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Seguro Rural

Corte no Seguro Rural aumenta risco financeiro no campo e exige revisão das apólices para a próxima safra

Redução de recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) reforça a necessidade de planejamento, análise de coberturas e gestão de riscos nas propriedades agrícolas


Publicado em: 13/07/2026 às 14:30hs

Corte no Seguro Rural aumenta risco financeiro no campo e exige revisão das apólices para a próxima safra

A redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) amplia o alerta para produtores rurais que buscam proteger suas operações na próxima safra. Com menor disponibilidade de apoio público, especialistas destacam que a revisão das apólices existentes e o diagnóstico dos riscos patrimoniais se tornam etapas fundamentais para evitar prejuízos em caso de eventos climáticos, acidentes ou perdas operacionais.

O orçamento do PSR sofreu um corte de R$ 56,3 milhões, após um bloqueio anterior de aproximadamente R$ 461,7 milhões previsto para 2026, aumentando a preocupação do setor com a disponibilidade de ferramentas de proteção financeira no agronegócio.

O cenário ocorre em um momento de retração da cobertura securitária no campo. De acordo com nota técnica do Observatório do Crédito e do Seguro Rural da FGV Agro, a área agrícola protegida por seguro caiu de cerca de 13,45 milhões de hectares em 2021 para aproximadamente 3,2 milhões de hectares em 2025.

Segundo o levantamento, seria necessário um volume estimado de R$ 2,37 bilhões em recursos de subvenção para que o país retomasse, em 2026, o nível de proteção registrado quatro anos antes.

Seguro rural exige estratégia de gestão de risco e não apenas contratação de apólice

Embora a redução da subvenção esteja no centro das discussões do setor, especialistas alertam que o produtor também precisa avaliar a qualidade da proteção contratada.

Para Clara Mendes, Head de Seguros da Agree, fintech voltada a soluções financeiras para o agronegócio, o seguro rural deve ser tratado como uma ferramenta estratégica de continuidade do negócio, e não apenas como uma exigência vinculada ao crédito agrícola.

“Ter uma apólice contratada não significa, necessariamente, estar protegido. É preciso avaliar se os bens estão corretamente segurados, se as coberturas correspondem aos riscos reais da propriedade e se existem lacunas capazes de comprometer uma eventual indenização”, explica.

Segundo a especialista, um dos principais problemas encontrados no campo é a renovação automática de contratos sem uma reavaliação do patrimônio rural.

Máquinas agrícolas, estruturas de armazenagem, silos, benfeitorias e frotas podem sofrer alterações significativas de valor ao longo dos anos. Quando esses ativos não são atualizados na apólice, o produtor pode enfrentar limitações justamente no momento de maior necessidade.

Coberturas insuficientes podem reduzir indenizações em casos de sinistro

Entre os pontos que merecem atenção está a chamada cláusula de rateio, aplicada quando o valor segurado de determinado bem fica abaixo do valor real de mercado.

Nessas situações, a indenização pode ser reduzida proporcionalmente, deixando parte do prejuízo sob responsabilidade do produtor rural.

O risco pode ocorrer principalmente em equipamentos agrícolas, estruturas de armazenamento e ativos que passaram por valorização sem atualização dos valores declarados na contratação do seguro.

Outro ponto fundamental é o Limite Máximo de Indenização (LMI), que deve refletir corretamente o tamanho da exposição financeira da propriedade.

Quando o limite é mal dimensionado, o produtor pode pagar por uma cobertura inadequada ou permanecer vulnerável em áreas críticas da operação.

Diagnóstico preventivo ajuda produtor a evitar perdas financeiras

Com um ambiente de maior seletividade no crédito rural, custos elevados de produção e incertezas relacionadas ao seguro subsidiado, a recomendação é que o produtor faça um diagnóstico completo antes da próxima contratação ou renovação.

A análise deve considerar:

  • quais ativos estão atualmente protegidos;
  • quais riscos permanecem descobertos;
  • quais apólices estão vigentes;
  • se existem contratos duplicados;
  • se os valores segurados acompanham o patrimônio atual;
  • quais impactos um eventual sinistro teria no fluxo financeiro da fazenda.

Para Clara Mendes, o planejamento antecipado permite decisões mais eficientes e reduz vulnerabilidades.

“Em um cenário de maior incerteza, a proteção patrimonial precisa receber o mesmo nível de atenção dado ao planejamento financeiro da safra. O seguro deve estar integrado à estratégia de preservação do capital e continuidade da operação”, destaca.

Gestão profissional do seguro rural ganha importância no agronegócio

A revisão técnica das apólices pode revelar desde falhas de cobertura até oportunidades de reorganização dos contratos existentes.

Em algumas situações, o produtor pode precisar contratar uma nova proteção. Em outras, ajustes simples nas coberturas já contratadas podem melhorar a eficiência do seguro.

“O objetivo da consultoria é permitir que o produtor tome decisões baseadas em informações técnicas. O mais importante é compreender quais são os riscos reais da propriedade e garantir que a proteção contratada esteja alinhada à operação”, conclui a especialista.

Seguro rural no Brasil: cenário exige maior planejamento

Com a redução dos recursos públicos destinados ao PSR e a queda da área segurada nos últimos anos, a gestão de riscos passa a ocupar posição estratégica dentro do planejamento agrícola.

Para a próxima safra, produtores que realizarem uma revisão detalhada das apólices terão melhores condições de identificar vulnerabilidades, ajustar coberturas e proteger o patrimônio rural diante de um cenário de maior incerteza financeira e climática.

Fonte: Portal do Agronegócio

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