Publicado em: 08/05/2026 às 10:35hs
Um estudo inédito desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos em parceria com o Grupo de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, vinculado à Esalq/USP, revela que polos agrícolas com irrigação apresentam renda mais elevada, maior produtividade e melhores indicadores socioeconômicos em comparação a outros municípios rurais brasileiros.
A pesquisa analisou polos de irrigação na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul e aponta que a expansão da agricultura irrigada pode impulsionar o valor bruto da agropecuária, aumentar a geração de empregos e fortalecer a segurança produtiva no campo.
Segundo levantamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o Brasil possui atualmente cerca de 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação.
O potencial de expansão, no entanto, pode ultrapassar 55 milhões de hectares adicionais, sendo aproximadamente 48% dessas áreas ocupadas atualmente por pastagens.
Para Luiz Paulo Heimpel, os dados demonstram que a irrigação tende a ganhar papel estratégico diante das mudanças climáticas e dos desafios produtivos.
“Com políticas públicas adequadas e planejamento, a irrigação pode ampliar a eficiência no campo e reduzir desigualdades regionais”, afirma.
O estudo identificou diferenças significativas entre municípios com forte presença de agricultura irrigada e outras regiões rurais.
Na Bahia, por exemplo, a renda média nos polos irrigados é 68,6% superior aos demais municípios rurais.
Em outros estados, os ganhos observados foram:
Além da renda mais elevada, os polos irrigados apresentaram menor dependência de programas de transferência de renda e indicadores sociais mais favoráveis.
No caso de Mato Grosso, o percentual de beneficiários de programas sociais é cerca de 50% menor em comparação a outros municípios rurais.
O levantamento também mostra forte impacto econômico nas regiões irrigadas.
Segundo o estudo, o PIB per capita dos polos de irrigação pode ser até 256% maior em relação aos demais municípios rurais.
Em Mato Grosso, o indicador supera R$ 182 mil por habitante, um dos maiores níveis registrados na pesquisa.
As simulações realizadas pelos pesquisadores apontam que cada incorporação de 1.600 hectares irrigados pode elevar o valor adicionado bruto da agropecuária em R$ 8,27 milhões no curto prazo.
No longo prazo, o impacto econômico pode chegar a quase R$ 14 milhões, além da geração de empregos formais no meio rural.
Apesar do potencial identificado, os pesquisadores alertam que o crescimento da irrigação depende de políticas públicas e investimentos estruturais.
O estudo aponta quatro fatores considerados essenciais para ampliar a irrigação no país:
Segundo os pesquisadores, a irrigação deve ser tratada como um eixo estruturante da política agrícola brasileira e da estratégia nacional de segurança alimentar.
“A irrigação traz previsibilidade para o produtor, reduz riscos climáticos e melhora a produtividade. Seus efeitos vão além da produção, impactando diretamente renda, emprego e desenvolvimento regional”, destaca Luiz Paulo Heimpel.
O estudo completo será lançado oficialmente no final de maio e deve ampliar o debate sobre infraestrutura hídrica, produtividade agrícola e adaptação climática no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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