagiu aos novos dados divulgados pelo USDA, que indicaram avanço no plantio da safra norte-americana.
Segundo o órgão, o plantio atingiu 29% da área prevista, acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado e ligeiramente superior à média de cinco anos (28%). Na semana anterior, o índice era de 21%, evidenciando aceleração dos trabalhos de campo.
No relatório mensal de oferta e demanda, o USDA projetou mudanças importantes para o mercado global:
No cenário global, o USDA estimou produção de 116,04 milhões de fardos em 2026/27, abaixo dos 122,64 milhões da safra anterior. O consumo mundial foi projetado em 121,69 milhões de fardos, enquanto os estoques finais devem recuar para 71,84 milhões.
Entre os principais países produtores, as projeções para 2026/27 são:
No fechamento do pregão, os contratos com vencimento em julho/2026 recuaram para 86,32 centavos de dólar por libra-peso, queda de 1,45 centavo (-1,6%). Já outubro/2026 encerrou a 87,03 centavos, baixa de 1,45 centavo (-1,5%).
O mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta global, ritmo de plantio nos Estados Unidos e demanda internacional, enquanto o Brasil mantém forte desempenho nas exportações e sustenta o cenário positivo para o setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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