Publicidade
Pesquisas

Irrigação ao entardecer aumenta produção de frutos de tomate em pesquisa da UFV

Estudo mostra que o horário da rega altera o florescimento e a distribuição de recursos no tomateiro; resultados foram obtidos em casa de vegetação e ainda precisam ser testados em lavouras comerciais


Publicado em: 28/09/2026 às 10:40hs

Irrigação ao entardecer aumenta produção de frutos de tomate em pesquisa da UFV

O horário da irrigação pode influenciar o que o tomateiro produz. Em uma pesquisa conduzida na Unidade de Crescimento de Plantas – UCP, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), plantas que receberam água ao entardecer formaram mais frutos do que aquelas irrigadas ao amanhecer. A diferença ocorreu mesmo com o fornecimento de volumes equivalentes de água ao longo do cultivo.

Publicado na revista científica Plant Physiology, o estudo analisou como a rega em diferentes momentos do dia afeta o metabolismo, o florescimento e a distribuição da biomassa da planta. O resultado aponta uma possibilidade para aperfeiçoar o manejo da irrigação, mas ainda não representa uma recomendação pronta para todas as lavouras.

pesquisa-tomate-1

Rega pela manhã favoreceu folhas; ao entardecer, frutos

Os pesquisadores compararam três formas de irrigar: aplicação de toda a água ao amanhecer, divisão do volume entre amanhecer e entardecer, ou aplicação de toda a água ao entardecer. As plantas receberam água suficiente durante o experimento e não apresentaram sinais de déficit hídrico.

Com a irrigação ao amanhecer, os tomateiros direcionaram mais recursos ao crescimento vegetativo, formando mais folhas e acumulando mais biomassa em estruturas como raízes e caules. Já as plantas irrigadas ao entardecer apresentaram desenvolvimento reprodutivo mais rápido e maior produção de frutos ao final do ciclo.

A equipe também avaliou a massa seca de frutos produzida por litro de água fornecida. Esse indicador foi maior com a rega ao entardecer em algumas das linhagens estudadas. A resposta, porém, variou conforme as características genéticas das plantas.

Horário da água alterou metabolismo e florescimento

Para investigar a origem dessas diferenças, os cientistas mediram substâncias presentes nas folhas e a atividade de genes ligados ao ritmo diário e à formação de flores. Um dos genes analisados foi o SFT, que participa da regulação do desenvolvimento reprodutivo do tomateiro.

Nas plantas irrigadas ao amanhecer, os pesquisadores observaram menor atividade do SFT e maior acúmulo de carboidratos nas folhas. Sob irrigação ao entardecer, os níveis de açúcares e amido foram menores, enquanto a produção de frutos aumentou. Segundo os autores, os resultados sugerem que o horário da rega interfere na maneira como a planta utiliza e distribui os recursos gerados pela fotossíntese.

O comportamento não foi idêntico em todas as linhagens. Tomateiros com uma alteração no gene SFT responderam de outra forma à irrigação ao entardecer, reforçando que a genética pode influenciar o efeito do manejo.

O que a descoberta significa para o produtor?

O trabalho foi realizado com plantas em vasos, em casa de vegetação, incluindo a cultivar experimental Micro-Tom e linhagens utilizadas para estudar o papel de genes específicos. Por isso, o aumento observado na produção de frutos não pode ser aplicado diretamente como previsão de ganho em uma lavoura comercial.

Antes de indicar uma mudança no horário da irrigação em escala de produção, serão necessários testes com cultivares comerciais e em diferentes condições de clima, solo e manejo. A pesquisa, no entanto, mostra que o momento de fornecer água merece atenção ao lado do volume e da frequência da irrigação.

O artigo é assinado por João Antonio Siqueira, Auxiliadora O. Martins, Thiago Wakin, Lucas Realto, Marcelle Ferreira-Silva, Julia Wakin, Daniel Gomes Coelho, Agustin Zsögön, Alisdair R. Fernie, Adriano Nunes-Nesi e Wagner L. Araújo. A pesquisa reúne autores vinculados à UFV e ao Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular de Plantas, na Alemanha.

Differential impact of dawn and dusk watering on tomato metabolism and biomass allocation, publicado na revista Plant Physiology.

Leia o artigo na íntegra

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias