Braquiária Mavuno preserva produtividade do milho e favorece soja em estudos
Pesquisas com UNESP, GAPES ICT e UEM avaliam desempenho da forrageira no consórcio, na cobertura do solo e no manejo do nematoide das lesões radiculares
Publicado em: 08/10/2026 às 14:30hs
A escolha de uma forrageira para sistemas de produção de grãos envolve mais do que o volume de palhada formado. Estudos com a braquiária híbrida Mavuno avaliaram sua capacidade de conciliar produção de biomassa, menor competição com o milho, contribuição à soja cultivada em sequência e comportamento diante de nematoides.
Os trabalhos foram realizados em três frentes, com participação da Universidade Estadual Paulista (UNESP), do GAPES ICT e da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Os resultados indicam que características específicas da cultivar podem contribuir para diferentes objetivos de manejo, conforme as condições de cada experimento.
Para Alexander Wolf, CEO da Wolf Seeds, empresa responsável pelo desenvolvimento do Mavuno, a avaliação deve considerar como a forrageira se estabelece, interage com a cultura comercial e influencia as etapas seguintes do sistema produtivo.
Consórcio com Mavuno mantém rendimento do milho em ensaio da UNESP
Um estudo conduzido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal (SP), comparou o milho solteiro aos consórcios com Mavuno e com Urochloa ruziziensis.
Nas condições avaliadas, o milho consorciado com Mavuno apresentou produtividade estatisticamente equivalente à do milho solteiro. Já o cultivo associado à ruziziensis registrou redução de aproximadamente 13% na produção de grãos.
Na comparação entre os dois consórcios, o tratamento com Mavuno produziu 1.332 quilos de milho a mais por hectare, diferença equivalente a cerca de 22 sacas de 60 quilos.
Segundo o trabalho, o desenvolvimento inicial mais equilibrado da braquiária híbrida ajuda a explicar o resultado, ao reduzir a competição por luz, água e nutrientes durante a fase de estabelecimento do potencial produtivo do milho.
Produção de biomassa complementa avaliação agronômica
Em cultivo exclusivo, o Mavuno produziu 14,28 toneladas de matéria seca por hectare, enquanto a ruziziensis alcançou 9,60 toneladas por hectare.
Esse resultado se refere à avaliação da forrageira cultivada isoladamente e complementa os dados obtidos no consórcio com milho.
Tiago Penha Pontes, engenheiro-agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, destaca que a escolha da cobertura deve buscar preservar a produção da cultura principal e, ao mesmo tempo, oferecer benefícios ao solo e à produção de forragem.
Soja após Mavuno alcança 83,7 sacas por hectare
Em experimento do GAPES ICT, em Rio Verde (GO), a soja cultivada após diferentes coberturas apresentou variações de produtividade.
No tratamento com Mavuno, o rendimento foi de 83,7 sacas por hectare, frente às 77,1 sacas por hectare da referência utilizada no estudo — diferença de 6,6 sacas.
O Mix de Cobertura da Wolf Seeds, composto por Mavuno, crotalária, nabo forrageiro, milheto BRS 1501 e feijão-guandu, alcançou 85,2 sacas por hectare, superando a referência em 8,1 sacas.
A pesquisa também identificou que os tratamentos com maior produção de matéria seca não foram, necessariamente, os que proporcionaram os maiores rendimentos da soja. O resultado reforça a importância de avaliar a cobertura pelo conjunto de características, e não apenas pela quantidade de biomassa.
Pesquisa avalia resposta ao nematoide das lesões radiculares
Outro trabalho, conduzido pela Araucária Soluções Agronômicas em parceria com a UEM, analisou o comportamento de diferentes materiais diante de Pratylenchus brachyurus, nematoide associado a lesões nas raízes.
Nas condições do experimento, o Mavuno apresentou redução de 65,83% na população do nematoide e de 93,79% na densidade por grama de raiz, conforme os resultados apresentados.
Os dados indicam potencial de contribuição em estratégias integradas de manejo. Entretanto, o uso da forrageira não substitui medidas específicas de controle do nematoide.
Para Pontes, a interação das raízes com organismos presentes no solo deve integrar os critérios de escolha das plantas de cobertura, ao lado da formação de palhada e do desempenho da cultura comercial.
Escolha da forrageira deve considerar todo o sistema produtivo
Os três trabalhos apontam para uma avaliação mais ampla das forrageiras utilizadas na agricultura. Preço das sementes e produção de palhada continuam relevantes, mas precisam ser analisados junto à competição com a cultura principal, à qualidade da cobertura e aos efeitos sobre o cultivo seguinte.
Na avaliação da Wolf Seeds, a genética da forrageira deve fazer parte do planejamento agronômico e econômico da propriedade. Os resultados apresentados oferecem referências para essa decisão, respeitando as condições de ambiente e manejo em que cada estudo foi conduzido.
Fonte: Portal do Agronegócio
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