Publicado em: 12/02/2026 às 10:00hs
A gestão de dados deixou de ser um acessório e passou a ser uma questão de sobrevivência para o agronegócio moderno, segundo análise de Alexandre Kuntgen, Partner da SolvePlan. Em seu artigo, o especialista destaca que a conexão com mercados globais impõe padrões cada vez mais rigorosos, e somente quem controla com precisão suas informações consegue se manter competitivo.
Apesar da ampla adoção tecnológica no campo, o agronegócio ainda enfrenta desafios complexos na coleta e gestão de dados. Diferente de outros setores, o Agro precisa monitorar toda a cadeia produtiva, do plantio à distribuição.
Cada etapa requer rastreabilidade e registro preciso de informações, já que qualquer falha pode inviabilizar negócios internacionais ou comprometer certificações ambientais.
O Brasil mantém sua posição de líder mundial na exportação de soja, segundo projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). A estimativa é de uma safra recorde, com exportações de 111,5 milhões de toneladas, aumento de 0,5% em relação ao ciclo anterior.
Entretanto, Kuntgen destaca que a força do setor convive com desafios de governança e logística. Boa parte da soja exportada por grandes tradings é produzida por pequenos agricultores, o que exige das empresas garantir a conformidade ambiental e social de terceiros, além de comprovar cada etapa da cadeia produtiva com dados verificáveis.
A exportação de aves também é um exemplo de como a ausência de dados pode gerar impactos diretos. Episódios recentes de gripe aviária afetaram as vendas externas do Brasil, evidenciando que falhas em registros sanitários e de rastreabilidade podem restringir o acesso a mercados internacionais inteiros.
De acordo com o especialista, a fiscalização precisa ser rigorosa e contínua, abrangendo desde a higienização até as medições. Um único desvio nos controles pode comprometer toda a operação.
Para reduzir riscos e garantir eficiência, a coleta e a análise de dados se tornam instrumentos estratégicos no agronegócio. Eles permitem identificar falhas preventivamente, mapear áreas e garantir rastreabilidade total da cadeia.
Mesmo assim, muitos produtores ainda dependem de processos manuais, o que aumenta as chances de erro. No contexto das exigências ESG e certificações internacionais, já não basta declarar práticas sustentáveis — é preciso comprovar com evidências auditáveis.
O mercado já dispõe de plataformas especializadas, como o SAP Sustainability Control Tower, que automatiza o monitoramento ambiental e assegura conformidade com padrões nacionais e internacionais.
Entretanto, Kuntgen ressalta que tecnologia sem estratégia não garante resultados. O acompanhamento de consultores e especialistas é fundamental para orientar a adoção de ferramentas, mitigar riscos e integrar a gestão de dados de forma eficiente nas operações do agronegócio.
Na avaliação do especialista, os dados se tornaram os ativos mais valiosos de uma empresa. Além de garantir conformidade e sustentabilidade, melhoram margens de produção e fortalecem a competitividade.
“Em um setor de tamanha relevância, a falta de dados não só abre as portas para prejuízos, como também fecha as de grandes oportunidades”, conclui Kuntgen.
Fonte: Portal do Agronegócio
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