Pesquisas

Novo fungo amazônico Trichoderma agriamazonicum promete controlar doenças agrícolas e gerar antibióticos inovadores

Espécie descoberta na Amazônia combina biocontrole de fitopatógenos e produção de peptídeos antimicrobianos, abrindo caminho para bioprodutos agrícolas e farmacêuticos.


Publicado em: 12/02/2026 às 14:30hs

Novo fungo amazônico Trichoderma agriamazonicum promete controlar doenças agrícolas e gerar antibióticos inovadores
Foto: Felipe Rosa
Descoberta na Amazônia revela fungo com potencial agrícola e biotecnológico

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) identificaram uma nova espécie de fungo, Trichoderma agriamazonicum, que combina controle biológico de doenças agrícolas com produção de compostos bioativos inéditos. O microrganismo foi isolado da casca do cardeiro (Scleronema micranthum), uma árvore madeireira nativa da região, e pertence ao gênero Trichoderma, amplamente estudado por sua atuação no manejo de fitopatógenos.

O nome da espécie reflete sua origem amazônica e a vocação agrícola, destacando seu potencial para aplicações sustentáveis na agropecuária e na biotecnologia.

Eficiência no controle de fitopatógenos

Testes em laboratório mostraram que o T. agriamazonicum é capaz de inibir nove espécies diferentes de fitopatógenos, incluindo Corynespora cassiicola e Colletotrichum spp., que afetam culturas como soja, frutas e hortaliças.

Segundo Thiago Fernandes Sousa, pesquisador responsável pela descoberta, a nova espécie atua tanto por micoparasitismo quanto pela produção de compostos orgânicos voláteis (COVs), demonstrando dupla funcionalidade na proteção das plantas.

Compostos inéditos com potencial para antibióticos

A pesquisa revelou que T. agriamazonicum produz peptaibols, peptídeos não ribossomais com atividade antimicrobiana inédita, capazes de atuar contra superbactérias como Streptococcus e Klebsiella pneumoniae.

A abordagem utilizada, chamada syn-BNP (Synthetic Bioinformatic Natural Product), permite predizer e sintetizar os peptaibols diretamente a partir do genoma do fungo, acelerando a descoberta de moléculas bioativas sem necessidade de cultivo extensivo.

Além da aplicação médica, esses compostos também mostraram eficácia no controle de doenças agrícolas, como o agente causador da mancha foliar no guaranazeiro (Pseudopestalotiopsis sp.).

Potencial para crescimento vegetal

Algumas linhagens de T. agriamazonicum sintetizam fitormônios, como o ácido indolacético (AIA), que estimulam o desenvolvimento das plantas. Em testes laboratoriais, uma linhagem produziu 60,53 µg/mL de AIA, posicionando-se entre os isolados com maior capacidade de síntese.

No entanto, testes em casa de vegetação com pimentão indicaram que a produção de AIA não se traduziu em crescimento superior, sugerindo que múltiplos fatores influenciam a promoção de crescimento vegetal. O valor do fungo reside, portanto, na diversidade de moléculas bioativas que ele pode fornecer.

Importância da conservação e pesquisa da biodiversidade

O fungo foi mantido em coleção de culturas desde 2004, o que permitiu sua identificação quase duas décadas depois. Segundo Gilvan Ferreira da Silva, a preservação dessas amostras é estratégica para o aproveitamento econômico e científico da biodiversidade amazônica.

A descoberta reforça a necessidade de investimento contínuo em conservação biológica e pesquisa para não perder potenciais soluções agrícolas e farmacêuticas ainda não exploradas.

Amazônia como fonte de inovação biotecnológica

O Laboratório de Inovação em Microbiologia Aplicada da Amazônia (Amazon Micro-Biotech) coordena as pesquisas sobre T. agriamazonicum, envolvendo bolsistas de graduação, mestrado e doutorado. O trabalho é apoiado por CNPq, Capes e Fapeam e reforça a relevância da biodiversidade amazônica como fonte de insumos agrícolas e farmacêuticos inovadores, com capacidade de transformar a produção de bioprodutos sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

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