Publicado em: 28/04/2026 às 16:00hs
O uso de gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa (braquiária), tem se consolidado como uma das principais estratégias para aumentar a produtividade da soja e melhorar a saúde do solo no Brasil.
Um estudo de abrangência nacional, conduzido pela Embrapa Cerrados em parceria com outras instituições, confirmou que a adoção dessas espécies pode elevar a produtividade da soja em cerca de 15%, reforçando o papel das plantas de cobertura na intensificação sustentável dos sistemas agrícolas.
Os resultados foram publicados na revista científica Agronomy e representam uma das análises mais completas já realizadas no país sobre o tema.
A pesquisa utilizou uma meta-análise, metodologia que compila e cruza dados de diferentes estudos científicos, permitindo conclusões mais robustas.
Ao todo, foram analisadas 55 publicações científicas, abrangendo ensaios de campo realizados em 33 localidades do Brasil, envolvendo diferentes sistemas de produção, cultivares de soja e condições de solo e clima.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes, o objetivo foi preencher uma lacuna importante na literatura científica.
“Faltava uma avaliação em escala nacional sobre os impactos dessa prática na saúde do solo e na produtividade da soja”, explicou.
Os resultados mostram que o uso de gramíneas tropicais como culturas antecessoras à soja proporciona ganhos consistentes de produtividade.
Em média, o aumento foi de:
Mesmo com variações entre sistemas e regiões, os efeitos positivos foram observados na maioria absoluta das comparações analisadas.
Além disso, o custo de implantação das braquiárias é considerado baixo, variando entre US$ 9 e US$ 30 por hectare, dependendo da taxa de semeadura.
Além do ganho produtivo, o estudo identificou melhorias expressivas nos indicadores de saúde do solo em áreas com braquiária.
Os principais avanços foram:
Segundo os pesquisadores, o aumento da atividade enzimática indica maior sensibilidade às mudanças no solo e reforça o papel das gramíneas na ativação biológica do sistema produtivo.
Das 173 comparações analisadas, 154 apresentaram aumento de produtividade, com ganhos variando entre 30 e 2.200 kg por hectare.
Apenas 19 comparações (11%) indicaram reduções, geralmente associadas a falhas de manejo no estabelecimento das gramíneas, sem significância estatística na maioria dos casos.
O aumento do número de estudos ao longo dos anos também chama atenção: a maior parte das pesquisas foi publicada entre 2021 e 2025, refletindo a expansão do interesse pelo tema no Brasil.
Para os pesquisadores, as gramíneas tropicais devem ser entendidas além do conceito tradicional de plantas de cobertura.
Elas atuam como bioinsumos vivos, contribuindo para:
Esses efeitos posicionam as gramíneas como ferramentas centrais na agricultura regenerativa e na intensificação sustentável dos sistemas produtivos.
A pesquisa reforça que a adoção de braquiárias como culturas antecessoras na soja representa uma estratégia de alto impacto agronômico e econômico.
Ao melhorar a funcionalidade biológica do solo, essas plantas contribuem diretamente para maior estabilidade produtiva, redução de riscos e aumento da eficiência dos sistemas agrícolas tropicais.
Segundo a Embrapa, o avanço dessas práticas reforça o solo como um ativo vivo e estratégico, essencial para a sustentabilidade e competitividade da agricultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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