UFV produz primeiros embriões in vitro de jumentos Nordestinos, segundo pesquisadores
Pesquisa com material coletado na Fazenda Jegue Land, na Bahia, utiliza a técnica ICSI e abre perspectivas para conservação genética e reprodução de asininos
Publicado em: 08/10/2026 às 13:30hs
Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, produziram embriões em laboratório a partir de oócitos de jumentas do ecótipo Nordestino. Segundo a equipe, são os primeiros embriões desses animais obtidos in vitro no mundo por meio da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI).
O material foi coletado durante uma visita técnica à Fazenda Jegue Land, no interior da Bahia, e encaminhado ao Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV.
Os primeiros embriões foram vitrificados nove dias após o início do cultivo. O resultado abre possibilidades para preservar a diversidade genética dos jumentos Nordestinos e desenvolver protocolos reprodutivos adaptados a esses animais.
Técnica ICSI permite produzir embriões em laboratório
Na ICSI, um único espermatozoide é introduzido diretamente no interior do oócito com equipamentos de micromanipulação. A técnica integra o conjunto de biotecnologias avançadas utilizadas na reprodução de equídeos.
Após o transporte dos oócitos da propriedade baiana para a UFV, a equipe conduziu as etapas de produção in vitro até a obtenção dos embriões.
A conservação foi realizada por vitrificação, processo de congelamento ultrarrápido que permite armazenar os embriões para utilização futura. O trabalho representa um avanço na adaptação dessas ferramentas aos asininos, cujos protocolos científicos ainda são menos consolidados do que os empregados em equinos.
Conservação genética está entre as aplicações da pesquisa
A produção in vitro pode ampliar as alternativas para conservar material genético de animais selecionados e multiplicar indivíduos com características zootécnicas de interesse.
No caso do ecótipo Nordestino, a tecnologia poderá contribuir para a preservação da diversidade genética e para programas de melhoramento. A perspectiva é ampliar a participação de animais selecionados nas gerações seguintes e apoiar a formação de rebanhos de maneira sustentável.
Essas aplicações dependem da continuidade dos estudos e do aperfeiçoamento da eficiência da técnica.
Projeto reúne UFV e universidades de Pernambuco
O estudo faz parte do projeto de mestrado de Frederico Freitas, aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, sob orientação da professora Yamê Fabres.
A pesquisa é desenvolvida em parceria com a Fazenda Jegue Land, que disponibiliza animais, estrutura e condições de campo. A primeira coleta também teve a participação dos pesquisadores Gustavo Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).
Segundo Yamê Fabres, a equipe considerou promissores os resultados do primeiro teste piloto, especialmente pelo desafio de adequar a ICSI às particularidades reprodutivas dos asininos.
A professora destaca que o projeto inaugura uma linha de pesquisa na UFV dedicada à produção in vitro de embriões desses animais. Além da conservação genética, o trabalho busca gerar conhecimento, formar profissionais especializados e desenvolver protocolos para os jumentos Nordestinos.
Próxima etapa prevê transferência para receptoras
Os pesquisadores darão continuidade aos experimentos para aperfeiçoar o procedimento e aumentar a eficiência da produção embrionária.
Com o avanço do projeto, a equipe pretende transferir os embriões para jumentas e mulas receptoras, acompanhar o estabelecimento das gestações e avaliar a possibilidade de nascimento dos primeiros animais provenientes da técnica.
A parceria entre a UFV e a Jegue Land conecta a pesquisa em laboratório às condições de campo, criando uma base para o desenvolvimento de biotecnologias voltadas à conservação e à reprodução de asininos no Nordeste.
Fonte: Portal do Agronegócio
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