Publicado em: 01/04/2024 às 11:35hs
Como se encontra a disputa presidencial? Embora ainda seja muito cedo para prever o eventual vencedor, uma revanche entre Trump e Biden provavelmente aumentará as incertezas geopolíticas e de mercado, já que o sentimento do público em relação a ambos os candidatos permanece morno, com pouco entusiasmo para a revanche.
As pesquisas indicam impopularidade generalizada para ambos, mas Trump está na frente na probabilidade de vitória de acordo com as pesquisas e mercados de apostas. Em última análise, as chances dos candidatos e o impacto sobre os mercados provavelmente serão guiados pelo fato de a economia dos EUA conseguir uma aterrissagem suave, com oscilações de volatilidade impulsionadas pela política. O histórico sugere que o Presidente Biden tem mais chances de vencer se os EUA evitarem uma recessão.

Quais as principais políticas de cada candidato? A tabela 1 mostra como as prioridades políticas dos dois candidatos são diferentes. Basicamente, Biden sinaliza a continuidade da política e uma postura mais sutil em relação à política externa e comercial. Em contraste, uma presidência de Trump pode trazer mais atritos, tanto internamente (por meio de restrições à imigração em um momento em que o mercado de trabalho está apertado) quanto para o resto do mundo.
Uma de suas prioridades políticas é impor uma tarifa de 60% sobre as importações da China e uma tarifa de 10% sobre outros parceiros comerciais, incluindo a União Europeia. Por outro lado, Trump também planeja reduzir os impostos corporativos dos EUA, o que pode ser positivo para os ativos de risco em geral – mas principalmente para as ações americanas.
O impacto nos mercados financeiros provavelmente será determinado pela sequência da implementação de sua política: os cortes propostos nos impostos corporativos virão antes da legislação sobre imigração e/ou tarifas de importação?
A eleição americana pode ter grandes impactos no setor de energia. Trump procuraria desfazer grande parte do trabalho do governo Biden no combate às mudanças climáticas se retornasse ao cargo após a eleição de novembro e lançaria novos esforços para expandir a produção de combustíveis fósseis.
Embora alguns programas de crédito fiscal para biocombustíveis sejam tradicionalmente bipartidários, o grande desafio SAF de Biden e outras políticas de biocombustíveis podem estar em risco em um cenário de vitória de Trump. Durante o primeiro mandato de Trump, isso foi ilustrado por uma série de isenções concedidas às refinarias, dispensando-as do cumprimento do padrão de combustível renovável (RFS).

A história mostra que os presidentes dos EUA geralmente são reeleitos se a economia evita uma recessão. Os dados mais recentes foram mais brandos do que o esperado. Entretanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou nos últimos os planos de cortar as taxas ainda este ano se a atual tendência desinflacionária persistir, o que deve ajudar a apoiar o crescimento.
Apesar da liderança de Trump nas pesquisas e demais indicadores, ainda estamos apenas no início da corrida eleitoral, e a impopularidade de ambos os candidatos enseja uma alta volatilidade durante o processo eleitoral. Contudo, os mercados americanos tendem a ser resistentes à volatilidade política.
Analisando o desempenho do S&P 500 de 1937 a 2022, por exemplo, observa-se que o retorno médio anual é de 9,9% nos anos de eleições presidenciais e de 12,5% nos anos não eleitorais. O S&P 500 não caiu durante um ano de reeleição presidencial desde 1952.
Um cenário favorável aos ativos de risco tende a ser positivo para as commodities em geral. O maior impacto específico deve ser sobre o complexo energético: as políticas de Trump parecem ser mais favoráveis aos combustíveis fósseis, enquanto os renováveis podem se beneficiar relativamente em um cenário de vitória de Biden.

Por Alef Dias, analista de Macroeconomia e Grãos da hEDGEpoint Global Markets
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
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