Pesquisas

IAC celebra 139 anos com lançamento de feijão gourmet inédito e consolida protagonismo da inovação no agronegócio brasileiro

Nova cultivar Borlotti tolerante ao escurecimento amplia oportunidades para exportação, enquanto Instituto Agronômico comemora avanços em melhoramento genético, proteção ao trabalhador rural e transformação digital da cafeicultura


Publicado em: 06/07/2026 às 08:30hs

IAC celebra 139 anos com lançamento de feijão gourmet inédito e consolida protagonismo da inovação no agronegócio brasileiro

O Instituto Agronômico (IAC) celebra seus 139 anos reafirmando o papel de uma das principais instituições de pesquisa agropecuária do Brasil. Durante as comemorações realizadas nesta segunda-feira (30), em Campinas (SP), o instituto apresenta uma série de conquistas científicas que reforçam sua contribuição para o desenvolvimento do agronegócio nacional.

Entre os destaques está o lançamento da cultivar de feijão gourmet IAC 2662 Borlotti, considerada inédita no mercado por reunir alta produtividade e uma característica altamente valorizada pelo comércio internacional: a tolerância ao escurecimento natural dos grãos por pelo menos seis meses, preservando aparência e qualidade durante o armazenamento e o transporte.

Além da nova cultivar, o IAC celebra números expressivos em pesquisa agrícola, os 20 anos do Programa IAC-QUEPIA, voltado à segurança de trabalhadores rurais, e duas décadas da Rede Social do Café, plataforma pioneira de integração entre pesquisadores e produtores.

Feijão gourmet amplia oportunidades para exportação

Principal novidade apresentada durante o aniversário do Instituto, o IAC 2662 Borlotti representa um novo avanço do programa de melhoramento genético do feijão desenvolvido pelo IAC.

O diferencial da cultivar está na capacidade de manter a coloração original dos grãos por, no mínimo, seis meses, reduzindo um dos principais desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros.

Durante longos períodos de armazenamento e transporte marítimo, especialmente nas exportações para a Europa, o escurecimento natural compromete a aparência comercial do produto e pode reduzir seu valor de mercado.

Segundo o pesquisador Alisson Chiorato, responsável pelo desenvolvimento da cultivar ao lado de Sérgio Carbonell, essa inovação oferece maior segurança para produtores e exportadores.

"A IAC 2662 Borlotti traz ao mercado a novidade da tolerância ao escurecimento do grão, permitindo maior tempo de armazenamento sem perda de coloração, aparência ou qualidade. Essa característica favorece diretamente a exportação, já que o produto chega ao destino internacional com a mesma qualidade com que saiu do Brasil."

Mercado europeu é principal destino

O feijão tipo cranberry (Borlotti) possui elevado consumo na Europa, sendo amplamente utilizado na culinária italiana e em outros mercados do continente.

Com o lançamento da nova cultivar, o IAC amplia seu portfólio de feijões especiais, oferecendo aos agricultores uma alternativa para agregar valor à produção e reduzir a dependência das oscilações de preços dos tradicionais feijões carioca e preto.

A expectativa é fortalecer tanto o mercado externo quanto ampliar a oferta de feijões gourmet no mercado brasileiro, segmento que apresenta crescimento contínuo impulsionado pela busca de produtos diferenciados.

Cultivar alia produtividade, qualidade e resistência

Além da inovação relacionada ao escurecimento dos grãos, o novo material apresenta características agronômicas competitivas.

Entre os principais atributos estão:

  • tolerância ao escurecimento por pelo menos seis meses;
  • potencial produtivo de até 3.500 kg por hectare;
  • teor médio de proteína de aproximadamente 22%;
  • tempo médio de cozimento de 32 minutos;
  • grãos graúdos, arredondados, claros e rajados de vermelho, com tamanho cerca de duas vezes superior ao do feijão carioca;
  • ciclo precoce, permitindo colheita entre 75 e 80 dias após o plantio;
  • maior resistência ao crestamento bacteriano, importante doença que afeta a produtividade da cultura.

A cultivar poderá ser cultivada nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O material encontra-se em fase final de registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária e deverá estar disponível comercialmente até o final de 2026.

Melhoramento genético amplia competitividade do produtor

Segundo o IAC, a nova cultivar é resultado do aperfeiçoamento do feijão cranberry IAC 2153, refletindo a estratégia contínua do programa de melhoramento genético do Instituto.

O objetivo é incorporar, a cada novo lançamento, ganhos simultâneos em produtividade, resistência a doenças, adaptação às diferentes regiões produtoras e qualidade comercial dos grãos.

Essa estratégia amplia as alternativas de renda dos agricultores, especialmente em momentos de baixa remuneração dos tipos tradicionais de feijão.

