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Renegociação de dívidas rurais pode destravar até R$ 200 bilhões com uso do FGI e avança no Senado

Proposta articulada pela FPA e incluída no PL 5.122/2023 prevê ampliação do Fundo Garantidor para Investimentos e pode criar novo modelo de crédito e renegociação para o agronegócio brasileiro


Publicado em: 14/05/2026 às 11:05hs

Renegociação de dívidas rurais pode destravar até R$ 200 bilhões com uso do FGI e avança no Senado
Medida busca aliviar endividamento e modernizar o crédito rural

Produtores rurais de todo o Brasil podem estar próximos de uma nova alternativa estruturada para renegociar dívidas acumuladas nos últimos anos. A proposta, incluída no Projeto de Lei PL 5.122/2023, prevê o uso ampliado do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) como mecanismo central de alavancagem financeira.

A iniciativa, construída com participação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), pode destravar até R$ 200 bilhões em operações de renegociação, com potencial de transformar a estrutura de crédito no campo.

Governo pode aportar até R$ 20 bilhões para garantir operações

A proposta autoriza o governo federal a ampliar sua participação no FGI com aporte adicional de até R$ 20 bilhões. Esses recursos seriam utilizados exclusivamente como garantia para operações de repactuação de dívidas rurais.

Segundo a senadora Tereza Cristina, o modelo pode gerar forte efeito multiplicador:

  • Potencial mínimo estimado: R$ 70 bilhões em renegociações
  • Potencial máximo: até R$ 200 bilhões em alavancagem
  • Condição central: aporte efetivo do Executivo no fundo

A senadora defende que o mecanismo pode deixar um legado estrutural para o crédito agrícola no Brasil.

FPA vê “tempestade perfeita” no endividamento rural

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirmou que o setor enfrenta uma forte pressão financeira e climática, exigindo resposta emergencial e estrutural.

Segundo ele, o volume atual de dívidas do setor já alcança cerca de R$ 150 bilhões, enquanto soluções anteriores seriam insuficientes para enfrentar o problema.

Relatoria no Senado e articulação política

O relator da matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Renan Calheiros, destacou que a proposta incorpora contribuições da FPA e avançou com a inclusão da emenda do FGI no relatório.

A expectativa é que a votação ocorra na próxima terça-feira (19), com articulação para levar o texto ao Plenário do Senado ainda na mesma semana.

Novo modelo pode mudar o sistema de financiamento rural

O coordenador institucional da FPA, deputado Alceu Moreira, defende que a proposta vai além de uma solução emergencial.

Segundo ele, o texto pode estruturar um novo sistema de financiamento agrícola no país, com maior previsibilidade e mecanismos permanentes de renegociação.

Linha emergencial e recursos adicionais no projeto

Além do uso do FGI, o projeto prevê:

  • Linha emergencial de até R$ 30 bilhões via Fundo Social
  • Possibilidade de novas linhas com recursos orçamentários federais
  • Discussões sobre ampliação total de até R$ 82 bilhões pelo Executivo
Apoio de parlamentares reforça urgência da medida

Outros integrantes da bancada do agro destacaram a importância da proposta:

  • Senador Jaime Bagattoli ressaltou a abrangência nacional da medida
  • Senador Hamilton Mourão destacou a urgência para o RS
  • Deputado Afonso Hamm afirmou que o projeto pode garantir dignidade ao produtor
  • Senador Wilder Morais citou o cenário de crise com juros altos e custos elevados
  • Deputado Evair de Melo destacou impacto além do setor agropecuário
Corrida contra o calendário do Plano Safra

A FPA trabalha para que a estrutura da renegociação seja aprovada antes do anúncio do próximo Plano Safra, evitando novas alterações legislativas no retorno à Câmara dos Deputados.

A estratégia é acelerar a tramitação para garantir implementação imediata e reduzir o impacto da inadimplência no campo.

Cenário e próximos passos

A proposta é vista no Congresso como uma das mais amplas iniciativas recentes para reestruturação do crédito rural no Brasil. Se aprovada, pode combinar:

  • Renegociação de dívidas em larga escala
  • Garantias via FGI
  • Recursos emergenciais do Fundo Social
  • Possível ampliação orçamentária federal

A votação na CAE e no Plenário do Senado será decisiva para definir a velocidade de implementação do novo modelo de financiamento agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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