Publicado em: 22/09/2015 às 19:10hs
As dificuldades econômicas têm exigido do setor agrícola um alto nível de profissionalização. De olho na demanda de um dos segmentos mais rentáveis do País, soluções para o agro viraram aposta das empresas de TI.
Foi no chamado Innovation Center da multinacional alemã SAP, localizado em São Leopoldo (RS), que nasceu o primeiro sistema da companhia criado especificamente para o agronegócio. "Ouvimos demandas do setor e, após três anos de desenvolvimento, o SAP ACM chegou ao mercado, em 2012", contam o gerente de desenvolvimento, Roberto Kuplich, e o arquiteto de soluções, Marcos Rahmeier, em entrevista ao DCI. "Para nós, a crise se torna uma oportunidade", acrescentam sobre o momento econômico do País.
O ACM consiste em um gerenciador de contratos que considera fatores como a regulamentação, legislação vigente, cotações das commodities em bolsa de valores e no mercado futuro. De acordo com os executivos, no momento em que um caminhão de soja entra na empresa, é possível prever todo o fluxo de caixa de pagamentos, por exemplo.
Bayer, Monsanto e Cargill são algumas das companhias agrícolas que têm algum tipo de relação estabelecida com a solução, seja já em uso ou como possível cliente (prospects). A trading de soja, milho e algodão, Multigrain, finalizou em fevereiro deste ano a implantação de um pacote de 12 soluções da SAP, dentre elas o ACM. As aquisições fizeram parte de um plano de expansão para os próximos cinco anos. "Nossas análises e controles de contratos eram feitos manualmente por meio de planilhas, questão que gerava grande atraso em nossas negociações e limitava nossa busca por melhores oportunidades de negócios", lembra o PMO e responsável pela implementação do SAP na Multigrain, Alexandre Gomiero.
Sem revelar os aportes e resultados exatos com o ACM, Kuplich e Rahmeier destacam que a solução está em uso por tradings e companhias de insumos de todos os continentes, exceto África. A próxima novidade do sistema é sua adaptação às operações de barter, um tipo de venda com base na troca de insumos por grãos, que tem assumido um papel importante na composição do custeio desta safra - que teve as despesas encarecidas pela alta do dólar. "Fizemos nossas considerações e estamos em fase de aprovação com as empresas", afirmam, sobre a nova adequação.
Só em 2014, a SAP investiu 2,331 milhões de euros em pesquisa e desenvolvimento.
Outras soluções
Após a implementação do projeto de TI da empresa de serviços digitais Atos, realizada a partir do ano passado, a cooperativa paranaense AgráriaAgroindustrial obteve resultados em eficiência e qualidade no serviço de atendimento.
Houve um aumento de 60% de satisfação dos usuários, maior segurança com a implementação de sistemas de informação, além de abraçar duas certificações ISO 9001 (em um período de um ano). A unidade cooperativista conta com cerca de 600 cooperados, 1.100 colaboradores e faturou, em 2014, R$ 2,2 bilhões.
Em São Paulo, desde 2013, a Usina Alta Mogiana começou a buscar alternativas para melhoria nos processos e chegou ao georreferenciamento fornecido pela companhia Imagem, especializada em soluções de Inteligência Geográfica.
"A solução possibilitou uma considerável aceleração das atividades, permitindo melhorar a qualidade e aumentar a produtividade das tarefas, por meio da integração dos processos de planejamento e mapas, do preparo do solo, do plantio e da colheita", conta o gerente de desenvolvimentoagrícola da usina, Luis Augusto Contin. De acordo com o executivo, a unidade fabril otimizou em até 60% no tempo de planejamento e análises de operações agrícolas.
O gerente de agronegócios da Imagem, Alexandre Marques, ressalta que o segmento representa entre 15% e 20% dos resultados da empresa. Para a implementação da Inteligência Geográfica, o aporte de um produtor vai de R$ 10 mil a R$ 50 mil e de uma agroindústria, até R$ 200 mil, com retorno entre 30% e 70% no aumento de produtividade.
"No momento de crise, o mercado de agro é o que mais solicita porque aparecem as dores de gestão", comenta Marques. Para ele, por mais que o cenário seja de recessão, o ambiente de negócios está favorável, tanto que os níveis de crescimento têm sido mantidos. A empresa deve avançar 20% na média anual.
Fonte: DCI
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