Publicado em: 24/02/2026 às 10:45hs
Com o agravamento da escassez hídrica nos últimos anos, a irrigação sustentável passou a ocupar papel estratégico na agricultura paulista. Em resposta a esse cenário, o Governo do Estado de São Paulo lançou, em 2025, o programa Irriga+SP, linha de crédito criada para fomentar tecnologias de irrigação e garantir o uso racional da água.
Operacionalizado pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), em parceria com a Desenvolve SP, o programa já contabiliza R$ 56 milhões investidos em apenas um ano, beneficiando mais de 8 mil hectares, o equivalente a 8 mil campos de futebol.
O Irriga+SP oferece condições atrativas de financiamento, com prazo de até 60 meses, carência de até 18 meses e limite de R$ 5 milhões por projeto em áreas de até 1.000 hectares. As taxas de juros subsidiadas variam entre 4,81% e 9,87% ao ano, tornando a linha de crédito uma das mais competitivas do país.
Os recursos podem ser aplicados na aquisição de sistemas modernos de irrigação — como gotejamento, aspersão, pivô central e carretel enrolador — além de soluções em energia fotovoltaica, armazenamento de água, drones, sensores, estufas climatizadas e projetos de reuso hídrico.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a política de irrigação representa uma estratégia de segurança alimentar e previsibilidade produtiva.
“A irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade. Ela garante estabilidade no campo e segurança alimentar para a população, especialmente diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos”, afirmou o secretário.
O secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, reforça que o programa atende diretamente às necessidades do produtor rural paulista. Segundo ele, o crédito facilita o acesso a tecnologias modernas e amplia a eficiência no uso da água.
“O Irriga+SP tem papel essencial no desenvolvimento sustentável e na segurança produtiva do Estado. Os resultados em pouco tempo demonstram sua relevância para a economia rural paulista”, destacou.
A Desenvolve SP, responsável pela operação do crédito, também comemora o sucesso da iniciativa. O diretor-presidente Ricardo Brito informou que, somente em 2026, já foram aplicados mais de R$ 15 milhões em financiamentos voltados à irrigação e agricultura de precisão.
Segundo ele, os recursos têm ajudado a mitigar os efeitos da estiagem, diversificar as culturas e aumentar a produtividade agrícola no Estado.
Entre os beneficiados está o produtor rural Jamil Buchala, que ressaltou a agilidade e eficiência do processo de financiamento.
“O programa surgiu no momento certo e com a praticidade necessária. Já estamos com o reservatório concluído e o pivô em fase de montagem. Esse projeto era um sonho antigo que finalmente saiu do papel”, relatou.
Além do Irriga+SP, o FEAP mantém a linha Desenvolvimento Rural Sustentável (DRS), voltada a projetos de agricultura irrigada. Em 2025, foram 170 operações aprovadas, somando R$ 13 milhões em investimentos.
A pesquisadora Jane Silveira, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), destaca que a irrigação sustentável é essencial para a diversidade produtiva paulista, abrangendo desde pequenos produtores de café e hortaliças até grandes cultivos de citros e cana-de-açúcar.
“A irrigação é um fator decisivo para aumentar a produtividade e garantir qualidade para atender mercados exigentes”, afirmou.
O Instituto Agronômico (IAC) também conduz pesquisas voltadas à eficiência hídrica e ao melhoramento genético de cultivares. O pesquisador Alisson Chiorato, responsável pelo Programa de Melhoramento Genético do Feijoeiro, explica que o desenvolvimento de variedades de ciclo precoce permite economia de até 20% de água durante a irrigação.
Além de reduzir o consumo hídrico, essas cultivares diminuem o gasto energético e a pressão sobre represas. O IAC também mantém estudos de demanda hídrica por cultura, com uso de imagens aéreas e análise dos períodos críticos de déficit em diferentes espécies agrícolas — uma linha de pesquisa ativa desde a década de 1950.
Fonte: Portal do Agronegócio
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