IAC ultrapassa 1.200 cultivares desenvolvidas

Os 139 anos do Instituto também marcam um importante resultado da pesquisa agrícola paulista.

Até junho de 2026, o IAC contabiliza o desenvolvimento de 1.205 cultivares pertencentes a 112 espécies vegetais, muitas delas amplamente utilizadas em praticamente todas as regiões agrícolas brasileiras.

Além do desenvolvimento de novas variedades, o Instituto atua na geração de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, sustentabilidade das lavouras e melhoria da qualidade dos alimentos produzidos no país.

Feijão lidera transferência de sementes do IAC

Os dados apresentados pelo Instituto mostram que o feijão permanece como a principal cultura na transferência de sementes genéticas para o setor produtivo.

Entre 2016 e 2025, foram comercializados aproximadamente 645 mil quilos de sementes, abrangendo 92 cultivares dos grupos carioca, preto e especiais.

Nesse período, o feijão também apresentou a maior diversidade genética do Instituto, com 25 cultivares distintas, seguido pelo amendoim, com nove materiais.

Somente entre janeiro e maio de 2026, o feijão respondeu por 62,3% de todo o volume de sementes de grãos comercializadas pelo IAC, totalizando 72.850 quilos.

As cultivares IAC 2051 e IAC 2560 Nelore lideraram as vendas, somando cerca de 26 toneladas de sementes.

Os principais mercados foram:

  • Goiás;
  • São Paulo;
  • Minas Gerais.

Juntos, esses estados concentraram aproximadamente 89% das vendas realizadas no período.

Segundo a pesquisadora Luiza Capanema, o comportamento acompanha o calendário agrícola brasileiro.

"Tivemos um pico de comercialização em janeiro, redução em fevereiro e março e retomada do crescimento em abril e maio. Essa dinâmica é compatível com a sazonalidade da demanda por sementes, especialmente para culturas como feijão e trigo."

Pesquisa fortalece competitividade do agronegócio

Para o coordenador do Instituto Agronômico, Marcos Landell, os resultados refletem a consistência dos programas de melhoramento genético desenvolvidos pelo IAC.

Segundo ele, a combinação entre escala produtiva e diversidade genética permite atender diferentes perfis de agricultores e necessidades regionais, garantindo materiais cada vez mais adaptados às demandas da agricultura brasileira.

Programa IAC-QUEPIA completa 20 anos

Outro marco comemorado durante o aniversário do Instituto é o vigésimo aniversário do Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA).

Criado em 2006, o programa tornou-se referência nacional na avaliação da qualidade de vestimentas utilizadas por trabalhadores rurais durante a aplicação de defensivos agrícolas.

Ao longo dessas duas décadas, a iniciativa contribuiu para reduzir entre 80% e 90% a reprovação de vestimentas agrícolas produzidas no Brasil.

Além disso, as pesquisas desenvolvidas pelo programa auxiliaram na adoção de normas internacionais da ISO para certificação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) utilizados na agricultura brasileira.

Coordenado pelo pesquisador Hamilton Ramos, o programa também concede o Selo IAC-QUEPIA, certificação que atesta a qualidade dos produtos aprovados em rigorosos testes laboratoriais realizados na Divisão Avançada de Engenharia e Automação do Instituto, em Jundiaí (SP).

Rede Social do Café inicia nova fase

As comemorações também marcam os 20 anos da Rede Social do Café, plataforma criada pelo IAC em 2006 para integrar pesquisadores, produtores, cooperativas e instituições ligadas à cafeicultura.

Ao longo de duas décadas, a iniciativa acumulou aproximadamente 95 mil publicações, tornando-se uma das experiências mais longevas de comunicação digital voltadas ao agronegócio brasileiro.

Durante a cerimônia, será lançado um novo portal da Rede Social do Café, totalmente modernizado para ampliar a disseminação do conhecimento e fortalecer a integração entre pesquisa e produção.

Como parte dessa nova etapa, serão assinados protocolos de intenções com a Cooxupé e a Pinhalense, ampliando a participação de organizações estratégicas do setor cafeeiro.

Ciência, inovação e tecnologia fortalecem o agro brasileiro

Fundado por Dom Pedro II, em 1887, o Instituto Agronômico chega aos 139 anos consolidado como uma das instituições científicas mais importantes do agronegócio nacional.

O lançamento de uma cultivar inédita de feijão gourmet, os avanços em melhoramento genético, a liderança na transferência de sementes, os investimentos em segurança do trabalhador rural e a modernização da comunicação com a cadeia cafeeira demonstram que a pesquisa continua sendo um dos principais pilares para elevar a competitividade, a sustentabilidade e a inovação da agricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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