Publicado em: 09/02/2026 às 08:30hs
A combinação de biotecnologia avançada, inteligência artificial (IA) e machine learning está transformando o agronegócio brasileiro, permitindo o desenvolvimento de soluções mais rápidas, eficientes e sustentáveis para a produção de alimentos. Estudos da CropLife Brasil e da Agroconsult apontam que, nos últimos 25 anos, a biotecnologia gerou R$ 143,5 bilhões em receita adicional para o setor.
O país se destaca internacionalmente não apenas pela produção expressiva de grãos e biodiversidade, mas também pela qualidade científica e maturidade do mercado de investimentos em biotecnologia. Esse cenário favorece o crescimento das agtechs – startups especializadas em soluções biotecnológicas para o agronegócio.
Entre elas, está a InEdita Bio, fundada em 2021, que reúne jovens cientistas com expertise em edição genômica. O objetivo da empresa é desenvolver características (“traits”) de alto impacto em culturas globais, promovendo maior sustentabilidade na produção de alimentos.
A InEdita Bio adota uma abordagem diferenciada: em vez de introduzir genes de outras espécies, a empresa edita genes da própria planta para aprimorar características agronômicas desejáveis. A companhia já possui patentes internacionais depositadas no USPTO, garantindo a proteção de suas plataformas de edição genômica.
Essas tecnologias permitem criar plantas resistentes a pragas e doenças, com maior fixação biológica de nitrogênio e melhor adaptação a condições de seca e altas temperaturas.
A plataforma proprietária On Target™ utiliza IA e machine learning para gerar RNAs regulatórios exclusivos, capazes de silenciar genes essenciais de patógenos e pragas, reduzindo a probabilidade de desenvolvimento de resistência.
“Comparo a edição genômica ao processo de revisar um texto: não adicionamos nada novo, apenas ajustamos pequenas partes para melhorar o todo”, explica Paulo Arruda, sócio-fundador da InEdita Bio.
Outra startup que aposta fortemente na IA é a Symbiomics, que combina inteligência artificial, machine learning e genômica avançada para desenvolver biológicos de nova geração. Seus algoritmos identificam combinações robustas de microrganismos capazes de melhorar a nutrição das plantas, controlar pragas e regenerar o solo.
“A maioria dos biológicos disponíveis ainda utiliza cepas tradicionais. Nosso trabalho é descobrir microrganismos pouco explorados com alto potencial biotecnológico”, afirma Jader Armanhi, COO e cofundador da Symbiomics.
A empresa desenvolve SynComs (synthetic communities), comunidades microbianas sintéticas desenhadas por análises computacionais para replicar, de forma simplificada, a eficiência das comunidades naturais associadas às plantas.
O uso de bioinsumos representa uma alternativa mais sustentável ao meio ambiente e à saúde humana, além de gerar ganhos econômicos significativos. Um estudo de 2024 do Ministério da Agricultura e Pecuária, em parceria com o setor privado, estima que a adoção de bioinsumos em gramíneas como trigo, arroz, milho e cana-de-açúcar poderia gerar economia de até US$ 5,1 bilhões anuais e reduzir 18,5 milhões de toneladas de CO₂.
Atualmente, o mercado brasileiro de bioinsumos movimenta mais de US$ 1,5 bilhão, com potencial de ultrapassar US$ 3 bilhões até o final da década, segundo a DunhamTrimmer – International Bio Intelligence.
“IA redefine os limites da produtividade e abre caminho para um campo mais eficiente, diverso e conectado ao futuro”, conclui Jader Armanhi.
Fonte: Portal do Agronegócio
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