Publicado em: 26/01/2026 às 16:00hs
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a RedeTelesul – Associação dos Provedores de Internet do Paraná realizaram uma reunião para discutir estratégias e alternativas de ampliação do acesso à internet no meio rural. Durante o encontro, a entidade apresentou os resultados alcançados em Marialva (PR), município que hoje é referência estadual em conectividade no campo.
Segundo a RedeTelesul, cerca de 98% da zona rural de Marialva já conta com cobertura de internet via fibra óptica ou rádio, resultado de uma parceria entre provedores locais e o poder público municipal. O modelo de gestão adotado no município tem servido de exemplo para outras regiões do estado.
Durante o encontro, foi demonstrado como a expansão da cobertura digital tem melhorado o acesso à educação, serviços públicos, informação e gestão agrícola, além de fortalecer as atividades produtivas no campo.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, destacou que a conectividade é um instrumento estratégico para o desenvolvimento rural.
“Levar internet de qualidade ao meio rural é garantir inclusão, oportunidades e qualidade de vida. Isso permite que os jovens permaneçam no campo com acesso à tecnologia e novas formas de gerar renda”, ressaltou.
Apesar dos avanços, os provedores apontaram grandes desafios para expandir a conectividade rural, especialmente o alto custo da infraestrutura. Segundo a RedeTelesul, o fornecimento de internet em áreas rurais é muito mais caro do que nas regiões urbanas, devido à dispersão dos usuários e à extensão das redes necessárias para atender pequenas comunidades.
Um dos principais gargalos está no alto valor cobrado pelo uso de postes das concessionárias de energia, o que representa o segundo maior custo operacional das empresas, ficando atrás apenas das despesas com pessoal.
Em Marialva, por exemplo, 27% dos clientes estão na área rural, mas essa parcela exige 432 km de rede e 60% dos postes alocados — o que torna o custo rural 4,18 vezes maior que o urbano. Essa diferença tem dificultado novos investimentos em regiões de menor densidade populacional.
Como alternativa, a RedeTelesul propôs a criação de uma política pública estadual voltada à implantação de uma rede própria de postes, desenvolvida em parceria entre Estado e municípios. Essa infraestrutura paralela facilitaria a expansão da conectividade em áreas de agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, comunidades quilombolas e aldeias indígenas.
Além disso, foi sugerida a equalização das taxas de juros em linhas de crédito para investimentos em conectividade rural, tornando os projetos mais acessíveis a pequenos e médios provedores regionais.
Os representantes do IDR-Paraná, Geraldo Lacerda e Herlon Goelzer de Almeida (coordenador do Programa Paraná Conectado), destacaram que o instituto pretende iniciar estudos técnicos para avaliar como o Estado pode apoiar mais efetivamente a ampliação da conectividade no campo. A proposta é integrar políticas públicas com prefeituras e outras instituições para acelerar o processo de inclusão digital rural.
Os dados apresentados reforçam o tamanho do desafio: o Paraná possui 338 assentamentos fundiários, com 17,3 mil famílias, além de 22 aldeias indígenas e 39 comunidades quilombolas — grupos que demandam ações específicas para garantir o acesso à internet e à informação.
A prefeita de Marialva, Flávia Cheroni da Silva Brita, o presidente da RedeTelesul, Marcelo Siena, e o vice-presidente, Helton Alessandro Dorl, participaram da reunião, ao lado de outros representantes do setor e do poder público.
A experiência de Marialva, segundo os participantes, demonstra que a integração entre provedores locais e governos municipais é o caminho mais eficaz para expandir a conectividade rural.
A RedeTelesul, que representa pequenas e médias empresas de internet no Paraná, atua como um ecossistema de inovação e desenvolvimento, promovendo capacitação, eventos setoriais como o iBusiness, inclusão digital e parcerias estratégicas com grandes empresas de tecnologia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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