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Santa Catarina inicia distribuição de sementes de milho e investe R$ 39,8 milhões para elevar produtividade rural

Projeto Sementes de Milho 2026 vai beneficiar mais de 43,5 mil famílias e reforça competitividade da cadeia do milho, leite e carne no estado


Publicado em: 12/06/2026 às 10:00hs

Santa Catarina inicia distribuição de sementes de milho e investe R$ 39,8 milhões para elevar produtividade rural
Foto: Edio Murer

O Governo de Santa Catarina deu início à operacionalização do Projeto Sementes de Milho 2026, uma das principais ações do Programa Terra Boa voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e ao aumento da produtividade no campo.

O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (3), no município de Palmitos, com a oficialização da estratégia pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape). O investimento total do projeto é de R$ 39,8 milhões para a safra 2026, dentro de um aporte global superior a R$ 137 milhões destinado ao Programa Terra Boa.

Projeto deve atender mais de 43,5 mil famílias em SC

A iniciativa prevê a distribuição de 175 mil sacos de sementes de milho de alta tecnologia, beneficiando diretamente mais de 43,5 mil famílias de agricultores em praticamente todos os municípios catarinenses.

O objetivo central é elevar a produtividade por hectare e fortalecer as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente nos segmentos de carne e leite, por meio da produção de grãos e silagem de alta qualidade.

Segundo o governo estadual, o projeto também busca reduzir o déficit de produção de milho em Santa Catarina e ampliar a competitividade do setor agropecuário.

Tecnologia e genética impulsionam produtividade no campo

O Projeto Sementes de Milho oferece cultivares de alto valor genético e diferentes níveis tecnológicos, com subsídio estadual que varia conforme o tipo de semente.

Cada família de agricultores familiares pode retirar até cinco sacos por ano, com subvenções que vão de R$ 100 por saco, no caso de cultivares de polinização aberta, até R$ 270 por saco para sementes de alta tecnologia com tratamento industrial.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o programa amplia a competitividade da agricultura catarinense e garante maior segurança produtiva aos agricultores.

Operacionalização envolve cooperativas e Epagri

A execução do projeto ocorre por meio de parceria entre a Sape e a Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), além do apoio técnico da Epagri.

O fluxo operacional inicia com a retirada de autorização junto à Epagri, seguida da aquisição das sementes em cooperativas ou casas agropecuárias credenciadas.

Durante o evento de lançamento, também foram assinados os Termos de Operacionalização 2026 entre Estado, Epagri e Fecoagro, marcando oficialmente o início das entregas aos produtores.

Produção de milho e cenário da cadeia produtiva

Segundo dados do Observatório Agro SC, Santa Catarina produziu cerca de 2,67 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026, em uma área de 290,3 mil hectares.

O desempenho indica estabilidade em relação à safra anterior e reforça a importância do acesso a sementes de qualidade para a sustentabilidade da produção agrícola no estado.

Para o diretor de Cooperativismo e Desenvolvimento Rural, Léo Kroth, o acesso a insumos de alta tecnologia é determinante para manter a competitividade do agronegócio catarinense.

Monitoramento da cigarrinha fortalece manejo no campo

O evento em Palmitos também destacou o Programa de Monitoramento da Cigarrinha-do-Milho, iniciativa do Governo de Santa Catarina voltada ao controle da principal praga da cultura.

Coordenado pela pesquisadora Maria Cristina Canale, da Epagri/Cepaf de Chapecó, o programa já recebeu investimentos de R$ 2,2 milhões e, ao longo de cinco anos, realizou quase 10 mil armadilhas avaliadas, mais de 10 mil extrações laboratoriais e cerca de 33 mil análises moleculares.

Segundo a pesquisadora, o monitoramento tem contribuído para reduzir a incidência da praga em períodos estratégicos, fortalecendo o manejo integrado e a tomada de decisão dos produtores.

Produção e mercado do milho em SC

A análise do cenário do milho no estado foi apresentada por Enori Barbieri, vice-presidente da Faesc e presidente da Câmara Setorial do Milho e Sorgo.

Ele destacou que Santa Catarina é um dos maiores consumidores de milho do país devido à forte cadeia de proteína animal, com demanda anual estimada em 8,5 milhões de toneladas, enquanto a produção local gira em torno de 2,5 milhões de toneladas.

O cenário reforça a dependência de importações de outros estados e acende alerta para a competitividade do setor, especialmente diante do avanço da demanda industrial e da indústria de etanol de milho.

Segundo Barbieri, o desafio é ampliar a produção estadual e buscar alternativas para reduzir o déficit estrutural do cereal no estado, garantindo segurança para a cadeia produtiva de carnes e leite.

Fonte: Portal do Agronegócio

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