Publicado em: 03/07/2026 às 08:30hs
Apesar da evolução da agricultura de precisão e da ampla oferta de tecnologias voltadas à aplicação de defensivos agrícolas, o agronegócio brasileiro ainda enfrenta desafios importantes para alcançar máxima eficiência operacional. Máquinas modernas, sensores, drones e sistemas inteligentes já fazem parte da rotina do campo, mas a forma como essas ferramentas são utilizadas ainda limita os resultados.
A avaliação é de especialistas do setor, que apontam que o principal gargalo não está na ausência de tecnologia, mas na integração entre conhecimento técnico, operação e estratégia dentro das propriedades rurais.
O aumento da pressão por produtividade, redução de perdas e cumprimento de exigências ambientais tem ampliado a necessidade de aplicações fitossanitárias mais precisas e sustentáveis. No entanto, falhas operacionais e decisões inadequadas continuam comprometendo parte dos resultados no campo.
De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo da Costa Ferreira, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal e coordenador do Núcleo de Estudos e Desenvolvimento da Tecnologia de Aplicação, o setor dispõe de um amplo conjunto de ferramentas, mas ainda enfrenta dificuldades na sua correta utilização.
“Do ponto de vista da disponibilidade de produtos, máquinas e aplicativos, o agro vivencia um bom nível de opções. Mas isso não significa que esses produtos sejam bem utilizados”, afirma o especialista.
Segundo ele, perdas associadas à deriva, escolhas inadequadas de tecnologia e falhas operacionais poderiam ser significativamente reduzidas com maior alinhamento técnico entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
“Há conhecimento e ferramental disponível. Porém, a falta de uma orientação macro dificulta uma compreensão mais madura para a redução das perdas”, completa.
O avanço das tecnologias digitais tem alterado profundamente a lógica das aplicações agrícolas. Recursos como sensoriamento remoto, imagens de satélite, drones e sistemas inteligentes permitem análises detalhadas das lavouras e possibilitam decisões mais específicas dentro de uma mesma área produtiva.
Na prática, isso significa maior capacidade de identificar variações no campo e ajustar a aplicação de insumos de forma localizada, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência.
“O olho das máquinas é muito mais detalhista e veloz em produzir informações do que o olho humano”, destaca Marcelo Ferreira.
Apesar dos avanços, a adoção plena dessas ferramentas ainda enfrenta resistência dentro das propriedades rurais. Para o especialista, a principal barreira não é apenas tecnológica, mas cultural e organizacional.
O modelo tradicional de manejo agrícola ainda está fortemente consolidado em muitas regiões produtoras, o que dificulta a incorporação de novos processos e sistemas de decisão baseados em dados.
“Essa forma tradicional de trabalho está consolidada há décadas. A primeira barreira, portanto, é cultural, seguida pela necessidade de alteração do sistema de entendimento da operação”, ressalta.
Para o professor da Unesp, o futuro da eficiência na aplicação de defensivos está diretamente ligado à formação de profissionais mais capacitados para operar, interpretar e desenvolver tecnologias agrícolas.
A tendência, segundo ele, é de um ambiente cada vez mais digitalizado, no qual a tomada de decisão dependerá de dados e sistemas integrados.
“As inovações tecnológicas virão. As pessoas precisam estar preparadas não apenas para utilizá-las, mas também para criá-las e aprimorá-las”, conclui.
A tendência é que a agricultura brasileira avance cada vez mais para sistemas produtivos orientados por dados, com maior integração entre máquinas, softwares e conhecimento técnico. Nesse cenário, a eficiência na aplicação de defensivos deve depender menos da disponibilidade de tecnologia e mais da capacidade de gestão e capacitação dos profissionais envolvidos.
A superação das barreiras culturais e o fortalecimento da formação técnica devem ser fatores determinantes para reduzir perdas, ampliar a sustentabilidade das operações e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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