Publicado em: 05/02/2026 às 12:30hs
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) lançou um programa de melhoramento genético voltado à raça Guzerá, com o objetivo de disponibilizar genética de alto desempenho aos pecuaristas paulistas.
Os primeiros animais já estão sendo integrados à Fazenda Ataliba Leonel, unidade da CATI Sementes e Mudas, localizada em Manduri (SP), e servirão como base para a formação do novo rebanho.
“O Guzerá é uma raça que fala por números. Mesmo com menor efetivo, apresenta excelente desempenho em ganho de peso, eficiência produtiva e consistência genética. Com esse programa, transformamos resultados técnicos em política pública, levando genética comprovada até o produtor”, destacou o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho.
O programa é fruto de uma parceria entre a SAA e a Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB). Os primeiros bovinos chegaram à unidade da CATI no final de 2025, dando início ao processo de estruturação da nova linha genética.
Segundo o chefe da Divisão de Produção da Fazenda Ataliba Leonel, Braz Costa de Oliveira Junior, o projeto prioriza características morfológicas e de rendimento para corte, sem perder o equilíbrio com a aptidão leiteira da raça.
“Nosso foco é oferecer ao produtor um animal de qualidade, com boa performance para carne e boa habilidade materna. O Guzerá é versátil e se adapta bem às demandas da pecuária moderna”, explicou Oliveira Junior.
Além do ganho produtivo, o programa também tem um viés de sustentabilidade. A proposta é incentivar a criação dos animais em pastagens recuperadas e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), promovendo uma pecuária mais eficiente e ambientalmente responsável.
O diretor da CATI, Ricardo Pereira, ressaltou que o programa representa um avanço estratégico para a pecuária estadual e visa ampliar o acesso à genética superior:
“Optamos pelo Nelore e pelo Guzerá por serem raças zebuínas com forte presença em São Paulo. O objetivo é popularizar o uso de touros puros de origem e garantir que pequenos e médios criadores tenham a mesma qualidade genética disponível aos grandes produtores.”
Segundo Pereira, toda a rede da CATI está mobilizada para orientar os produtores interessados.
“As Casas da Agricultura e os técnicos regionais estão à disposição para orientar os criadores sobre como escolher a melhor genética e acessar os materiais disponibilizados pela Secretaria”, reforçou.
Atualmente, o Programa Guzerá SP está em fase de arrebanhamento, buscando ampliar o pool genético e consolidar uma base sólida de matrizes e reprodutores. Essa etapa é essencial para garantir a consistência genética do rebanho antes do início da seleção efetiva.
O projeto pretende tornar o Guzerá uma referência de desempenho em corte no estado, sem abrir mão de suas qualidades leiteiras e reprodutivas, mantendo o equilíbrio entre produtividade, rusticidade e sustentabilidade.
Originário da Índia, o Guzerá — também conhecido em seu país de origem como Kankrej — foi uma das primeiras raças zebuínas a chegar ao Brasil. Seu nome deriva do antigo porto de Guzerat, na região oeste do país asiático.
Na Índia, por ser considerado animal sagrado, o Guzerá é criado principalmente para leite e tração. Já no Brasil, a raça seguiu um caminho diferente, sendo amplamente utilizada para corte e valorizada por sua adaptação ao clima tropical, resistência a doenças e excelente rendimento de carcaça.
Fonte: Portal do Agronegócio
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