Pesquisas

Embrapa lança tecnologia com ozônio para eliminar micotoxinas e ampliar segurança alimentar no agronegócio

Novo sistema sustentável, desenvolvido em parceria com a Nascente, reduz fungos e toxinas em grãos e reforça padrões de qualidade e ESG no campo


Publicado em: 06/03/2026 às 12:30hs

Embrapa lança tecnologia com ozônio para eliminar micotoxinas e ampliar segurança alimentar no agronegócio
Foto: Marco Aurélio Pimentel
Inovação no tratamento de grãos: tecnologia limpa e de alta eficiência

A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a empresa Nascente (NCT), apresentou ao mercado o SiloBio, um equipamento inédito que une tecnologia, sustentabilidade e segurança alimentar. O sistema utiliza gás ozônio para eliminar micotoxinas, fungos e pragas em grãos armazenados, garantindo matéria-prima mais limpa para a produção de ração animal e agregando valor ao agronegócio.

O silo biorreator SiloBio combina as funções de armazenamento e tratamento biotecnológico em larga escala. Ao aplicar ozônio de forma controlada, o equipamento higieniza os grãos sem comprometer sua qualidade nutricional, preservando teores de proteínas, lipídeos e minerais.

Segundo o pesquisador Marco Aurélio Pimentel, líder do projeto na Embrapa Milho e Sorgo, os resultados laboratoriais foram expressivos:

“Conseguimos reduzir até 88% das fumonisinas totais e até 96% dos fungos dos gêneros Fusarium e Penicillium. Além disso, o processo não alterou a composição dos grãos, mesmo após longos períodos de aplicação”, explicou o pesquisador.

Pesquisa pioneira e resultados comprovados

Os estudos da Embrapa sobre o uso do ozônio no controle de micotoxinas começaram em 2012, com foco na detoxificação natural de grãos de milho contaminados. Publicados na revista científica Ozone: Science & Engineering, os resultados apontaram eficiência significativa na redução de substâncias tóxicas e microrganismos prejudiciais.

Com base nesses dados, a tecnologia evoluiu para o desenvolvimento do SiloBio, que agora entra em fase de aplicação comercial em parceria com a Nascente. Além de combater micotoxinas, o sistema também atua como agente de controle de insetos e oxidante de resíduos químicos, como pesticidas e outros contaminantes.

“A partir dos resultados promissores em laboratório, adaptamos a tecnologia para o uso industrial. O SiloBio foi desenhado para permitir homogeneidade na aplicação do gás, garantindo resultados consistentes mesmo em grandes volumes de grãos”, complementa Pimentel.

Parceria entre ciência e engenharia industrial

A colaboração entre a Embrapa e a Nascente nasceu de uma demanda prática do campo. Produtores de suínos em Minas Gerais procuraram soluções mais limpas para o tratamento de milho armazenado, e a Nascente, especializada em tecnologia de ozônio, viu potencial para transformar a pesquisa científica em uma solução de grande escala.

Segundo Leonardo Tuschi, diretor-executivo e de tecnologia da empresa, o SiloBio representa um avanço estratégico para a modernização do agro brasileiro:

“Queríamos unir o rigor científico da Embrapa à engenharia industrial. O resultado é um sistema capaz de tratar milhares de toneladas de grãos, eliminando contaminantes sem gerar resíduos químicos. É uma alternativa limpa, eficiente e economicamente viável.”

A sustentabilidade é um dos principais diferenciais do equipamento. O processo usa apenas ar e eletricidade, sem insumos químicos. Após a desinfecção, o ozônio se decompõe naturalmente, retornando à forma de oxigênio puro — um processo de emissão zero e impacto ambiental mínimo.

Padrões de segurança e conformidade com a Anvisa

Durante os testes, o SiloBio alcançou resultados dentro dos limites máximos tolerados (LMT) definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece até 5.000 μg/kg de fumonisinas em grãos de milho in natura. Em segmentos mais exigentes, como o de ração animal e alimentação humana, o sistema conseguiu atender parâmetros de até 1.000 μg/kg, demonstrando alta eficiência sanitária.

Esses números confirmam o potencial do equipamento para atender cadeias produtivas de proteína animal e indústrias alimentícias, que demandam insumos com maior qualidade e rastreabilidade.

Retorno econômico e potencial de adoção no campo

Além dos ganhos sanitários, o projeto também comprovou viabilidade financeira. De acordo com levantamentos de campo, o retorno sobre o investimento (ROI) do SiloBio pode ser obtido em menos de dois anos, graças à redução do uso de produtos químicos e à melhoria da saúde dos animais — que consomem rações mais seguras e nutritivas.

Para Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, essa é a chave para o sucesso da inovação:

“Tecnologias precisam entregar valor real ao produtor e ter viabilidade econômica comprovada. O SiloBio cumpre ambos os papéis: melhora a eficiência da produção e atende às exigências ambientais e de segurança alimentar.”

Aplicações futuras e expansão para novas culturas

Embora o foco inicial da pesquisa tenha sido o milho, os testes também mostraram resultados promissores com sorgo, soja e farelos processados. O objetivo é expandir gradualmente a tecnologia para outras cadeias agrícolas.

A apresentação oficial do SiloBio será um dos destaques da celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, reforçando o papel da instituição na transformação da ciência em soluções práticas para o campo.

“Essa tecnologia redefine os padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio. O SiloBio é uma resposta às demandas da sociedade moderna por processos mais limpos e alinhados aos princípios de ESG e Saúde Única”, conclui Botelho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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