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Serra busca apoio de Macri para flexibilizar Mercosul

A visita do ministro de Relações Exteriores, José Serra, a Argentina, nesta segunda-feira (23/05), deixou claro o interesse do governo interino de Michel Temer de buscar no principal parceiro da região apoio à ideia de regras mais flexíveis para o Mercosul


Publicado em: 30/05/2016 às 17:30hs

Serra busca apoio de Macri para flexibilizar Mercosul

Os dois lados mostram pressa na reaproximação. Ficou acertado, nas conversas em Buenos Aires que daqui a um mês a chanceler argentina, Susana Malcorra, deve visitar o Brasil enquanto Temer também faz planos de viajar à Argentina.

Protesto - Apesar do clima cordial nos encontros com o governo argentino, Serra teve, no entanto, que enfrentar grupos que protestaram contra o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Flexibilização - Em entrevista nesta segunda, após a agenda de encontros com o governo argentino, incluindo o presidente Mauricio Macri, Serra voltou a falar sobre os planos para uma flexibilização no Mercosul, da necessidade de fortalecer o bloco e resolver "problemas que ainda existem". "Vamos criar mecanismos para investir na flexibilização", destacou Serra.

Incremento - A palavra flexibilização preocupou jornalistas argentinos que buscavam saber se o governo brasileiro pensa em incrementar acordos bilaterais com países fora do bloco, deixando a Argentina de fora. Serra declarou que esse tipo de questão não se resolvia "numa reunião de um dia" e, de forma diplomática, reiterou sobre o foco da sua ação de curto prazo, voltada à parceria com a Argentina, um dos principais pontos no seu discurso de posse.

Compartilhamento - No discurso de posse em Brasília Serra citou a Argentina como o país com o qual o Brasil "passou a compartilhar referências semelhantes para a reorganização da política e da economia". Na visita a Buenos Aires ele apontou os problemas no Mercosul como "obstáculos decorrentes da situação macroeconômica". Segundo Serra, os dois países vão intensificar ações contra delitos nas fronteiras e também trabalhar para aproveitar a facilidade do transporte fluvial que une os países.

Venezuela - Os dois governos também coincidem em relação aos problemas na Venezuela e vão trabalhar em posições comuns. No clima cordial entre os dois governos não houve espaço sequer para os argentinos reclamarem do rombo que a crise brasileira tem provocado no comércio entre os dois países. No primeiro quadrimestre, a Argentina amargou déficit de US$ 1,4 bilhão e em cinco anos o comércio entre os dois países encolheu mais de 40%. Serra disse que almoçou ao lado do ministro da Fazenda, Alfonso Prat­Gay e não entraram "nesse detalhe". "Nós temos as listinhas das dificuldades em outros países; eles também têm as que o Brasil cria", disse.

Detalhes - O ministro não forneceu detalhes sobre seu encontro com Macri, tratado pela Embaixada do Brasil como "visita de cortesia". Se com o governo argentino o clima foi de parceria, nas ruas de Buenos Aires Serra enfrentou manifestações contrárias ao processo de impeachment de Dilma. O ministro teve de usar acessos alternativos para entrar e sair da chancelaria da Argentina para escapar dos manifestantes. Ele ingressou no Palácio San Martin por uma entrada de serviços, usada por funcionários. A saída foi por outra porta lateral.

Manifestantes - Os seguranças do ministro fizeram de tudo para despistar os manifestantes, que se espalharam em torno do palácio. À saída do encontro entre Serra e Malcorra os manifestantes se confundiram com automóveis que passavam sob forte esquema de segurança. Pensaram que o ministro brasileiro estava dentro de algum desses veículos nos quais colaram nos vidros cartazes com a foto de Serra e a frase: "Procura­se chanceler impostor do Brasil, golpista". Outros deitaram na rua, para bloquear o caminho dos veículos. Mas Serra acabou saindo a pé, por outra porta lateral, onde havia menos manifestantes.

Agenda - Formado por membros da corrente kirchnerista "La Cámpora" e também por brasileiros que moram na Argentina, o grupo se dispersou. Começou com cerca de 500 e terminou com menos de 100. Mas foi o suficiente para atrapalhar a agenda inicial do ministro. Estava previsto, por exemplo, que ao sair do Palácio San Martin, Serra iria até o Ministério da Fazenda. Mas, com o provável intuito de evitar constrangimentos no caminho, a visita ao Ministério da Fazenda, que fica ao lado da Casa Rosada, foi cancelada. O ministro Prat­Gay decidiu, então, ele mesmo ir encontrar­se com Serra na chancelaria.

Significado - Mais tarde, já na sede da embaixada brasileira, Serra disse que os protestos, que continuavam, desta vez na frente da embaixada, tinham para ele "significado nulo". Já em relação à decisão do senador Romero Jucá de se licenciar do cargo de ministro do Planejamento, Serra disse: "ele mostrou­se um excelente ministro; espero que possa resolver o problema e volte".

Substituição - Ao ser questionado se ele estaria sendo cogitado para substituir Romero Jucá no Ministério do Planejamento, Serra disse que não estava sabendo de nada. Mas destacou: "não vou dizer 'não aceitaria' porque pressupõem­se que isso seria cogitado". Em seguida, o ministro disse, no entanto, que tinha assumido o cargo de ministro de Relações Exteriores com a intenção de implantar o que anunciou no discurso de posse. "Tenho muita coisa para fazer", disse.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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