Pesquisas

Fungicidas químicos podem prejudicar microrganismos essenciais em abelhas sem ferrão

Estudo da Embrapa mostra que produtos químicos afetam simbiontes larvais de Scaptotrigona depilis, enquanto fungicidas biológicos têm menor impacto


Publicado em: 09/04/2026 às 17:30hs

Fungicidas químicos podem prejudicar microrganismos essenciais em abelhas sem ferrão
Foto: Cristiano Menezes

Pesquisas conduzidas pela Embrapa Meio Ambiente investigaram os efeitos de fungicidas químicos e biológicos sobre o complexo fúngico presente no alimento larval da abelha-sem-ferrão Scaptotrigona depilis. O estudo revelou que fungicidas amplamente utilizados na agricultura podem comprometer microrganismos simbiontes essenciais para o desenvolvimento das larvas, afetando a digestão e a disponibilidade de nutrientes.

Fungicidas químicos apresentam impacto severo

Os testes mostraram que o fungicida químico inibiu completamente a esporulação dos fungos simbiontes em concentrações iguais ou superiores a 2 g/L. Análises moleculares confirmaram que, nessas doses, os principais simbiontes — Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp. — não estavam mais presentes no alimento larval.

Segundo os pesquisadores, mesmo sem causar mortalidade imediata, o uso desses produtos pode afetar processos vitais para o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias.

Fungicidas biológicos têm menor efeito negativo

No caso do fungicida biológico, o estudo demonstrou efeitos mais variados:

  • Concentrações intermediárias (0,2 e 0,66 g/L) estimularam a esporulação e favoreceram o crescimento dos fungos simbiontes.
  • Doses elevadas reduziram o crescimento, indicando que excesso também pode ser prejudicial.

Esses resultados mostram que produtos biológicos podem ser mais compatíveis com a preservação das abelhas nativas e práticas agrícolas sustentáveis.

Metodologia do estudo

O estudo utilizou diferentes concentrações dos produtos, definidas com base nas recomendações de uso em campo, garantindo relevância agronômica. O desenvolvimento dos fungos foi monitorado por contagem de esporos e análises moleculares para verificar a presença dos simbiontes essenciais.

A bolsista Jenifer Ramos explicou que as formulações químicas e biológicas não são diretamente comparáveis, devido a diferenças de ingredientes ativos e recomendações de aplicação.

Impactos e implicações para a agricultura

Os pesquisadores destacam que os fungicidas químicos podem comprometer relações simbióticas fundamentais à saúde das abelhas sem ferrão, afetando a nutrição e a sobrevivência das colônias. Por outro lado, produtos biológicos representam alternativas de menor impacto, preservando microrganismos essenciais e contribuindo para serviços de polinização.

O pesquisador Cristiano Menezes reforçou a importância de incluir abelhas nativas em ensaios ecotoxicológicos de defensivos e estender exigências de testes de segurança atualmente aplicadas apenas a inseticidas químicos. Segundo ele, a preservação dos simbiontes é crucial para manter a saúde das abelhas e a produtividade agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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