Agro acelera adoção de inteligência artificial e supera média nacional entre empresas
Pesquisa da PwC Brasil mostra que 78% dos CEOs do agronegócio planejam investir na integração de IA com plataformas tecnológicas nos próximos 12 meses, acima dos 69% registrados na média de outros setores
Publicado em: 25/09/2026 às 13:00hs
A inteligência artificial (IA) avança no agronegócio brasileiro e começa a ocupar espaço estratégico nas decisões relacionadas à produtividade, gestão de recursos, logística e adaptação às mudanças climáticas.
De acordo com a pesquisa “A Reinvenção do Agronegócio Brasileiro”, da PwC Brasil, 78% dos CEOs do setor planejam investir na integração da inteligência artificial com plataformas tecnológicas nos próximos 12 meses. O percentual supera os 69% registrados na média dos demais segmentos da economia.
Os números indicam uma crescente atenção das empresas do agronegócio às tecnologias capazes de ampliar a eficiência operacional e apoiar decisões baseadas em dados.
Inteligência artificial ganha espaço na estratégia do agro
Para Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, o avanço da IA está relacionado à necessidade de o agronegócio responder simultaneamente a desafios de produtividade, eficiência e mudanças nas condições climáticas.
“Os dados demonstram que o agronegócio brasileiro está mais atento às novas tecnologias, especialmente em um cenário marcado pelas mudanças climáticas e pela necessidade de adaptação constante”, explica.
Segundo o executivo, a tecnologia pode contribuir para aumentar a capacidade de resposta dos produtores diante de eventos climáticos extremos, além de apoiar estratégias voltadas à sustentabilidade da produção.
IA amplia precisão no manejo agrícola
A utilização da inteligência artificial no campo vai além da automação de tarefas. A tecnologia permite cruzar grandes volumes de informações e transformar dados agrícolas, climáticos e operacionais em recomendações para a tomada de decisão.
Entre as aplicações citadas estão:
- monitoramento de lavouras por drones com análise preditiva;
- recomendação automatizada de fertilizantes a partir de dados de solo;
- previsão de períodos mais adequados para a colheita;
- monitoramento climático em tempo real;
- gestão da irrigação;
- acompanhamento do desenvolvimento das plantas;
- identificação de riscos e possíveis perdas na produção.
“Atualmente, já existem diversas soluções disponíveis e acessíveis, como o monitoramento por drones com análise preditiva, a recomendação automatizada de fertilizantes com base na análise de solo e a previsão ideal de colheita com base em dados climáticos e fenológicos”, afirma Galvani.
Tecnologia pode reduzir uso de recursos
A expansão da IA também está relacionada à busca por maior eficiência no uso de recursos naturais e insumos agrícolas.
A análise de dados pode auxiliar na aplicação mais precisa de fertilizantes e defensivos, no gerenciamento da água utilizada na irrigação e na identificação antecipada de situações que possam provocar perdas.
Nesse contexto, a tecnologia pode contribuir para reduzir desperdícios e melhorar o planejamento das operações.
Com o acompanhamento de variáveis climáticas, condições do solo e desenvolvimento das plantas, produtores e empresas podem tomar decisões mais específicas para cada área da propriedade.
Climate intelligence ganha espaço no agronegócio
Outro segmento em expansão é o das plataformas de climate intelligence, que utilizam dados climáticos e modelos analíticos para auxiliar produtores, empresas e cooperativas na antecipação de riscos.
A proposta é transformar informações sobre clima e condições ambientais em ferramentas de apoio à decisão.
Essa capacidade pode ser relevante em um cenário de maior variabilidade climática, permitindo que o planejamento agrícola considere diferentes possibilidades de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos.
IA generativa chega ao planejamento do agro
A inteligência artificial generativa também começa a ampliar suas aplicações no agronegócio.
Entre os usos potenciais estão a modelagem de cenários de produção e preços de commodities, o planejamento logístico e o apoio ao desenvolvimento de novas sementes e bioinsumos.
Nesse modelo, a tecnologia funciona como uma ferramenta complementar para analisar informações, simular cenários e apoiar processos de planejamento.
A combinação entre IA generativa, dados históricos, informações de mercado e dados agronômicos pode ampliar a capacidade das empresas de avaliar diferentes alternativas antes de tomar decisões.
Dados passam a ocupar papel estratégico
O avanço da inteligência artificial reforça uma transformação na gestão do agronegócio: a utilização de dados deixa de ser apenas um recurso operacional e passa a integrar decisões estratégicas.
Para as empresas, isso significa conectar informações provenientes de diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o planejamento da lavoura até a armazenagem, comercialização e logística.
“A Inteligência Artificial não é mais uma tendência distante. Ela já é uma realidade transformadora que está moldando o futuro do agro e preparando o setor para os desafios de um mundo em constante mudança”, conclui Galvani.
Agronegócio aumenta investimentos em tecnologia
Com 78% dos CEOs do agronegócio entrevistados pela PwC Brasil planejando investir na integração de IA com plataformas tecnológicas, o setor demonstra uma disposição crescente para incorporar ferramentas digitais à gestão.
O movimento envolve desde soluções voltadas ao manejo e uso eficiente de recursos até aplicações relacionadas ao clima, logística, mercado e desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas.
A tendência aponta para uma agricultura cada vez mais orientada por dados, automação, inteligência preditiva e integração de plataformas, com a inteligência artificial ocupando papel crescente nas estratégias de competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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