Publicado em: 31/03/2026 às 13:30hs
A Embrapa lançou nesta terça-feira (24) a plataforma digital Trigo no Brasil, ferramenta que centraliza informações sobre toda a cadeia produtiva do cereal. O sistema reúne dados antes dispersos e inclui novas análises feitas por profissionais com experiência no setor, abrangendo desde a produção no campo até a exportação e o processamento industrial.
A plataforma apresenta ainda uma estimativa inédita da proporção de sistemas de produção irrigados e de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região que tem registrado forte expansão do cultivo nos últimos anos. Além disso, disponibiliza cenários possíveis para aumento da produção nacional de trigo.
A ferramenta atende a uma demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), oferecendo dados estratégicos para políticas públicas e decisões de investimento no setor.
Em 2024, o Brasil importou 7 milhões de toneladas de trigo, único produto entre os grandes grãos em que o País não é autossuficiente. Ao mesmo tempo, fatores comerciais e logísticos permitiram que o Brasil se consolidasse como exportador: entre 2020 e 2025, o volume exportado cresceu 11,5 vezes, principalmente para Ásia, África e Oriente Médio. A produção nacional tem crescido, reduzindo a dependência do mercado externo.
A plataforma é resultado de parceria entre Embrapa Territorial (SP) e Embrapa Trigo (RS), com suporte da sede da Embrapa e da Embrapa Solos (RJ). O projeto integra iniciativas do Mapa para incentivar o cultivo do cereal em ambiente tropical e alcançar a autossuficiência nacional.
Além de produção, importação e exportação, a plataforma apresenta dados sobre:
Os dados são detalhados por microrregiões, abrangendo áreas tradicionais do Sul e regiões de expansão no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Algumas séries históricas remontam ao início dos anos 2000.
Segundo Álvaro Augusto Dossa, analista da Embrapa Trigo, “a plataforma mapeia a localização dos principais agentes para compreender a dinâmica da cadeia, considerando distribuição geográfica, número de atores e evolução histórica”.

A plataforma consolida dados dispersos sobre produção de sementes, apresentando informações por município, área de cultivo, categoria, espécie e cultivar adotada.
A equipe da Embrapa realizou análises adicionais para detalhar a oferta de sementes por uso e predominância de cultivares novas ou antigas, mostrando que a ferramenta não apenas organiza dados, mas realiza curadoria e interpretação especializada, trazendo informações antes fragmentadas em relatórios setoriais.
A plataforma permite visualizar a distribuição dos elos da cadeia:
Mapas mostram ainda onde há maior ou menor oferta de armazéns do tipo Granel Sólidos, essenciais para armazenar trigo, atualmente utilizados principalmente para soja e milho.

A plataforma detalha volumes, valores, microrregiões envolvidas e portos de entrada e saída do trigo e derivados. Em 2024:
Também estão disponíveis informações sobre estabelecimentos e empregos no setor, incluindo moagem, fabricação de derivados e comércio.
A plataforma traz estimativas inéditas sobre o uso de irrigação na região de expansão do Cerrado. Entre 2019 e 2022:
“Conhecer essas estimativas ajuda no planejamento da expansão e na adoção de tecnologias”, afirma Dossa.
A plataforma apresenta análises sobre:
As informações permitem identificar gargalos, potencial de expansão e áreas prioritárias para políticas de incentivo e inovação tecnológica no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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